Cães castrados marcam território???

Cães castrados marcam território???

A marcação do território é um comportamento comum a todos os cães, qualquer que seja seu sexo ou idade. É um meio de comunicação que varia muito em função do status social de determinado cão “na sua matilha”. O desenvolvimento de sistemas de comunicação é uma necessidade absoluta, mais particularmente para as espécies com comportamento de convívio social, assim como os cães.

Par tal finalidade, habitualmente são utilizados “depósitos” de urina e fezes para a demarcação de um determinado território. Trata-se de uma marcação “duplamente eficaz”, ou seja, ao mesmo tempo que é visual, também é olfativa.

A comunicação olfativa utiliza mensagens químicas chamadas feromônios, os quais transmitem informações entre os indivíduos de uma mesma espécie e, desencadeiam no indivíduo receptor uma resposta comportamental ou fisiológica.

 

Essas substâncias (feromônios) são liberadas pelas glândulas das bolsas anais, glândulas perianais, glândulas faciais, glândulas situadas nos espaços interdigitais das almofadas plantares, e pela glândula supra caudal. Estão presentes também na saliva, nas fezes e sobretudo na urina.

A liberação desses feromônios, e em particular os da urina e fezes, realiza-se em contextos sociais, tais como os comportamentos sexuais e territoriais, servindo assim para comunicação e a troca de informação.

Os feromônios associados à defesa do território são, em geral, de origem podal e urinária, e são liberados durante a fase de intimidação da agressão territorial. Assim por exemplo, o cão raspa e esgravata freneticamente o solo ao seu redor, com seus membros anteriores e posteriormente urina nessa mesma área, levantando um membro posterior.

 

Assim, por exemplo, quando um cão submisso fareja um “depósito” de urina liberado por um cão dominante, tende a emitir sinais de submissão e a urinar no chão, pois os feromônios propagam informações de ordem hierárquica.

Os cães (TANTO MACHOS QUANTO FÊMEAS) urinam em lugares estratégicos e que julgam ser de importância social (pés de mesa, de cama, porta de entrada, corredor, tapetes, etc.) e, sempre em lugares muito visíveis.

Algumas fêmeas, no entanto, apresentam comportamento dominante, geralmente característico dos machos.

 

Como se pode observar, a marcação territorial é um comportamento extremamente natural e instintivo de cada espécie, com algumas particularidades entre elas. Este tipo de comportamento também pode ocorrer por motivos psicológicos, como a insegurança do animal ou a necessidade de mais atenção por parte de seu dono e, também, durante o período de acasalamento.

Não se trata de um comportamento totalmente associado e vinculado a questões hormonais.

Em síntese, o simples fato de se subtraírem as gônadas de um cão, não elimina totalmente determinados comportamentos tais como agressividade, fugas e marcação territorial e, determinadas doenças, tais como alguns tipos de cânceres e piometra.

Não é tão simples assim como muitos propagam sem conhecimento mais aprofundado.

As gônadas são órgãos que produzem células sexuais sendo os ovários os representantes do sexo feminino e os testículos, do sexo masculino. Além da sua função reprodutiva, as gônadas são também glândulas do sistema endócrino, responsáveis pela produção de hormônios sexuais.

 

Embora a subtração das gônadas (castração) realmente tenda a diminuir a probabilidade desses comportamentos, (principalmente se for feita ainda juvenil, antes da maturidade sexual do cachorro), existem muitos machos castrados que continuam marcando territorialidade em certas situações, além de se tornarem mais agressivos que quando não eram castrados. Isso acontece porque as glândulas adrenais continuam a produzir testosterona, ainda que em pequena quantidade, porém ainda em quantidade suficiente para manter tais comportamentos.

Dessa forma, mesmo um animal castrado pode sentir necessidade de urinar com a chegada de uma pessoa ou animal desconhecido em seu território.

 

O que pode influenciar como agravante negativo nesses casos é quando a castração ocorre de forma tardia, com o animal já bastante adulto, pois nessa fase já se desenvolveu esse aspecto comportamental de urinar para marcar território ao longo da sua vida. Mesmo com a queda dos níveis hormonais, ele não vai simplesmente “perder” esse hábito já adquirido de uma hora para outra, pois já se tornou seu instinto natural.

