Audição canina – Uma antena parabólica

Audição canina – Uma antena parabólica

A anatomia do ouvido dos cães apresenta características diferentes da dos humanos. O canal auditivo externo não conduz diretamente o som até à membrana timpânica, na realidade ele faz uma curva. Além disso, os cães possuem cerca de 18 músculos para mexer todo o ouvido externo.

O formato das orelhas também contribui bastante, pois eles conseguem rotacioná-las diretamente para a direção dos ruídos, como uma antena parabólica, ajudando a captar melhor e de forma mais eficiente os sons em todo o seu entorno.

Todos esses atributos ajudam bastante na captação dos mais variados sons, tornando assim a audição dos cães extremamente desenvolvida. Há estudos que dizem que eles são capazes, por exemplo, de localizar com precisão a direção da origem de determinado som em apenas 6 centésimos de segundo e,  ainda conseguem ouvir o mesmo som a uma distância quatro vezes maior do que um ser humano seria capaz de ouvir.

 

A orelha do cão compõe-se basicamente de três porções: a orelha externa, média e a interna. Juntos, esses componentes são responsáveis pela identificação e localização da direção do som e percepção constante da posição da cabeça em relação à gravidade, permitindo detectar sua aceleração e rotação durante o movimento.

A orelha não só permite que o animal ouça, mas também lhe confere o sentido de equilíbrio, visto que essa função é efetuada, principalmente, por estruturas localizadas na orelha média.

 

 

Existe uma ampla variação racial do tamanho e forma dos componentes da orelha externa canina,  resultantes da reprodução seletiva e ampla variedade de raças na espécie canina.

 

Dentro das raças dolicocefálicas (as que possuem cabeça estreita e longa), mesaticefálicas (possuí crânio intermediário, com formato equilibrado em relação ao crânio e plano nasal) e braquicefálicas (são aqueles conhecidos por apresentarem uma cabeça de formato “achatado” e o focinho de tamanho “encurtado”), existe essa variação na forma e na posição da orelha, no diâmetro do conduto auditivo externo, na quantidade de pelos e de tecido mole no interior do conduto auditivo.

 

A orelha externa é composta de uma porção vertical e outra horizontal unida em forma de “L” para formar um tubo cartilaginoso cônico que conduz as ondas sonoras até o tímpano.

O conduto auditivo externo inicia sua porção horizontal proximamente junto ao osso temporal e termina distalmente sua porção vertical nos componentes cartilaginosos da base do pavilhão auricular.

A orelha externa é composta por cartilagens que fornecem a sustentação e juntamente arquitetam o pavilhão auditivo, formando um tubo cartilaginoso cônico que conduz ondas sonoras até o tímpano. A orelha média é formada pela cavidade ou bula timpânica, delimitada em sua porção ventral pela cúpula óssea da bula timpânica (porção cavitária do osso temporal) e em sua porção dorsal por uma pequena câmara óssea tubular, o processo epitil timpânico.

 

 

A tuba auditiva insere-se na região rostral da bula e estende-se até a nasofaringe. A orelha média e a tuba auditiva constituem uma unidade fisiológica funcional, com capacidade de proteção, drenagem e ventilação, constituindo-se pelo tímpano, pelos ossículos, tuba auditiva e cavidades timpânicas.

A orelha interna, é a responsável por receber os sinais auditivos, manter o equilíbrio e a posição dos olhos, tronco e membros. Está localizada no labirinto da porção petrosa do osso temporal e é composta pela cóclea, vestíbulo e canais semicirculares.

 

Enquanto que os nossos ouvidos (e toda a sua formação interna) conseguem ouvir até 20 mil hertz, os ouvidos caninos conseguem ouvir até 40 mil hertz, ou seja, é o dobro do que os seres humanos conseguem alcançar.

Além disso, os sons mais graves também são captados com mais propriedade, pois enquanto os cães captam a partir de 10 a 15 hertz, os humanos, captam a partir de 16 a 20 hertz.

Essa alta capacidade de ouvir diferentes ruídos, muito provavelmente é oriunda da necessidade de se adaptar ao ambiente de caça, para facilitar a localização de uma presa.

 

O ouvido humano tolera no normalmente até 80 dB sem gerar desconforto. Porém, a partir de 65 dB, o organismo está sujeito a um estresse gradativo.

Diferentemente dos olhos ou da boca, os ouvidos não possuem uma proteção natural que possa fechar para se proteger de estímulos indesejáveis.

Para os cães esse problema é agravado devido a sua audição mais sensível que a humana, e mesmo que possuam a capacidade de movimentar as orelhas, não é possível cobri-las a ponto de abafar o som.

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a mais de duas décadas a poluição sonora é considerada o terceiro maior problema ambiental nas grandes cidades, perdendo apenas para a poluição das águas e do ar.

Esse fenômeno é responsável por mortes devido ao estresse provocado pelo barulho, fator comumente negligenciado pelas pessoas que já se habituaram a conviver com o excesso de ruído do ambiente, porém potencial causador de uma série de problemas aos cães, principalmente quando em determinadas épocas em decorrência da emissão de ruídos agudos e de elevada intensidade provenientes de estampidos de fogos de artificio.

