
Comumente nos deparamos com grande parte das pessoas que buscam adquirir um filhote de Rottweiler, exigir por característica principal que sejam “Padrão Cabeça de Touro”.
Essa designação parece já estar enraizada no cotidiano popular de tal maneira a fazer parecer crer que se trata de um “tipo especial de Rottweiler” e, por consequência, de maior valor ou de padrão superior.
Mas será que essa designação realmente existe tecnicamente?
Primeiramente há de se observar que a raça de cães Rottweiler foi desenvolvida pelos alemães e cabe exclusivamente a eles a incumbência de estabelecer parâmetros técnicos de padronização dos exemplares da mesma.
Ocorre que, qualquer padronização é sempre sazonal, ou seja, altera-se com o decorrer dos anos. Nesse sentido, parece razoável entender que, um determinado cão que seja o padrão exemplar em determinada época, pode perfeitamente não o ser em outra.
Assim sendo, obviamente que as designações de “Cabeças de Touro”, “Padrão Americano” e/ou, quaisquer outras, devem ser sempre interpretadas como meros linguajares populares e regionalizados visando estabelecer algum tipo de critério de marketing comparativo com um determinado padrão fenotípico e algo que se assemelhe a esse padrão fenotípico, mesmo não havendo nada tecnicamente mais aprofundado que justifique tais designações em relação ao padrão oficial estabelecido em determinada época pelas instituições alemãs de cinofilia, em particular a Allgemeiner Deutscher Rottweiler Klub (ADRK).
Em síntese, dizer que o genuíno Rottweiler alemão é o “Cabeça de Touro” é o mesmo que dizer que o genuíno Pastor Alemão é o “Capa Preta”, ou seja, uma série de designações sem sentido algum ou embasamento técnico.
Mas afinal de contas, como surgiu essa designação “Cabeça de Touro” para os Rottweilers?
Para entender melhor, nos aprofundemos um pouco mais sobre essa questão.

Se observarmos atentamente um Rottweiler em posição de alerta (guarda), notaremos por mero efeito comparativo que, de certa maneira, assemelha-se no que tange à cabeça, à imagem da silhueta da cabeça de um touro.

Como se nota pela simples análise comparativa das figuras acima, o que embasa e caracteriza tal designação popular é simplesmente uma pseudo equivalência geométrica trapezoidal entre as duas cabeças e nada mais.
Mas, há de se observar que, não é somente essa característica que estabelece o padrão de qualidade de um Rottweiler.
Trata-se apenas e tão somente de uma condição fenotípica localizada e que condiciona o subconsciente dos leigos a automaticamente estabelece-la como um critério técnico de padrão de excelência a ponto de torná-la mais importante que inúmeras outras características da raça, tornando as demais, até certo ponto irrelevantes ou menos importantes.
Trata-se de um grande erro e que, condiciona a grande maioria das pessoas leigas a condicionar a aquisição de um exemplar dessa raça a uma única condição que, muitas vezes, nem é a melhor em relação ao conjunto das demais características igualmente importantes.
CUIDADO….
Em outras palavras, não existe tecnicamente um “Rottweiler Padrão Cabeça de Touro”.
Trata-se de uma grande bobagem sem qualquer fundamento técnico. Essa designação, visa apenas e tão somente, fixar no subconsciente dos mais leigos como estratégia de marketing, uma imagem comparativa e que inspire um símbolo de força, de potência ou algo nessa condição, fazendo com que essa “marca” se transforme na principal característica do “produto”, sobrepondo-se até mesmo a este.
Essa estratégia é amplamente empregada no mundo empresarial, podendo ser citados outros casos semelhantes, onde determinada marca se torna a referência principal e não o produto. Assim, podemos citar como referências os seguintes exemplos:
- Em geral não compramos palha de aço fina para limpeza, compramos “Bom Bril”;
- Em geral não compramos lâminas de barbear, compramos “Gillete”.
- Em geral não compramos macarrão instantâneo, compramos “Miojo”;
- Em geral não compramos cereais em flocos, compramos “Sucrilhos”;
- Em geral não compramos fitas adesivas, compramos “Durex”;
- Em geral não compramos curativos auto-colantes, compramos “Band Aid”;
- As famosas motos aquáticas são compradas como sendo apenas “Jet Skis”.
Como se pode notar pelos exemplos acima, muitas vezes nos deixamos influenciar por critérios de marketing que são fixados habilidosamente em nosso subconsciente e que, para nós passam a se tornar a partir de então, referência qualitativa e, muitas vezes até o são.
No entanto, não raras as vezes, somos levados nessa direção e aceitamos isso naturalmente sem questionamento, porém nem sempre fazemos a escolha certa partindo exclusivamente dessa condição.
A qualidade de qualquer coisa é sempre sazonal, ou seja, o critério que estabelece a qualidade de algo em determinado momento não necessariamente é o mesmo em outro momento.
Passemos a abordar a seguir outro dogma relacionado ao modismo, à sazonalidade e ao marketing formador de opinião, ou seja, o tal “Rottweiler Padrão Americano”.
Se formos procurar informações a respeito desse assunto, encontraremos diversas “explicações” em inúmeros sites tentando estabelecer critérios comparativos entre pseudo padronizações da raça Rottweiler, considerando diversos argumentos e também determinadas regiões.
Assim, sob tal contexto, teríamos por exemplo: Rottweilers Padrão Alemão, Rottweilers Padrão Leste Europeu, Rottweilers Padrão Americano, Rottweilers tipo 1, 2 ou 3, dentre inúmeros outros.
Conforme já citando anteriormente, cabe exclusivamente aos alemães, através de suas Instituições de Cinofilia, em particular a Allgemeiner Deutscher Rottweiler Klub (ADRK), o estabelecimento de parâmetros de referência quanto ao padrão da raça em determinado momento.

