Cuidando da pele e dos pelos dos cães

Cuidando da pele e dos pelos dos cães

O maior órgão do corpo dos cães (assim como dos seres humanos), é a pele, no entanto, poucas pessoas sabem disso e, por conta dessa falta de conhecimento, não dão a atenção devida que o respectivo órgão precisa.

Existem várias funções que a pele executa em benefício do organismo, como por exemplo: a proteção contra bactérias, fungos, produtos químicos, traumatismos, radiação solar, dentre outros.

Além disso, o pelo também desempenha uma função protetora, principalmente da pele.

Pelo fato de tanto a pele quanto a pelagem dos cães ficarem sempre expostas ao ambiente externo, ficam naturalmente mais propensas a serem afetadas ou traumatizadas por vários fatores.

Sob tal linha de raciocínio, deve-se considerar plausível crer que a saúde dos cães deve começar primeiramente na pele e nos pelos.

Existem algumas raças de cães que são mais propensas a adquirirem problemas dermatológicos, principalmente os de pelo longo e/ou pele clara.

 

Algumas pessoas pensam erroneamente que o cuidado da pele e dos pelos dos cães deve ser feito apenas no momento que o animal toma banho.

Dentre os cuidados rotineiros que se deve ter, tais como a escolha da ração adequada, a ida frequente ao veterinário, o banho, a tosa, existem inúmeros outros fatores que devem ser observados frequentemente para que o cão sempre apresente uma ótima saúde da pele.

 

 

É importante ressaltar, que cães de pelo e pele clara, que são muito expostos ao sol, têm maior probabilidade de adquirirem dermatite actínia que, se não tratada, evolui rapidamente para câncer de pele (Exemplo: melanoma, mastocitoma, etc.).

Alguns veterinários recomendam inclusive, que sejam usados protetores solares na pele de cães predominantemente claros (tais como alguns cães Staffordshire Terriers, Dálmatas, Bull Terriers, Beagles, dentre outros), quando submetidos a exposições solares intensas e duradouras.

 

 

Somente a título de curiosidade, a dermatite actínica ou, também denominada ceratose actínia, é definida tecnicamente como uma dermatopatia que acomete cães, principalmente de pelagem curta e coloração clara.

Conforme já citado anteriormente, o principal fator etiológico é a exposição excessiva à luz solar, a qual provoca severas consequências imunológicas locais e sistêmicas.

 

 

No caso específico dos cães da raça Rottweiler, esse tipo específico de problema praticamente não existe, porém por ser uma raça cuja pele e pelagem é escura e preponderantemente negra, além de ser aderida ao corpo (não permitindo assim que sejam criadas as correntes de convecção, que possibilitam que o corpo expulse o calor de forma mais eficiente), há de se considerar que, com a exposição solar frequente e intensa e, em condições abafadas (sem brisas de vento), sentem-se muito mais cansados, apáticos, letárgicos e, por consequência, preguiçosos.

 

A razão física e científica para tal consiste no fato de que a cor branca reflete toda a luz que a atinge, enquanto que a cor negra ou preta, em contraste, absorve tudo e não reflete nada.

Inúmeros fatores podem contribuir para a qualidade, aparência e saúde da pele e do pelo dos cães. A seguir procurar-se-á abordar e discutir alguns desses fatores:

 

Lesões provocadas por produtos químicos: deve-se sempre evitar o uso inadvertido e indiscriminado de determinados produtos químicos de limpeza no chão onde o cão ficará exposto. A pele dos cães é sempre bastante sensível à exposição de diversos produtos químicos.

Ao lavar com algum produto químico o ambiente onde o cão ficará exposto, finalize sempre a limpeza jogando posteriormente água em abundância para remover qualquer resíduo do produto em excesso que esteja no piso.

Somente após isso feito, o cão pode então voltar ao local.

 

 

Prevenção contra ectoparasitas: A prevenção contra ectoparasitas (pulgas, piolhos, bernes e/ou carrapatos) é sempre imprescindível e muito importante para a manutenção da saúde e da integridade da pele e do pelo dos cães e, isso sempre deve ser feito regularmente e com critério, ao se escolher o produto a ser administrado no animal e também no ambiente onde ele vive.

Sob tal aspecto, há de se observar que existem atualmente disponíveis no mercado diversos tipos de produtos com princípios ativos igualmente diversos e muito eficazes. Há produtos que são aplicados em um único ponto do cão (Spot On), geralmente nas costas (especificamente no final do pescoço), outros devem ser aplicados ao longo do dorso (Pour On) e ainda há outros mastigáveis, que agem na corrente sanguínea, agindo nos parasitas quando estes sugam o sangue do animal.