 

A maioria dos estímulos sonoros de elevada intensidade não são naturais, mas causados pelo homem que entende sua origem e o tolera mesmo quando acima dos níveis de desconforto, em especial os fogos de artifício.

Humanos e cães percebem o som de maneiras distintas, seja devido à fisiologia, através dos respectivos órgãos do sistema auditivo, ou na interpretação psicológica do fenômeno. A maior parte dos dados que se tem sobre acústica é voltada para o ser humano.

Isso se deve, principalmente, ao fato dessa área de estudo ser baseada em análises de resposta dos indivíduos a um estímulo durante experimentos com parâmetros controlados, e torna essa interação escassa de informações se tratando de outros animais.

 

Toda análise que vise o controle acústico deve envolver três aspectos essenciais:

  • uma fonte sonora, que pode ser das mais diversas naturezas;
  • a trajetória de transmissão, que pode ser através do ar ou de estruturas sólidas;
  • receptor (cão).

O método mais eficaz de controlar determinado ruído é sempre direto na fonte que o origina. Porém, dada a dificuldade desse processo, o controle de ruído, normalmente, recai sobre a trajetória de transmissão, portanto, o controle junto ao receptor é utilizado em último caso.

 

A titulo de curiosidade, o exército norte-americano anunciou em novembro de 2019 um novo “equipamento de combate” de alta tecnologia, destinado exclusivamente aos cães. Chamado de Proteção Auditiva Canina (ou CAPS), a proteção foi projetada para ajudar cães militares a não desenvolverem perda auditiva de curto prazo, que pode ocorrer ao trabalhar rotineiramente em torno de estampidos de projéteis e explosivos, máquinas e veículos barulhentos.

Esse “capacete especial” é feito de material bastante flexível de elevada absorção acústica que filtra ruídos altos e pode se esticar ou encolher, para acomodar praticamente qualquer tamanho e formato da cabeça, além de outros dispositivos complementares de proteção que eventualmente precisem ser utilizados (tais como óculos de proteção, câmeras, etc.).

Um voo curto de helicóptero, por exemplo, poderia afetar a audição de um cão, resultando em prejuízo ao seu prejudicado e incapacidade de ouvir comandos do seu condutor, o que poderia dificultar uma determinada missão. Essa nova tecnologia visa proteger os cães durante as missões e pode até mesmo prolongar sua vida.

 

A tampa do CAPS tem cerca de 2,5 cm de espessura e foi projetada para trabalhar com capacetes, óculos e outros acessórios de proteção projetados exclusivamente para cães militares. Foi desenvolvido por uma empresa de biodefesa e tecnologia médica dos Estados Unidos.

Antes de ser colocada em prática, a proteção foi testada extensivamente em ambientes militares e policiais. Os pesquisadores estavam particularmente focados em proteger a audição de cães enquanto viajavam em helicópteros militares, que podem produzir ruídos bem acima de 90 Db (decibéis).

 

Diversos outros modelos de equipamentos semelhantes e destinados à proteção auricular dos cães atuantes em atividades militares e, que fiquem expostos rotineiramente a ruídos de alta intensidade, também foram desenvolvidos por todo o mundo.

Também a título de curiosidade, dentre eles pode ser citado o Capacete Tático K9, desenhado especialmente para cães de intervenção por uma empresa holandesa. Aparentemente menos confortável e versátil que o modelo americano (CAPS), porém também muito funcional e prestativo às finalidades para as quais foi desenvolvido.

 

Portanto, por todo o exposto até aqui, há de se observar que os cães, de modo geral, apresentam muito mais sensibilidade a determinados ruídos que os seres humanos pois a amplitude de sua capacidade auditiva é bem maior.

Algumas maneiras simples e práticas podem ajudar em situações especificas, tais como a queima de fogos em determinadas épocas. Procure dessensibilizar o animal, gravando o som que ele demonstra ter medo. Depois, vá reproduzindo gradativamente e em épocas distintas, para que ele se acostume a escutá-lo, porém sempre respeitando o limite de estresse do animal.

Em síntese, simule ruídos que possam assustar o cãozinho (como por exemplo fogos de artifício), coloque este som no seu celular no volume mais baixo e de forma gradativa vá aumentando até ficar mais próximo do som real e o cão ir se acostumando paulatinamente.

Faça tudo isso devagar e com muita paciência, pois um susto qualquer pode retroceder todo esse treinamento.

Não aumente o carinho durante o momento que antecede os fogos (não mude seu comportamento habitual). A maioria das pessoas tende a mimar/acolher seus cães quando demonstram que estão com medo de fogos, fazendo mais carinho que o normal, (abraçar, falar com eles com voz doce e melancólica, etc.).

Esse procedimento ao invés de ajudar a acabar com o medo, na verdade não raras as vezes, o reforça ainda mais pois ele associa: MEDO = CARINHO.

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