Assim sendo, embora até possam haver inúmeros fenótipos distintos de cães dessa raça em conformidade com determinado padrão de época e regionalidade, apenas e tão somente quem é o detentor da criação e desenvolvimento da raça pode estabelecer um critério a ser seguindo em determinado momento, ou seja, o povo alemão.
Por muito tempo, têm se sustentado muitas controvérsias sobre o Rottweiler nascido e criado fora da Alemanha, a tal ponto de proporcionar situações em que variedades como o americano e o alemão compitam pela posição de favoritos entre os aficionados desta raça.
Mas então, de onde surgiu tal denominação que se transformou em dogma à semelhança do que ocorre com os já comentados e devidamente explicados “Cabeças de Touro”?
A história mais aproximada da realidade sobre essa questão remonta o período compreendido entre meados da década de 70 e meados da década de 80, quando o “padrão alemão” da raça Rottweiler era tal que, os cães eram maiores quanto à estatura que os do padrão atual, corpo mais esguio e longilíneo, focinho mais alongado e cabeça menos robusta.
Nessa época, os cães eram importados da Alemanha, pelos Estados Unidos e então reproduzidos por lá, objetivando como meta de criação, dentre outras características, a robustez e o tamanho. Obviamente que, assim fazendo no decorrer dos anos, estabeleceu-se naturalmente um determinado tipo de fenótipo bem característico que, mostrava-se perfeito para a época e, conflitante com determinado padrão posteriormente alterado e estabelecido pelos alemães.
Posteriormente, esses cães importados da Alemanha pelos Estados Unidos foram adquiridos desse último país por alguns criadores brasileiros e aqui passaram então a se desenvolver, partindo então daí a designação popular e regionalizada apenas aqui no Brasil, de “Rottweilers Americanos”.
Há de se comentar, no entanto que, para os especialistas a diferença entre alemão e o chamado americano reside exclusivamente no local de nascimento e nos diferentes controles (ou falta deles) que são implementados no momento da criação em qualquer local.

Ainda falando sobre o tal “Padrão de Rottweiler Americano” que, tecnicamente nada mais é que um Rottweiler Padrão Alemão do final dos anos 70 e início dos anos 80, à semelhança do que ocorre com os tais “Cabeças de Touro”, repete-se aqui novamente a mesma explicação anterior, ou seja, não existe tecnicamente um “Rottweiler padrão americano”.
Essa designação, visa apenas e tão somente, fixar no subconsciente dos mais leigos como estratégia de marketing, uma imagem comparativa e que inspire um símbolo de força, de potência ou algo nessa condição, fazendo com que essa “marca” se transforme na principal característica do “produto”, sobrepondo-se até mesmo a este.

No entanto, há de se observar que, esse “padrão” de Rottweilers (“Americanos”) tem geralmente maior estrutura física e, por consequência tendem a possuir maior “força” física e potência mandibular no que tange à mordida, se comparados aos Rottweilers do padrão moderno, pois são relativamente maiores e mais pesados e, a profundidade do encaixe da mordida também é significativamente maior em decorrência da amplitude do focinho e também da mandíbula.