 

Também existem coleiras (tipo Scalibor®, por exemplo) que são confeccionadas com determinado princípio ativo que, uma vez em contato com a pele ou pelo do animal, passa a repelir os parasitas que eventualmente entrarem em contato com ele.

Ocorre que, todos esses ectoparasiticidas são, em geral, eficazes por determinado intervalo de tempo (conforme especificação de cada produto e de cada fabricante), porém sempre é recomendável observar que, nem todos são de amplo espectro, ou seja, são eficazes contra determinado parasita em detrimento de outros.

 

Assim sendo, ao escolher determinado princípio ativo, certifique-se sobre qual tipo de parasitas ele se mostra eficaz e por quanto tempo e, mais que isso, de preferência, sempre busque alternar o uso de diversos princípios ativos, para que não se possibilite a formação com o decorrer do tempo, de cepas resistentes de determinado parasita a determinado produto, pelo uso continuado e rotineiro de um único princípio ativo.

DICA IMPORTANTE!!!

 

Embora seja IMPRESCINDÍVEL a adoção rotineira de algum tipo de proteção contra ectoparasitas, o elevado custo dos mesmos faz com que inúmeros tutores simplesmente não os utilize, e/ou, quando os utiliza, o faz de maneira esporádica e tão somente quando alguma eventual situação já se encontra fora do controle.

Em síntese, procura agir quando já existe algum efeito e não preventivamente tentando combater a causa. Esse procedimento inadvertido e por que não dizer desmazelado e imprudente, acaba por deixar o cão à mercê da sorte, o que na grande maioria das vezes, resulta em problemas em algum momento, algumas vezes graves.

Inúmeras são as consequências desse tipo de desleixo, porém pelo menos duas delas são mais rotineiras, a Erlichiose e a Babesiose (ambas causadas por carrapatos) e a D.A.P.P (causada por pulgas).

 

Além dessas três doenças citadas e descritas, há também outras “doenças” que eventualmente ocorrem, porém neste caso estão mais associadas a cães que ficam em propriedades rurais (chácaras, sítios, fazendas, etc.) onde haja nas proximidades animais de grande porte e característicos de zonas rurais e/ou, por falta de higiene adequada das instalações e/ou da pelagem dos cães. São elas a berne e a miíase (bicheira), ambas provocadas por moscas que visitam as instalações e os animais.

 

 

Alimentação de boa qualidade: uma das melhores maneiras de reduzir a queda de pelos em cães é fornecendo uma dieta saudável a ele. O pelo reflete, na maioria das vezes, a situação de saúde do animal.

Um cão saudável e com uma boa nutrição, tende a ter pelos mais macios e brilhosos e sedosos. Sobre tal aspecto, é bom saber e sempre frisar, que nem sempre um animal bem alimentado é necessariamente sinônimo de um animal corretamente nutrido, ou seja, quantidade e qualidade não são sinônimos quando o assunto é alimentação.

 

Há no mercado diversas marcas e tipos de rações, porém as de má qualidade são em geral de difícil digestibilidade e absorção pelo organismo, possuindo em geral muitos grãos (milho, arroz, soja) e pouca proteína animal de qualidade. Já, as rações de boa qualidade, são aquelas que possuem ingredientes de ótima disgestibilidade e proteína animal de elevada qualidade, sendo facilmente absorvidos os nutrientes pelo organismo do animal.

Somente a título de informação, define-se coeficiente de digestibilidade (CD) de um determinado alimento, à proporção de nutrientes consumidos que na realidade estão disponíveis para a absorção e utilização pelo organismo animal.

Em síntese, do total de alimento que é fornecido, é o quanto realmente é aproveitado pelo organismo do animal, ou seja, o restante não aproveitado é eliminado em forma de fezes. Sob tal enfoque, as rações ricas em nutrientes de elevada digestibilidade e absorção, serão sempre muito bem sintetizadas pelo organismo do animal, por consequência, controlando a perda de pelos e evitando o ressecamento na pele, além de promover e manter a sua boa saúde geral.

Lembre-se de que quanto melhor a nutrição, menor a perda de pelo, mas ela jamais será totalmente eliminada, pois trata-se de um processo fisiológico característico e regular da espécie (Canis lupus familiaris).

Determinados cães com alergia ou sensibilidade a certos ingredientes são mais suscetíveis aos ingredientes que causam a queda da pelagem. Pode ser necessário experimentar diversos tipos de rações antes de encontrar a mais adequada para o animal.

Além disso, jamais dê aleatoriamente e/ou indiscriminadamente suplementos vitamínicos adicionais, a menos que haja alguma recomendação do criador ou um veterinário. A hipervitaminose (ou envenenamento por vitaminas devido ao consumo em excesso), também pode resultar problemas de saúde para o cão. CUIDADO!!!