 

Assim como os humanos, os cães possuem duas glândulas adrenais bilaterais (esquerda e direita), próximo a parte superior de cada rim. São glândulas endócrinas que secretam hormônios na corrente sanguínea, tais como a adrenalina e corticóides. Essas glândulas são essenciais para a manutenção do equilíbrio do corpo, pois desempenham um papel importante na manutenção da homeostase do organismo e propiciam a sobrevivência em situações de estresse, pois em caso de estresse por doenças ou outras causas, os níveis de corticóides aumentam drasticamente.

O córtex adrenal também produz uma pequena quantidade de hormônios esteróides sexuais masculinos (testosterona e hormônios similares). Elas são glândulas endócrinas que secretam hormônios na corrente sanguínea.

 

Essas glândulas são formadas por duas partes, a saber:

Medula: A parte interna secreta hormônios, como adrenalina (epinefrina), que ajudam a controlar a pressão arterial, a frequência cardíaca, a produção de suor e outras atividades que também são reguladas pelo sistema nervoso simpático.

Córtex: A parte externa secreta vários hormônios, como corticosteroides (hormônios semelhantes à cortisona, como cortisol) e os mineralocorticoides (sobretudo a aldosterona, que controla a pressão arterial e os níveis de sal (cloreto de sódio) e de potássio no organismo. O córtex adrenal também produz uma pequena quantidade de hormônios esteroides sexuais masculinos (testosterona, estrogênio e hormônios similares, tais como a desidroepiandrosterona). A desidroepiandrosterona (DHEH) é o esteróide precursor quase direto da testosterona e do estradiol.

 

Como se pode observar, o corpo controla os níveis de corticosteróides de acordo com sua necessidade, sendo que os níveis hormonais tendem a ser muito mais altos de manhã cedo do que no fim do dia. Quando o organismo está estressado devido a doença, por exemplo, ocorre um aumento drástico nos níveis de corticosteróides. Ao longo da vida, a produção de cortisol pelas adrenais aumenta e, inversamente, a desidroepiandrosterona (DHEH), a melatonina e o hormônio do crescimento (GH – Growth Hormone) declinam.

 

Em síntese e resumidamente, embora a castração através da retirada das gônadas realmente tenda a diminuir determinados comportamentos, tais como a agressividade, a predisposição a fugas e a marcação territorial, não se pode afirmar que essa prática elimine definitivamente esses comportamentos em todos os animais.

 

Nessa questão há muito mais que hormônios envolvidos, até mesmo porque inúmeros outros parâmetros são igualmente importantes e participativos. Instinto natural da espécie, características especificas e peculiares de cada indivíduo, hábitos cotidianos, manejo, alimentação, sociabilização, dentre inúmeros outros fatores.

 

 

Quanto à questão de se pensar que todos esses comportamentos estão associados apenas aos hormônios sexuais, há de se registrar que após a subtração das gônadas o organismo ainda continua a produzi-los (embora em menor quantidade) através das glândulas adrenais conforme demonstrado anteriormente.

Assim sendo, parece razoável e simples compreender à luz da ciência, que a castração por si só não resolve as questões comportamentais aqui explanadas, principalmente a marcação territorial que é o objeto principal do tema em questão aqui discutido. SIMPLES ASSIM!!!

 

 

Aos leitores que se interessaram em ler este artigo técnico até o final e até possam ter ficado surpresos, nosso sincero agradecimento. O tema realmente é complexo e até certo ponto polêmico e cheio de dogmas, mas fatos são fatos e a ciência os embasa facilmente.

A castração não é 100% eficaz para a resolução de questões comportamentais ou instintivas de cães, por vezes até podendo ocasionar determinados problemas de saúde, principalmente em raças de grande porte.

FICA A DICA!!!

Reprodução totalmente proibida
Direitos autorais do Canil Rottwunder®
ISBN  978-65-00-82051-5
Registro INPI 927.474.956

 

Compartilhe Este Post: