Educar, adestrar e/ou treinar – Entenda as diferenças!

Educar, adestrar e/ou treinar – Entenda as diferenças!

Muitas pessoas ao adquirirem um filhote de Rottweiler, perguntam quando se pode começar a “adestrá-lo”. Outros, de forma quase sempre ansiosa perguntam, quando esse filhote estará “pronto” e em condições de efetuar guarda pessoal e/ou patrimonial. A resposta sincera e sensata a tais questões, em princípio não é tão simples quanto parece.

 

Cães são animais instintivos e naturalmente inclinados ao convívio em grupos, mas essa combinação só funciona de forma efetiva quando existe um membro de referência no contexto que define as regras do grupo em situações e cenários diferentes, ou seja, que lhes educa desde pequenos.

Quando esse líder não existe, os cães naturalmente tomam essa posição e passam a definir as regras do seu jeito. Liderança é um fator essencial para qualquer estrutura social, é daí que vêm as regras, a orientação, a educação e a criação de hábitos.

 

Quando nós, humanos, trazemos cães ou animais de outra espécie para o nosso convívio, precisamos deixar claro como essa convivência deve acontecer, caso contrário, tenderemos a ficar reféns deles e dos seus instintos mais primitivos, o que tornará doravante tudo bem mais complicado. Antes de tudo, precisamos ter em mente que tudo que envolve o nosso contexto urbano não é natural para os cães, desde nossa estrutura doméstica até a forma como lidamos com situações em geral, por isso esse convívio precisa ser definido com clareza, usando o entendimento da espécie canina e os seus instintos naturais ao nosso favor.

 

Dentro de nossa casa, é importante que os cães aprendam, desde pequenos, algumas regras simples, como respeitar o espaço das pessoas quando elas comem, descansam ou estão ocupadas, controlar impulsos como correr para a porta quando a campainha toca, pular nas pessoas ou latir para estímulos diversos e saber esperar para se alimentar na hora e no local corretos.

Existem inúmeras nuances em que se pode identificar um comportamento mais impulsivo dos cães e todas são oportunidades para se trabalhar e moldar esse comportamento, sempre deixando claro o que é certo e o que é errado.

 

É aí que tudo começa, com a nossa presença intervindo nessas situações de forma clara para que os cães aprendam quais são as regras de convivência. A isso denomina-se educação básica, e o eventual e posterior adestramento e/ou treinamento não se resumirão apenas à prática de determinados comandos, mas ao uso de determinadas habilidades no cotidiano que criarão o cão com o comportamento ideal e desejável.

Sob tal contexto, jamais devemos exigir de um filhote de cão de qualquer raça, principalmente se for um Rottweiler que ele tenha comportamento de um cão adulto.

Deixe que ele possa viver sua infância e adolescência normalmente, permitindo que brinque e se desenvolva à vontade. São essas brincadeiras que irão prepará-lo para a vida adulta mais adiante.

 

No caso de um Rottweiler, tome cuidado para não estimular a agressividade em idade precoce, pois com o tempo ele irá demonstrar suas habilidades como cão de guarda, sem que se precise estimulá-lo a isso.

Não confunda agressividade com valentia, pois um cão muito agressivo esconde dentro de si um cão medroso, que se bem trabalhado pode se tornar um excelente cão de guarda quando ficar adulto.

 

Se fizermos uma analogia com nós mesmos, verificaremos que “a natureza não dá saltos”, ou seja, demoramos cerca de 20 anos ou até mais, para completarmos nossos ensinamentos escolares (ensino infantil, ensino fundamental, ensino médio e ensino superior) de tal maneira a estarmos preparados para um bom futuro profissional. A mesma linha de raciocínio pode ser feita por exemplo, para a formação de um faixa preta em determinada arte marcial. Não se consegue formar um médico, um advogado, um engenheiro ou outro profissional de nível superior, assim como um bom faixa preta em determinada arte marcial sem que para isso haja tempo, dedicação, investimentos financeiros e treinamento árduo e constante. Com os cães a situação não é diferente.