 

 

Uma dica muito simples e eficaz para a manutenção da pele e do pelo dos cães sempre brilhantes e sedosos, consiste na adição regular de azeite ou semente de linhaça à ração.

CUIDADO, aqui nos referimos ao uso de azeite ou óleo de linhaça para consumo alimentar e não para uso industrial, que em geral contém aditivos químicos sendo usado regularmente para pintura de madeiras.

A proporção a ser usada é de uma colher (≈ 5 ml) a cada 0,5 kg/ração. Tal óleo é rico em ácidos graxos e ômega-3, que auxiliam a combater inflamações diversas na pele e, a diminuir sua escamação (caspa) e ainda, a melhorar a textura e o brilho dos pelos.

Vez ou outra, fornecer maçãs fatiadas (sem sementes), cenoura, beterraba, abóbora, banana, melancia, pepino e carnes magras (sem ossos) são todos alimentos bem úmidos e alguns deles muito ricos em vitamina A e carotenoides, que ajudam o animal a manter-se hidratado, além de possuírem bons nutrientes, também ajudam a pelagem do cão a ficar sempre sedosa e brilhante e, a pele saudável.

 

Água fresca em abundância: Além de uma alimentação de má qualidade, outro motivo bastante relevante para promover a queda de pelos, principalmente dos cães da raça rottweiler, é a baixa hidratação alimentar.

Rottweilers precisam sempre ter à disposição e, em abundância, uma “enorme tigela” bem cheia de água limpa e potável, pois a desidratação pode deixar sua pele demasiadamente seca, por consequência aumentando a queda de pelos e até, eventualmente propiciando o acarretamento de algumas doenças, principalmente as renais.

 

Por isso, é importante sempre permitir que o cão tenha acesso livre a quanta água (limpa e fresca) ele desejar. Uma opção complementar, é fazer com que o cão ingira mais água de forma indireta, isto é, incorporando regularmente alguns alimentos frescos e ricos nesse componente, ou seja, que possuam água na constituição (água de coco, por exemplo).

 

Escovação regular: A muda ou troca de pelos é um fenômeno fisiológico que, em condições normais, ocorre geralmente duas vezes por ano. Está relacionada com o crescimento dos pelos e a posterior paralização do seu desenvolvimento.

Essas duas fases (cujos fatores determinantes não são conhecidos com exatidão), ao que parece, estão relacionadas com a duração dos dias que, especula-se desempenhar neste processo um papel essencial. A primeira muda normal de pelos começa com o grande aumento de horas de sol que geralmente se verifica no período da primavera (chamado período da muda da primavera), que acaba com a formação de uma pelagem curta e pouco densa, denominada pelagem de verão.

 

A segunda muda normal de pelos inicia-se geralmente quando os dias ficam mais curtos (corresponde à muda de outono), formando-se então a pelagem de inverno, mais espessa, comprida e grossa. A densidade dos pelos não é uniforme em todo o corpo do animal, sendo muito densa nas espáduas e tornando-se mais rala no esterno (parte anterior do tórax), barriga, face interna das coxas e em volta das orelhas.

Essa diferença é particularmente perceptível nas raças de pelo liso (Pincher, Dachshund, etc.). Quando acontecem anomalias no crescimento dos pelos, essas áreas de fraca densidade de pelos, são as primeiras a revelar sintomas de eventuais doenças dermatológicas, mesmo que posteriormente até atinjam demais áreas da pelagem.

 

A mudança normal de pelos varia de animal para animal, sendo que alguns cães mudam lentamente durante um longo período, enquanto que em outros, essa fase dura poucos dias.

No primeiro caso, tem-se a impressão que o cão perde pelos incessantemente, ao passo que no segundo caso, a muda faz com que o animal fique com aspecto visual bastante ruim e até preocupante, com os pelos caindo em grandes quantidades, porém que, evidentemente de forma passageira.

 

Há de se observar, no entanto, que as mudas em um mesmo cão não acontecem sempre da mesma maneira durante toda a sua existência e, as condições em que ele vive têm uma grande influência na evolução desse fenômeno fisiológico (alimentação, acomodações, higiene, cuidados, etc.).

Tecnicamente, a muda de pelos corresponde, na realidade, a um intenso crescimento de novos pelos que leva à queda da antiga pelagem. Nos cães, nem todos os pelos chegam simultaneamente ao mesmo estágio de desenvolvimento e, sob certas condições patológicas, o seu crescimento cessa e só ficam pelos telogênicos.

