
Quando o assunto é “nutrição animal” (não confundir com “alimentação animal”), deve-se ter em mente que muitas são as opções e variáveis envolvidas em todo esse processo (condições de iluminação solar, ventilação, gradiente térmico, condições de confinamento e exercitação dos animais, etc.) e, em função dessas variáveis, não raras as vezes, o que pode apresentar bom resultado para determinado criador, eventualmente até pode não trazer o mesmo resultado para outros.
Uma vez feitas todas essas considerações preliminares, passemos então a, apresentar algumas considerações sobre benefícios do uso do coco e dos seus derivados (água, polpa e óleo) na rotina cotidiana da nutrição dos cães. Sob tal aspecto, há de se fundamentar cientificamente quais os benefícios nutricionais automaticamente associados ao coco e seus derivados (óleo, polpa e água). Passemos então a descreve-los mais aprofundada. Trata-se de uma fonte muito rica em gorduras boas, vitaminas do complexo B (B1, B2 e B6), A, C e E cálcio, sódio, potássio, magnésio, ferro, selênio, iodo, enxofre, zinco, manganês e inúmeros outros minerais.
Como se nota, é um alimento muito saudável e completo no que se refere ao aspecto nutricional.
Como benefícios à saúde, citam-se: a prevenção de doenças cardiovasculares e diabetes, auxílio no emagrecimento, redução das taxas de colesterol, tem potente ação antifúngica e antibacteriana, atua no fortalecimento do sistema imunológico, previne inflamações nas articulações e reduz câimbras, regula funcionamento do intestino e sistema digestivo e regula funcionamento da tireoide.
Por ser muito rico em gorduras, muitas vezes ocorre confusão de que devido a tal fato, o seu consumo rotineiro possa trazer malefícios à saúde e promova a obesidade. Grande engano, pois a gordura saturada encontrada no coco é diferente da gordura saturada encontrada em diversos outros óleos (canola, soja, girassol, etc.), por vezes eventualmente utilizados em alguns tipos de rações industrializadas.

Enquanto esses outros óleos são ricos em gordura saturada de cadeia longa, a gordura do óleo de coco é de cadeia média. Esse tipo de gordura é rapidamente metabolizado pelo fígado e transformada em energia, não se acumulando no corpo em forma de gordura. Essas gorduras também podem ser convertidas em cetonas, as quais são importantes fontes de energia alternativa para o cérebro.
O coco (e seus derivados) é rico em algumas substâncias muitíssimo importantes sobre diversos aspectos, a saber:
Ácido láurico: O coco é muito rico em ácido láurico, o qual, uma vez convertido em monolaurina, após a digestão, passa a agir basicamente como um “exterminador de fungos, bactérias” e neutralizar a ação de alguns vírus, pois possui a capacidade de matar uma ampla gama de hospedeiros patogênicos prejudiciais ao corpo, tornando-se eficaz no auxílio ao tratamento de infecções, doenças virais, distúrbios digestivos e doenças crônicas. O ácido láurico é um ácido graxo de cadeia média que compõe cerca de 47% do óleo de coco. Quando ingerido, é convertido em monolaurina pela enzima lipase (que tem como função fragmentar as moléculas de gordura, para que possam ser absorvidas). A monolaurina é absorvida no intestino, indo para a corrente sanguínea e, a partir daí, age contra agentes infecciosos como fungos, bactérias e até mesmo alguns vírus, tornando-se um potente antibiótico natural. Em síntese alguns dos benefícios do ácido láurico e da monolaurina para imunidade são os seguintes, causam desintegração do envelope do vírus, podem inibir o estágio de maturação tardia no ciclo replicativo dos vírus, podem impedir a ligação de proteínas virais à membrana da célula hospedeira, fortalecem o sistema imunológico fazendo a medula óssea fabricar mais células de defesa, dentre outros. Uma vez havendo, por algum motivo, alguma queda na imunidade da ave, esses agentes tendem a multiplicarem-se e passam a agir de maneira descontrolada. Dois casos bem típicos de situações assim são a candidíase e a disbiose, sendo que, neste último, a multiplicação das bactérias nocivas se dá em decorrência da “destruição” das bactérias benéficas e que compõem a microbiota intestinal dos cães e conferem benefícios à saúde do hospedeiro.