Ainda por simples analogia, estaríamos sendo totalmente incoerentes em procurar antecipar com nossos cães, “pseudo resultados satisfatórios” que apenas satisfaçam nossos anseios pessoais e que conflitem com a própria evolução natural e crescimento do cão.

E porque então “determinados profissionais que se dizem instrutores ou adestradores” simplesmente ignoram tal condição básica e natural e procuram condicionar os tutores a fazer com que os “resultados almejados” sejam rapidamente obtidos?

 

A resposta a essa pergunta tem várias premissas que podem ser consideradas, desde falta de bom senso, conhecimento e, até mesmo, algumas vezes, incompetência e/ou mal caratismo por parte do profissional que se predispõe ao adestramento, associadas ao desconhecimento, ansiedade, falta de tempo disponível para acompanhamento e predisposição de gastar pouco recurso financeiro por parte do tutor do animal.

Voltando à questão inicial, ou seja, a educação, cabe lembrarmo-nos de um ditado bastante ilustrativo do contexto deste artigo técnico, ou seja: “A educação deve vir de berço, cabendo aos pais e à família tal responsabilidade e, caberá posteriormente aos professores e à escola o ensino e a profissionalização.”

 

Assim sendo e por analogia, não adiantará absolutamente nada contratar um profissional para “adestrar” determinado cão se este não tiver o mínimo de educação básica e, a maior parcela de responsabilidade de um cão não ser educado é, em geral dos tutores e não de qualquer profissional, por mais competente que até possa ser, pois quem ficará a maior parte do tempo convivendo com o cão é o tutor e não o profissional contratado. Muitas vezes se faz necessário “educar primeiramente os tutores” para somente depois se tentar fazer algum trabalho com os cães. Jamais confunda educação com adestramento ou treinamento.

 

São coisas e situações totalmente distintas, mas cujo resultado satisfatório ou não estará sempre interligado. 

 

Esses fatores quando se fazem presentes de forma isolada ou associada, nunca trazem bons resultados. Quando muito, vez por outra se resumem à obtenção de algum resultado satisfatório correspondente à fase inicial do aprendizado, ou seja, o adestramento básico.

Quando um profissional qualquer que se predispõe a adestrar seu filhote e, lhe diz em determinado momento que “está na hora de virar a chave do animal”, simplesmente não mais utilize dos seus trabalhos dali por diante, e/ou sequer o contrate, pois certamente esse não é um bom profissional.

“Virar a chave” significa no jargão popular desse meio cinófilo, mudar a postura, o comportamento, as atitudes, mudar o tempo de agir e interagir, ou seja, tentar transformar um cão ainda juvenil, sem a estrutura corporal e psicológica totalmente formadas, em um cão adulto e pronto para o ataque, em intervalo de tempo incompatível com a possibilidade dessa condição.

 

Analogamente, seria tentar transformar um menino com idade entre 6 e 10 anos em um faixa preta de artes marciais ou em um profissional de nível superior.  Obviamente que, por mero bom senso, isso jamais daria certo ou seria correto.

A educação e o aprendizado devem ocorrer na juventude, porém a compreensão, só ocorrerá com a maturidade. Muitos pensam que todo cão de guarda e proteção deva ser obrigatoriamente “adestrado e/ou treinado” em determinado momento, como se essa fosse a única e exclusiva condição necessária para torná-lo obediente e focado em determinado objetivo.

Quem assim pensa está errado, pois a verdadeira proteção é obtida apenas com “instruções constantes por toda a vida”.

Sob tal enfoque, há de se considerar que a palavra “treinamento” é muito ampla e não se restringe apenas e tão somente à contratação de um profissional especializado, em geral para simples “adestramento”. Embora neste caso possam ser considerados sinônimos, há algumas diferenças sutis no que tange às raízes etimológicas dessas palavras, ou seja:

Adestrar (“ensinamento preliminar”): tornar hábil para realizar determinadas ações, tais como: sentar, levantar, deitar, ficar, soltar, rolar, buscar objetos, dar a pata, etc. Corresponde por analogia, à fase escolar humana do ensino básico.