 

Tal condição, via de regra tem como principais causas a deficiência nutricional (anemia), estresse emocional e alterações hormonais. Em geral, nas raças de cães com pelo mais longo (Pastor Alemão, Golden Retriever, etc.), a muda normal de pelos prolonga-se por muito mais tempo e a pelagem pode demorar mais de um ano para se desenvolver e atingir o comprimento final.

 

A queda dos pelos em condições normais de saúde do animal, leva automaticamente a novo nascimento, razão pela qual, verifica-se a necessidade de uma escovação cotidiana que elimine os que estiverem mortos e ao mesmo tempo faça uma boa massagem por fricção na pele e assim favoreça o crescimento de novos pelos.

 

 

Esse procedimento feito regularmente, removerá os pelos soltos e em excesso, assim como redistribuirá os óleos na pele, por consequência, deixando-os sempre saudáveis, brilhantes e lisos. A escovação dos pelos deve ser feita, pelo menos duas vezes por semana e, esse procedimento ajudará muito durante as trocas normais da pelagem e, consequentemente manterá a pelagem e a pele sempre bem cuidadas, saudáveis e sem odores característicos e muitas vezes indesejáveis.

Resumindo, sempre dê atenção e assistência básica aos pelos e à pele do seu cão, pois assim fazendo se estará automaticamente prevenindo uma série de complicações futuras na sua saúde e ainda, como efeito colateral dessa prática, auxiliará bastante a manter o cão sempre calmo e sem estresse, tornando-se uma verdadeira terapia para o cão e, talvez até para alguns tutores.

No caso específico dos Rottweilers, a escovação deve ser feita no sentido da pelagem e, dependendo da espessura da mesma (mais densa e dura ou menos densa), podem ser usadas escovas de cerdas pequenas à médias e próximas entre si (pelagem menos densa) ou escovas de cerdas firmes e próximas entre si e/ou tipo rasqueadeira (pelagem mais densa e dura).

No caso do uso de pentes, adote sempre os de aço e alternadamente, ou seja, com dentes mais abertos e também com dentes mais juntos. Por sorte, os rottweilers têm uma pelagem curta que facilita em demasia o processo.

Caso eventualmente os pelos do cão continuem caindo mesmo utilizando todos os procedimentos aqui recomendados, procure auxilio veterinário, pois cães que perdem pelo em excesso sem causa aparente, podem estar eventualmente sofrendo de alguma condição que ainda não foi diagnosticada (Exemplo: desequilíbrios hormonais).

Outros sintomas podem indicar algum problema mais sério e não diagnosticável visualmente e sem auxílio de um profissional veterinário, como por exemplo:

– Ao notar que o cão lambe frequentemente as patas ou rosto, isso pode aumentar a perda de pelos e indicar algum problema mais grave, até mesmo psicológico.

– Cães que possuem “manchas” sem qualquer pelo, pele escamosa, lesões expostas ou pelos quebradiços devem ser analisados imediatamente por um especialista, já que tais indícios podem sinalizar graves problemas de saúde.

 

Banhos “regulares”: A palavra “regulares” aqui usada é controversa neste sentido, pois há muita polêmica quando o assunto é “banho regular de um cão”. Quando o cão toma banho, os pelos soltos geralmente se desprendem dentro (ou fora) do local onde isso está ocorrendo, porém, não é recomendado exagerar nos banhos, pois a pele do animal poderá ficar ressecada, fazendo com que os pelos caiam ainda mais.

Higiene é bom, mas não foge à regra e banhos em excesso podem fazer mal à saúde de cães e gatos. Tentemos nos aprofundar um pouco mais neste assunto para entendê-lo melhor.

 

Embora muitas pessoas tratem seus cães como se fossem seres humanos, é bom lembrar suas necessidades higiênicas são diferentes das nossas.

 

Pessoas que acreditam que cães podem tomar banhos diários devem ficar atentas, pois assim procedendo, estarão deixando-os expostos a uma série de alergias e outras doenças (como fungos, por exemplo), ou seja, ao se dar banhos “rotineiros e frequentes”, automaticamente se estará removendo a proteção oleosa natural da pele do animal e, por consequência deixando-a mais exposta à diversas alergias e doenças conforme já citado anteriormente.

Além disso, ao remover frequentemente a camada oleosa da pele, produz-se automática e naturalmente mais sebo e, por consequência, haverá aumento no odor cutâneo.

 

Em síntese, não adianta dar banho o tempo todo para remover o odor característico do animal, pois tal procedimento terá efeito contrário e aumentará o problema ainda mais.

No caso dos Rottweilers, recomenda-se periodicidade quanto aos banhos de 30 dias no inverno e 15 a 20 dias no verão, se necessário!

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