Grande parte de tutores de cães e até mesmo adestradores adotam habitualmente como artificio para “recompensar cada avanço” em determinado ensinamento ou atividade com um cão, a oferta de algum atrativo alimentar, ou seja, um petisco.
De antemão, cabe registrar que se trata de um assunto bastante complexo e, onde geralmente há mais controvérsias que consenso.
A palavra petisco significa comida muito apetitosa geralmente servida em pequenas porções, tira-gosto, iguaria que se serve antes de uma refeição, comidinha rápida, enfim, coisas desse tipo e que na verdade estão associadas a algum tipo de comida bastante atrativa e em pequenas porções, ou seja, um aperitivo ou uma guloseima.
A essa estratégia de oferecer algum tipo de petisco objetivando obter algum sucesso comportamental desejável do cão em determinada fase de sua educação, treinamento e/ou adestramento, denomina-se reforço.

O reforço é algo que aumenta a probabilidade de um determinado comportamento ocorrer novamente no futuro. Saber a diferença entre o reforço desejado e o realmente atribuído é de grande importância, pois o reforço define-se pelo efeito que gerou. Além disso, nossas atitudes conscientes ou não sempre vão reforçar algum comportamento do cão. Assim, é necessário que o reforço seja bem estudado e adequado a uma determinada situação.
Os reforços podem ser de caráter positivo ou negativo. O processo em que um estimulo aumenta a probabilidade de um comportamento se repetir é conhecido como reforço positivo. Quando o cão realiza algo que lhe foi ordenado recebe uma recompensa. As recompensas como alimentos (que estão relacionados com o instinto de sobrevivência do animal), são consideradas reforços positivos primários, enquanto que outros tipos de recompensas, como elogios, são reforços positivos secundários.

Os reforços podem ser divididos em: consumíveis, atividades (passear), posse e reforço social (dar atenção ao animal). A utilização dos reforços deve se restringir exclusivamente a determinada parte de sua educação, treinamento e/ou adestramento, para que o cão permaneça motivado em receber determinada recompensa. O reforço negativo não é necessariamente algo ruim, é descrito como negativo, pois o estimulo é retirado, sendo este aversivo para o cão, isto aumenta a vontade do animal repetir uma ação. O cão na tentativa de livrar-se da situação desagradável irá modificar seu comportamento.
Um exemplo, ao ensinar o comando “sentar” a um cão utilizando a guia com enforque (guia unificada) ou um colar de elos, no momento que o cão se sentar, imediatamente a guia irá afrouxar, subtraindo o reforço negativo (pressão no pescoço). Neste caso, o animal não terá outra alternativa de comportamento para escolher, pois a guia (ou colar de elos) continuará pressionando seu pescoço.
O reforço pode ser aplicado de três formas diferentes: contínuo, intermitente e extinção.
Quando o cão está aprendendo um comportamento que deve ou não apresentar usa-se o reforço contínuo, sendo aplicado sempre que o comportamento aparece. O reforço contínuo proporciona a aprendizagem rápida de novos comportamentos, mas ao cessar o reforço os comportamentos extinguem-se com facilidade.
O reforço intermitente não é utilizado sempre que o animal exibe um comportamento, a recompensa só é entregue depois de um dado período de tempo. O período pode ser fixo, por exemplo a cada 3 vezes que o cão executa o comando: variado (utilizado aleatoriamente) ou diferenciado (determinado pela qualidade da execução). Apesar da quantidade de reforços ser menor, o reforço intermitente apresenta uma alteração comportamental mais duradoura.
A terceira forma de reforço é a extinção, que se baseia na diminuição do comportamento, isto é, o comportamento que antes era reforçado deixa de ser recompensado, logo o comportamento diminui. Esse tipo de reforço é utilizado quando o cão aprendeu comportamentos de forma não intencional. Seria uma forma de punição negativa, quando algo bom para de acontecer. O ambiente ao redor do cão deve ser controlado para utilização da extinção, pois gera melhores resultados. Esse tipo de reforço pode ser utilizado em conjunto com o reforço positivo, em outros comportamentos.
A modificação do comportamento através do reforço deve ocorrer de forma organizada e estudada. Alguns estudos demonstram que que se um cão recebe habitualmente muitos petiscos como recompensas, tende a ser mais tímido, nervoso e menos competitivo, apesar de menos agressivo.
O reforço positivo associado à oferta de um carinho ou um elogio com energia, deve sempre ser oferecido assim que o cão obedecer a determinado comando, para recompensar cada progresso obtido no aprendizado.
A oferta de petiscos na fase preliminar de educação (quando ainda filhotes), PODE FAZER COM QUE O CÃO ASSOCIE QUE HAJA APENAS ALGUM “TIPO DE BARGANHA” E NÃO SINERGIA ENTRE ELE E O DONO, DEVENDO SER EVITADO.
Assim sendo, quando o animal passar a obedecer a um comando de forma consistente, OFEREÇA CARINHOS COM FREQUÊNCIA E COM BASTANTE ENERGIA POSITIVA. No entanto, se você não recompensar o cachorro imediatamente após o que ele fizer de positivo em relação ao que se almeja dele, ele não será capaz de entender o que você espera dele.
As ordens devem ser sempre breves e compostas de apenas uma ou duas palavras curtas. Use um tom de voz agradável e o elogie sempre que ele progredir, sem jamais gritar ou usar castigos físicos.
Não há nada que filhotes desejem mais do que agradar os donos, assim sendo, lembre-se então, que deve demonstrar satisfação sempre que ele o obedecer.
Essa é uma dúvida que faz parte do entendimento do que é matilha, principalmente para os tutores que deles se comprometem a cuidar. Em primeiro lugar, se o animal não está mais no habitat natural e vivendo de maneira selvagem, pode parecer que não seja exatamente correto afirmar que uma determinada família passe a funcionar como uma matilha.
No entanto, levando em consideração que a domesticação é atualmente a melhor opção de sobrevivência para os cães, nesse contexto os tutores fazem parte da construção desse coletivo e, portanto, na ótica do cão, de sua matilha.
Nesse caso, é importante tomar cuidado para que o cãozinho não acredite que ele é ou será o líder dessa matilha. Portanto, para quem acredita que esse tipo de incentivo seria bom para o seu filhote, ESTÁ ENGANADO.

Portanto, se você pensa que o uso desenfreado de petiscos alimentares para promover a educação, o adestramento e/ou o treinamento de um cão é a estratégia mais correta e eficaz, está muito enganado.
Como estratégia de reforço em determinadas situações, até pode surtir resultados, porém essa prática, em se tratando de um reforço positivo primário por estará associada ao instinto de sobrevivência do animal, em grande parte das vezes condiciona o animal a uma determinada barganha com o tutou ou instrutor e não necessariamente a uma condição de empatia e bem querência com o mesmo.
A CONDIÇÃO IDEAL SEMPRE, SE RESUME À CONQUISTA MÚTUA DE CONFIANÇA, RESPEITO, CUMPLICIDADE, AMOR E RESPEITO.
FICA A DICA.

