
Existe um dogma implantado no subconsciente da grande maioria das pessoas que resolvem adquirir um filhote de cão (independente da raça), de que é ele quem escolhe o dono e não o contrário.
Assim pensando, ao se depararem com a condição de escolha de determinado filhote em determinada ninhada, optam quase sempre por aquele que primeiro se predispuser a interagir e detrimento dos demais.
Quase sempre, o filhote que corre logo ao encontro do futuro proprietário e que, morde a barra da sua calça, puxa o cadarço dos sapatos e/ou, rosna e morde sua canelas e dedos das mãos aparentando ser o mais “esperto” e extrovertido, será o escolhido em detrimento dos demais.

Sob tal aspecto, em geral, filhotes que pouco interagem e que ficam em determinado canto aparentando estarem “isolados dos demais”, são quase sempre “negligenciados” quanto à preferência da escolha, partindo-se da premissa que “são covardes ou medrosos” e que, muito provavelmente não se prestarão à guarda e proteção quando crescerem, caso a raça a ser escolhida tenha essa característica preponderante (Ex: Rottweilers).

Obviamente que, alguns aspectos técnicos devem ser considerados quanto a essa lógica, ou seja, todos aqueles cães que, quando filhotes interagem em demasia, mostrando-se muito auto confiantes e, até mesmo irreverentes, inconsequentes e até destemidos, são aqueles que apresentam, naquele instante, o drive de caça mais evidenciado e que, certamente, se bem trabalhados dai por diante, estarão na vanguarda dos demais para atividades especificas de guarda e proteção.
Há de se observar, no entanto, que isso não significa que os demais filhotes que não apresentam tal característica naquela ocasião, não serão excelentes cães de guarda e proteção.

Assim como uma criança hiperativa requer mais atenção e cuidados por parte dos pais para que eventuais problemas não venham a acontecer, filhotes de cães que se mostram muito auto confiantes, hiperativos, destemidos e até mesmo inconsequentes enquanto juvenis, certamente irão requerer de seus futuros proprietários muito mais atenção, trabalho, paciência, perseverança e dedicação de tempo e recursos para educá-los, pois geralmente tendem a “testar” diariamente todos que estão ao seu redor, objetivando alcançar determinado status de liderança.
CUIDADO!!!

Em síntese e resumidamente, nesses casos em especifico e, em se tratando de cães da raça Rottweiler, se não houver por parte dos futuros proprietários participação cotidiana no seu desenvolvimento à medida que crescem e, o estabelecimento de limites disciplinares, certamente a tendência à problemas futuros será bastante possível que ocorra, pois esses são cães que geralmente são mais impulsivos, têm mais liberdade e tendem a controlar o ambiente ao seu redor e, do seu jeito.
FICA A DICA!!!

Há de se considerar que cães são animais extremamente inteligentes, observadores, instintivos e naturalmente inclinados ao convívio em grupos, mas essa combinação só funciona de forma efetiva e harmônica quando existe um membro de referência no contexto que define as regras do grupo em situações e cenários diferentes.
Quando esse líder “não existe ou é fraco”, os cães naturalmente tomam essa posição e passam a definir as regras do seu jeito. Liderança é um fator essencial para qualquer estrutura social, é daí que vêm as regras, a orientação, a educação e a criação de hábitos.

Quando nós, humanos, trazemos cães ou animais de outra espécie para o nosso convívio, precisamos deixar claro como essa convivência deve acontecer, caso contrário, ficamos reféns deles e dos seus instintos mais primitivos, o que torna tudo bem mais complicado.
Antes de tudo, precisamos ter em mente que tudo que envolve o nosso contexto urbano não é natural para os cães, desde nossa estrutura doméstica até a forma como lidamos com situações em geral, por isso esse convívio precisa ser definido com clareza, usando o entendimento da espécie canina e os seus instintos naturais ao nosso favor.

Se o futuro proprietário não souber mostrar que é ele próprio que deverá assumir o papel de “ALFA”, de chefe da “matilha”, o cão logo assumirá que o chefe é ELE mesmo e, sob tal contexto, para o cão isso é perfeitamente natural e ele não estará nem um pouco preocupado com isso, quer o proprietário goste ou não.
No momento que o cão assumir esta postura as coisas doravante terão que ser da maneira que ELE quiser e aí o proprietário começará a ter um sério problema nas mãos e não adianta ficar com raiva do cão, pois o único culpado terá sido o proprietário que não soube estabelecer no momento certo, os limites do cão e conquistar a liderança dessa relação. SIMPLES ASSIM!!!
Jamais adquira um Rottweiler ou qualquer outro cão de porte destinado a guarda e proteção familiar e/ou patrimonial, se você não tem ou não se predispõe a ter capacidade de liderança.
Já foi dito acima, mas sempre é bom repetir porque esta é, provavelmente, a principal causa de acidentes envolvendo Rottweilers (e também outras raças) e seus proprietários: “cães não acreditam em igualdade social”, pois é da sua natureza viverem em determinada hierarquia, sempre comandada por líder (ALFA) desse grupo que denomina-se matilha.
O cão ALFA é geralmente benevolente e não agressivo em relação aos seus subordinados, mas nunca existe dúvida na mente de qualquer um deles que ELE é o chefe e ELE faz as regras. ELE come primeiro, diz quando e para onde ir, onde ficar, escolhe as fêmeas, enfim, comanda tudo.
Se sua liderança for contestada (normalmente por um jovem macho) ELE a defenderá com unhas e dentes, literalmente em lutas realmente agressivas.
Qualquer que seja a raça de um cão, se você não assume a liderança, o cão o fará cedo ou tarde e com consequências às vezes desagradáveis para o dono que não obteve junto ao cão seu respeito quanto à liderança.

O líder da matilha (ALFA) faz suas próprias regras e sempre as impõe aos outros membros da residência através de postura física dominante e um duro olhar fixo, seguido por um rosnado, patada forte e/ou uma mordida.
Raças distintas são diferentes em relação à dominância social e indivíduos dentro de uma mesma raça também variam consideravelmente.
Rottweilers tendem a ter uma personalidade dominante, e você não pode se dar ao luxo de deixá-lo tornar-se o chefe da casa.
Não é necessário que você tenha a personalidade ou o temperamento tirano, mas você precisa ter a calma, a confiança e o equilíbrio de um bom mestre e/ou professor.
Lembre-se que, a personalidade do seu cão será semelhante àquela que aprender com você.
Lembre-se, liderança e treinamento estão interligados: liderança permite que você eduque seu cão e ser posteriormente adestrado e/ou treinado por você aumenta a percepção que você é o ALFA.

Resumidamente podemos afirmar que a adoção do critério de escolha de determinado filhote de cão fundamentada no critério do “FOI ELE QUEM ME ESCOLHEU”, geralmente traz dentro de si uma grande e perigosa armadilha para muita gente, principalmente para aqueles mais ansiosos e incautos.
Cães muito hiperativos e auto confiantes enquanto filhotes, conforme já citado anteriormente, geralmente têm naquele instante um drive de caça mais evidente e forte predisposição à liderança e, por consequência, o ímpeto mais aguçado para conquistarem o status de ALFA.
Se isso não for devida e rapidamente lapidado, transforma-se em um grande problema que, à medida que o cão cresce, piora bastante ao ponto de se transformar numa condição muito complicada de ser revertida e, uma relação de cão e tutor que deveria ser prazerosa, passa a ser um problema e um grande fardo para ambas as partes, EM PARTICULAR PARA O PROPRIETÁRIO.

