Enfadonhice canina

Enfadonhice canina

Sob o aspecto morfológico da palavra, enfadonho pode ser descrito como sinônimo de aborrecido, entediante, maçante, aborrecido, desagradável, molesto, chato, tedioso, monótono, fastidioso, enfastioso, enfadoso, amolante, enjoativo, enfim, coisas que remetem a situações repetitivas e sem propósito.

 

Muitas vezes, a rotina cotidiana dos tutores de cães é bastante dinâmica, desprendendo grande parte do tempo em trabalho profissional, locomoção, o que, acaba por consumir grande parte do vigor e da energia, o que, em tese, acaba proporcionando naturalmente uma condição de falta de tempo para dedicação ao companheiro canino.

Questões muito simples como leva-lo diariamente para passear, para fazer suas necessidades fisiológicas, para interagir com outros cães e pessoas diversas, para brincar e extravasar energia, ou até mesmo lhe dar a atenção que precisa para não se sentir sozinho, passam naturalmente a serem relevadas a uma situação de menor importância, o que é um grande erro.

 

Nesse caso, percebe-se facilmente que cão começa a ficar entediado, sendo muito comum que ele apresente diversos sintomas, tais como alguns comportamentos destrutivos, como, por exemplo, móveis mastigados, comer coisas diversas e sem sentido específico, destruir itens diversos e aleatórios tais como rolos de papel higiênico, móveis, portas, travesseiros, almofadas, vasos de plantas, dentre inúmeros outros.

 

Isso ocorre no intuito de chamar a atenção do tutor para si próprio e, ao mesmo tempo, extravasar energia contida e sem atividade. Algo no intuito de tentar demonstrar: “olha, estou aqui e quero que me dê atenção”.

 

 

Caso isso não surta efeito, a tendência é persistir e até mesmo piorar, até que, em determinado momento o cão passe a ficar quieto e triste e, nesse instante fica evidente que esteja entediado.

Esse comportamento natural resume-se a uma forma de reproduzir aquilo que o cão faria instintivamente em um ambiente externo ou na natureza, ou seja, essa é uma maneira dele se divertir com os recursos mais fáceis que tem disponíveis no ambiente onde se encontra.

 

Existem diversas outras formas simples para conseguir descobrir se o cão está entediado, porém para isso, é necessário ficar atento ao seu comportamento. Alguns sintomas típicos são:

  • Dormir demais;
  • Ansiedade e/ou carência exageradas;
  • Semblante de apatia;
  • Comportamento instável (agressivo ou apreensivo);
  • Comer muito ou perder o apetite (mudanças de hábito alimentar);
  • Latidos frequentes ou choro compulsivo sem motivo especifico;
  • Reações exageradas a estímulos, tais como barulhos repentinos;
  • Perda súbita e drástica de peso;
  • Mover-se e andar devagar como se estivesse desanimado;
  • Queda anormal de pelos repentina;
  • Falta de interesse e isolamento social;
  • Comportamentos compulsivos, tais como lamber-se, correr em círculos e morder as patas.

 

Todos esses sintomas estão, de certa forma interligados e, associados à questão do tema aqui abordado, porém há de se considerar que uma mera situação de tédio resultante de uma enfadonhice, pode evoluir para situações mais complicadas, tais como estresse, ansiedade e, por fim até mesmo depressão. Antes de qualquer coisa, é preciso saber identificar qual é o quadro que o cão apresenta em determinado momento. Saber o que ele realmente tem é primeiro passo para buscar alternativas eficazes para solucionar o problema.

 

Apesar de o tédio, estresse e ansiedade estarem interligados, eles apresentam diferenças sutis entre si. Por esse motivo, deve-se ter cuidado e atenção para não confundir os sintomas.

No caso do tédio, esse sentimento costuma se manifestar quando o cão não tem nada para fazer. Portanto, esse quadro é comum em cães que passam muito tempo sozinhos ou que não saem para passear ou ficam sem atividades com muita frequência.

Quando o tédio acontece por tempo prolongado, pode evoluir para o estresse. Nessa fase do problema, o cão passa geralmente a apresentar um comportamento diferente e instável, ficando hiperativo ou passando muito tempo quieto.

 

Já a ansiedade está relacionada à sensação de angústia e medo irracional. Entretanto, nesse quadro, o cão pode se assustar facilmente com determinados barulhos, começando também a evitar pessoas e outros animais, além de adotar uma postura de quem está pronto para rosnar e até morder a qualquer instante.

Todas essas condições estão interligadas e associadas entre si e, evoluem se não evitadas ou tratadas adequadamente e em tempo hábil. Caso isso não seja feito, a tendência é que o quadro se agrave e passe a ocorrer uma depressão canina, o que se torna bem mais complexo de ser revertido.

 

Para fazer com que os cães entediados fiquem felizes, o importante é dar-lhes atenção cotidiana e estabelecer uma rotina de atividades para que possam extravasar sua energia, tais como levá-los para fazer suas atividades fisiológicas, fazer caminhadas, corridas, passear, brincar e interagir com pessoas e outros animais, enfim, integrá-los a uma vida social e nunca os isolar, pois cães são animais de grupo, matilha, equipe.

Faz parte da sua natureza biológica esse tipo de comportamento social e, sob tal aspecto, o isolamento lhes causará algum tipo de problema psicológico. Contudo, quando precisarem ficar sozinhos por determinado período, brinquedos diversos com o intuito de distrai-los são uma opção.

 

Antes de pensar em adquirir um cãozinho, pense bastante, pesquise quais são as características da raça que deseja adquirir, comportamento, condições de manejo e, enfim, se aprofunde um pouco.

Jamais adquira um cãozinho, mesmo que sua opção seja adquirir um SRD (sem raça definida), motivado pelo ímpeto ou pelo modismo momentâneo, pois assim fazendo, em geral problemas futuros certamente virão. Qualquer cão tem por característica da evolução de sua espécie, a convivência em grupos (matilhas) e, para tal, precisa de sociabilização com outros indivíduos, quer sejam de sua própria espécie ou humanos.

Cães criados de maneira isolada ou sem contato com outros indivíduos de sua espécie ou humanos, geralmente acabam por apresentar em determinado momento problemas comportamentais que, se não tratados em tempo e de forma adequada, evoluem para doenças psicológicas que, na maioria das vezes, não são reversíveis.

 

Avalie previamente se haverá de sua parte intenção e condição de torná-lo um companheiro, dedicando parte de sua rotina a ele e o tratando de forma responsável, pois um cão não é um mero objeto descartável.

Se estiver em dúvida ou até mesmo não tiver condições para isso, evite aborrecimentos futuros para ambos e, simplesmente não o adquira.

Fique certo que essa será a decisão mais responsável, coerente e acertada que fará. Simples assim.

FICA A DICA!!!

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