
Os calos nos cotovelos dos cães também são chamados de hiperqueratose ou em estágio mais avançado, escaras de decúbito. Essas lesões costumam aparecer em regiões com pouco pelo e que tenham contato intenso com superfícies rígidas. Em geral, os calos são até bastante comuns, porém devem ser tratados para que não evoluam para lesões mais graves. A hiperqueratose em cães é o aumento de espessura da pele, no caso, em geral na região do cotovelo, dando origem aos “calos de apoio”, mais comuns de ocorrer em cães sedentários, obesos, de porte grande e idosos. Essa região fica mais espessa, sem pelos e com a pele mais grossa.
Em geral, os calos surgem quando a pele está sob pressão ou sofre uma fricção de forma continuada e recorrente. Assim, os calos nos cães costumam surgir quando eles ficam muito tempo ou com muita frequência deitados em pisos rígidos, tais como concreto, pedra e/ou ladrilhos cerâmicos. Além disso, cães que não costumam fazer exercícios físicos regularmente, devido a problemas de saúde ou à idade, também têm mais tendência a desenvolver calos.
Por fim, cães que passam a maior parte do tempo confinados em locais limitados ou que vivam em canis também podem apresentar calosidades devido às condições em que são mantidos, neste caso independentemente da idade. Os cotovelos são regiões menos desprovidas de gordura e, quando o animal se apoia nesta região (ao deitar e sentar) apenas a pele amortece o atrito entre o chão e o osso. Com isso, a pele começa a ficar mais espessa (devido ao depósito de queratina) para compensar os efeitos desses impactos, gerando o aspecto de calo (hiperqueratose) nessa região.

Por serem regiões com pouca ou nenhuma sensibilidade, o cão em princípio não sente dores caso eventualmente ocorra algum machucado, que é comum nestas situações. Portanto é importante a inspeção rotineira nestas áreas para evitar que haja a evolução de algum machucado, levando a uma escara de decúbito. As escaras de decúbito são caracterizadas por um machucado séptico (com bactérias) que não foi tratada, evoluindo para feridas grandes, podendo gerar episódios de febre e até sepse (infecção espalhada para a corrente sanguínea) se não for tratado adequadamente.
De uma forma geral, qualquer cão, independentemente da sua raça ou idade, pode desenvolver calos, no entanto, alguns cães têm maior tendência a apresentar este problema que outros:
- Os cães mais velhos que, comparativamente aos mais jovens, passam mais tempo deitados, têm maior probabilidade de desenvolver calos.
- Os cães de raças grandes são, naturalmente, mais pesados do que os de raças pequenas e, por isso, apresentam calos com maior frequência.
Apesar de aparecerem geralmente nos cotovelos, os calos nos cães também podem surgir em diversos outros locais do corpo, tais como:
- Na zona do peito, mais concretamente, no externo;
- Nos tornozelos;
- Outras articulações.
Ou seja, as zonas do corpo suscetíveis a desenvolver calos são as que têm os ossos mais próximos à superfície da pele e que ficam expostas a mais pressão quando o cão se deita ou senta. Os calos nos cães têm as seguintes características:
- Pele grossa, áspera ao toque e geralmente rachada;
- Perda de pelo na zona do calo;
- Pele com tonalidade mais escura do que no resto do corpo;
- A pele demasiadamente seca pode “rachar” e apresentar pequenas hemorragias.
Na maior parte dos casos, os calos nos cães são bilaterais, ou seja, aparecem nos dois membros afetados. No entanto, alguns cães sofrem de calos unilaterais, por apoiarem-se preponderantemente em uma determinada posição. Visto que os calos têm um aspecto e localização bem específicos, os veterinários em geral reconhecem facilmente esse problema à primeira vista, apenas com um exame clinico simples.
No entanto, em alguns casos pode ser necessário fazer uma biopsia para descartar a possibilidade de algo mais sério (câncer, por exemplo). A biopsia é o exame por excelência para tal diagnóstico, e consiste na remoção de uma pequena amostra de pele com uma pinça.
Em seguida, a amostra é observada e analisada em laboratório para saber se existem ou não células patológicas na pele do cão.

Há também e, até relativamente comum de ocorrer, o higroma. Os higromas são muito semelhantes aos calos no que se refere ao aspecto e a região onde ocorrem (cotovelos), no entanto, um calo e um higroma são problemas bastante diferentes, visto que o higroma consiste numa bolsa cheia de líquido, enquanto um calo é a acumulação de pele. Ambos os problemas, no entanto, geralmente desenvolvem-se quando os cães passam muito tempo deitados e apoiados sobre as áreas afetadas.
Se os calos do cão ficarem inflamados e causarem dores, em geral serão necessários anti-inflamatórios e analgésicos, por outro lado, se o cão apresentar sintomas de infeção, ele terá de tomar antibióticos. No entanto, como regra geral, muito raramente os calos nos cães desenvolvem inflamações ou infeções e, por isso, não precisam de cuidados muito especiais.
Assim, caso o cão comece a apresentar sinais de calos, é aconselhável promover a correção do local onde o cão costuma descansar.
Pode-se evitar esses calos (hiperqueratose) oferecendo um lugar macio (flexível) para o animal descansar, tais como camas, colchões, gramado, caixa de areia ou serragem (maravalha), placas de grama sintética, carpetes espessos, palets de madeira macia ou material plástico, dentre inúmeras outras opções. Atenção especial também deve ser dada ao peso do cão, já que animais com sobrepeso sofrem maiores sobrecargas nas articulações. Manter a região de calo sempre hidratada, com produtos específicos para tal finalidade existentes no mercado, também ajuda a evitar que ocorram rachaduras e machucados nessas regiões. Além disso, o veterinário pode prescrever uma pomada ou creme para ser utilizada regularmente nessa região, de tal maneira a hidratar, amaciar e estimular a circulação sanguínea nesses locais.
Se os calos do seu cão não estiverem muito grandes nem inflamados, não há grandes razões para se preocupar, visto que os calos não costumam desaparecer, sendo importante observar regularmente a zona afetada para controlar a sua evolução. Não deixe também de aplicar regularmente alguma pomada ou creme, caso o seu veterinário os tenha prescrito, pois dessa forma, previne-se o surgimento de outros problemas.
Infelizmente, nem sempre é possível evitar o aparecimento de calos, mas com alguns cuidados simples pode-se prevenir esse problema ou pelo menos evitar mais complicações. Em síntese temos:
- A forma mais eficaz de evitar que o cão desenvolva calos é fornecer-lhe um local adequado para descanso;
- Se o seu cão tem tendência para desenvolver calos, pode colocar-lhe cotoveleiras enquanto ele estiver deitado;
- Aplique de vez em quando uma pomada protetora da pele para cães, no entanto, não aplique a pomada se a zona do calo estiver inflamada ou infeccionada;
- Certifique-se que o cão faz exercícios físicos regularmente e que ele não fica com excesso de peso.