Treinar (“profissionalizante”): exercitar, realizar de modo regular certas atividades mais específicas ou trabalhos, tais como: rastrear ou farejar (Ex: entorpecentes, explosivos, cadáveres), resgates, guarda e proteção, agility, guia de cegos. Por analogia, pode-se dizer que corresponde à fase escolar humana do ensino superior ou profissionalizante.

 

 

A exercitação regular, a manutenção de atividades e o convívio diário são imprescindíveis para a educação do seu cão, mesmo que sua decisão seja a de não o treinar futuramente, especificamente para ataque, guarda e proteção patrimonial ou outra atividade mais elaborada e/ou personalizada.

 

 

Rottweilers necessitam sempre de muitas horas de sociabilização (fundamental) para lapidação do senso de obediência, percepção de hierarquia e equilíbrio com outros animais e pessoas. Se faz necessário frisar, enfatizar e repetir que os Rottweiler já nascem com esse instinto de defesa e guarda territorial implantados dentro do seu genoma, ou seja, essa informação hereditária já está codificada em seu genoma, porém nem todos têm implantado nas mesmas condições algumas características comportamentais (obediência, destemor, equilíbrio, sociabilidade e estabilidade), uma vez que essas características também sofrem influências externas do meio e das condições como são criados e educados. Sob tal linha de raciocínio, não há de se pressupor erroneamente que um determinado Rottweiler não fará corretamente sua função de guarda e defesa territorial quando a situação assim dele o exigir. Essa conduta instintiva está codificada em sua genética e sempre agirá quando acionada. Mas, nem só de ataque, “rosnados e mordidas” se caracteriza um bom Rottweiler.

 

São cães multifuncionais e polivalentes e, por incrível que pareça, muito apegados à família, dando sua vida à sua proteção se assim se fizer necessário.

A sensibilidade é a base do sucesso de qualquer educador (adestrador e/ou treinador). A arte de educar (adestrar ou treinar) um cão ou até mesmo qualquer outro animal deve ter por princípios básicos e fundamentais a educação e o respeito mútuo.

Educar não é sinônimo de controlar. Trata-se de procurar estabelecer vínculos de amizade, confiança e comunicação entre as partes, entre o educador (adestrador ou treinador) e o educando (cão).

Se a intenção for promover disputas, o animal disputará instintivamente. Se a intenção é educar, certamente o animal aprenderá e, finalmente se a intenção for sobrepor-se por imposição de força e coação, fique certo que a qualquer instante o animal responderá na mesma intensidade e, nesse instante começarão os problemas. Deve-se sempre procurar corrigir, porém jamais agredir. O processo deve ser sempre sem dor ou humilhações de qualquer forma ou por qualquer motivo, objetivando que o cão sempre sinta prazer em estar junto com o educador e não obrigação ou imposição.

Lembre-se sempre que o cão deve ser tratado como aliado e nunca como um subordinado, como um parceiro e não um subalterno ou “escravo”.

Em síntese, qualquer animal criado em um ambiente negativo, que se sente ameaçado ou maltratado, poderá reagir bruscamente e de forma igualmente negativa para se defender. Por isso, é injusto rotular algumas raças como potencialmente perigosas, quando, na verdade, o perigo reside na má educação proporcionada aos cães desde sua fase juvenil, pelos próprios seres humanos.

O COMPORTAMENTO DE QUALQUER CÃO DEPENDE EXCLUSIVAMENTE DA EDUCAÇÃO QUE LHE É OFERECIDA PELO TUTOR.
Reprodução totalmente proibida
Direitos autorais do Canil Rottwunder®
ISBN  978-65-00-82051-5
Registro INPI 927.474.956

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