A visão é um sentido extremamente importante, pois nos possibilita ver todas as coisas ao nosso redor, diferenciar cores e ver o mundo a nossa volta. Os olhos são órgãos sensoriais responsáveis por possibilitar o recebimento do estímulo visual.
São órgãos sensoriais extremamente importantes e sensíveis, sendo basicamente uma projeção cerebral, que evoluíram desde pontos primitivos sensíveis à luz em invertebrados até o que nós conhecemos nos animais, tais como mamíferos e aves, com olhos que lhes conferem o sentido da visão mais aprimorado.

Na maioria dos animais, a visão é um componente de importância fundamental para atividades básicas e até simples, tais como como ficar de pé e caminhar até atividades mais complexas e fundamentais à manutenção das espécies, como a atuação em seus respectivos nichos ecológicos. A análise das características e o processamento da informação visual ocorrem progressivamente à medida que os sinais visuais são transmitidos a determinadas regiões do sistema nervoso central localizadas no encéfalo.
Apesar dos cães não conseguirem interpretar toda a aquarela de cores como nós, eles enxergam muito melhor em condições de pouca luz por apresentarem mais bastonetes e ainda uma estrutura chamada de Tapetum Lucidum (uma membrana que fica no fundo dos olhos, atrás da retina, que, por sua vez, é a fina camada de tecido que recebe a luz, converte-a em um sinal elétrico e o envia para que o cérebro interprete a imagem) que é uma superfície reflexiva atrás da retina e que reflete a luz atrás dela (responsável pelo brilho que os olhos dos cães apresentam à noite), além de apresentarem na visão periférica muito mais ampla devido o posicionamento lateralizado de seus globos oculares.
Os cães definitivamente veem o mundo de forma diferente das pessoas, mas é um mito que os cães enxergam apenas em preto e branco.
Na verdade, os cães enxergam colorido sim, mas a interpretação de cores para eles é diferente de nós humanos, devido a presença de apenas dois tipos de cones nos olhos dos cães e com capacidades de absorção luminosa diferentes.
O que nós vemos como vermelho ou laranja, para um cão pode ser apenas mais uma tonalidade de bronze. Uma bola laranja brilhante sobre a grama verde pode parecer uma bola bronzeada em outra tonalidade de grama bronzeada. Mas uma bola azul brilhante parecerá semelhante a ambos.
Enquanto a maioria das pessoas veem um espectro completo de cores do vermelho ao violeta, aos cães faltam alguns dos receptores de luz em seus olhos que permitem aos seres humanos ver certas cores, particularmente na faixa do vermelho e do verde. Mas os cães ainda podem ver o amarelo e o azul. Diferentes comprimentos de onda de luz são registrados como cores diferentes no sistema visual de um animal.
Os cães não só podem ver menos cores que os seres humanos, como provavelmente também não vêem tão claramente. Inúmeros testes científicos realizados no decorrer dos anos mostram que tanto a estrutura quanto a função do olho do cão os leva a ver as coisas à distância como mais desfocadas.

Também é sabido que existe muita diferença na habilidade visual entre as mais diversas raças. Ao longo dos anos, criadores selecionaram cães de caça (tais como os Galgos) para ter melhor amplitude de visão do que outros cães (tais como os Bulldogs).
A acuidade visual também varia consoante a morfologia do crânio: em particular, os cães de focinho comprido têm melhor visão periférica (até 270º) do que os focinho curto (que ronda os 180º, semelhante à dos seres humanos). Isto deve-se ao formato diferente da sua fóvea, a zona da retina onde os raios de luz se focam, que é alongada nos canídeos, proporcionando-lhes um maior campo de visão.