Ácido capróico: Trata-se de um ácido graxo, de forma líquida, oleosa e incolor que produz o cheiro característico nos caprinos e outros animais de fazenda. É um ácido graxo encontrado naturalmente nas gorduras e óleos animais, e é uma das substâncias que dá o característico brilho do pelo. É habitualmente usado como aditivo nas indústrias de rações de frangos e suínos, por tratar-se de um potente controlador de bactérias entéricas.
Ácido cápríco e ácido caprílico: O ácido caprílico é o nome usual dado ao ácido graxo de cadeia normal aberta e homogênea, formada por oito carbonos, também é conhecido como ácido octanóico. É encontrado em sua forma natural no coco e no leite materno. Também é conhecido por suas propriedades antifúngicas e antibacterianas. Os ácidos cáprico e caprílico são lipídeos que também auxiliam bastante a combater o déficit energético do cérebro.
Fibras: A polpa do coco verde é rica em fibras, que são muito importantes para o perfeito funcionamento do sistema digestivo (principalmente do intestino), melhorando bastante a flora bacteriana que compõe a microbiota intestinal, auxiliando na redução da absorção do excesso de açúcares e gorduras.
Antioxidantes: Esses elementos são responsáveis por combater os radicais livres, que por sua vez são substâncias resultantes do próprio metabolismo. A questão preocupante é que, em grande quantidade os radicais livres oxidam as células, gerando o envelhecimento precoce e inúmeros outros problemas de saúde. Dessa maneira, os flavonoides presentes no coco são grandes aliados na manutenção de um organismo mais saudável e menos vulnerável a doenças diversas.
Triptofano: O coco também é muito rico em triptofano, aminoácido essencial responsável por produzir o hormônio do bem-estar, que auxilia a regular o sono e a diminuir o estresse. É utilizado pelo cérebro junto com a vitamina B3 (niacina), para produzir a serotonina, um neurotransmissor relacionado ao humor e bem-estar, estresse. Esse hormônio é popularmente conhecido como “hormônio da felicidade”.
Arginina (aminoácido L): A arginina facilita o crescimento muscular, o transporte do nitrogênio utilizado no metabolismo muscular e melhora o desempenho muscular e capacidade de exercício. Com base nesse efeito crucial sobre o reforço muscular, a arginina é considerada um dos aminoácidos mais importantes na nutrição esportiva. Trata-se de uma alternativa bastante interessante para uso rotineiro na alimentação de cães de competição que necessitem de treinamento intenso e sequenciado. Além disso, esse aminoácido também ajuda bastante na eliminação de toxinas do organismo, pois auxilia na ação do fígado. Ajuda bastante no tratamento da disfunção sexual, porque melhora a circulação de sangue pelo organismo, melhora a imunidade, pois estimula a produção de células de defesa, fortalece e hidrata os pelos, pois aumenta a formação de queratina.
Como se nota, a adoção do coco e seus derivados na alimentação cotidiana de nossos cães é uma opção muito saudável e importante, principalmente para aqueles destinados a algum tipo de competição e que, em decorrência disso requeiram por determinado intervalo de tempo, algum tipo de treinamento especifico mais desgastante. Os benefícios naturais dessa sugestão são inúmeros e os resultados são todos cientificamente comprovados.
Há de se frisar aqui, no entanto, que este artigo técnico visa apresentar cientificamente uma opção de “suplemento alimentar natural e saudável” aos cães e não a substituição de qualquer prática de manejo alimentar já consagrada e adotada por qualquer criador ou tutor.