Enquanto as pessoas têm dificuldade de ver claramente em luz fraca, os cães podem ver tão bem ao anoitecer, ao amanhecer e no decorrer do dia. Isto se deve ao fato de que, em comparação com as retinas dos humanos, as retinas caninas têm uma porcentagem e um tipo de outro tipo de receptor visual mais elevado. Chamadas de células de vara devido à sua forma, elas funcionam melhor em condições de pouca luz do que as células cônicas.
Os cães também têm uma camada de tecido refletivo na parte posterior dos olhos que os ajuda a ver com menos luz. Esse tecido espelhado (Tapetum Lucidum) recolhe e concentra a luz disponível para ajudá-los a ver quando está escuro, dando aos cães e outros mamíferos o reflexo brilhante dos olhos quando focados em faróis durante a noite ou quando se tenta tirar uma foto com flash.
Os cães compartilham seu tipo de visão com muitos outros animais que são exímios caçadores, tais como gatos e raposas. Sob tal contexto é muito importante que possam detectar o movimento de suas presas noturnas, sendo então por isso que sua visão evoluiu desta forma. Como muitos mamíferos, desenvolveram a capacidade de forragem (busca e a exploração de recursos alimentares) e caça no crepúsculo ou em condições escuras.
A estrutura do olho dos cães é diferente da dos humanos, pois foi adaptada para o comportamento de caça, uma vez que procuravam os alimentos à noite, eles desenvolveram muito bem a visão noturna, para enxergar no escuro e captar os movimentos de suas presas. Assim sendo, foram perdendo paulatinamente a capacidade de ver a variedade de cores que a maioria das aves, répteis e primatas possuem.
Assim como diversos animais, os seres humanos também não evoluíram para serem ativos a noite toda em decorrência da não necessidade da caça para sua subsistência alimentar, por isso mantiveram a visão colorida e melhor acuidade visual.


A família dos canídeos é majoritariamente composta por animais caçadores, razão pela qual a sua visão tem de cumprir uma missão muito específica, ou seja, identificar facilmente as presas, que se encontram frequentemente em movimento ou no meio da paisagem e em condições de luz muito variáveis. Por conseguinte, os seus olhos especializaram-se em distinguir objetos em movimento, sem prestar tanta atenção à sua cor ou nitidez. Isto deve-se à sua maior densidade de bastões, outro tipo de células fotorreceptoras, responsáveis por captar a luminosidade.
Assim sendo, os cães têm dificuldades em focar corretamente a distâncias médias e longas, o que significa que padecem de uma “certa miopia”, no entanto, compensam essa deficiência com uma excelente capacidade para distinguir objetos ou seres em movimento, podendo por isso, detectar com maior facilidade alterações na posição de uma criatura ou objeto quando em movimento.

É por isso que os cães preferem objetos em movimento e parecem distinguir-nos com maior facilidade quando nos deslocamos, embora também o façam quando estamos parados, como que tentando identificar se somos mesmo nós. Embora os cães tenham se habituado por domesticação a viver com os seres humanos há milênios, a herança dos seus antepassados continua a determinar a forma como vêem o mundo.
Exatamente por isso que gostam tanto de perseguir brinquedos em movimento, tais como bolas, paus, frisbees ou qualquer outro objeto.
Séculos de criação seletiva tiveram efeitos adversos em algumas raças. Se por um lado, a seleção para obter cães com focinho achatado para o mercado de animais de estimação encurtou a amplitude da sua fóvea proporcionalmente à diminuição do focinho, por outro lado, a criação de cães de caça, com melhor visão, fez com que as raças de focinho comprido, mais próximas dos seus parentes selvagens no que diz respeito ao formato do crânio, mantivessem a sua capacidade visual intacta.
Em contrapartida, os cães com o focinho achatado ganharam uma capacidade que influenciou seguramente a sua popularidade enquanto mascotes, ou seja, uma melhor capacidade para estabelecer contacto visual e focar aquilo que têm à sua frente.
É por isso que estes cães costumam olhar diretamente para os seres humanos, enquanto os de focinho mais comprido têm uma tendência, mais ou menos acentuada, de olhar de soslaio (sem encarar, sem voltar o rosto na direção da pessoa ou coisa para a qual se olha) ou inclinando a cabeça.

Em síntese, os animais com o focinho chato, conhecidos como braquicefálicos (tais como Buldogues e Pugs), possuem os olhos voltados mais para frente, com uma amplitude menor de visão.
Já os que têm o focinho comprido (tais como os Galgos e Border Collies), costumam apresentar os olhos mais lateralizados, o que colabora substancialmente para uma visão melhor e mais ampla.

