Fenótipo ou Genótipo ???

Fenótipo ou Genótipo ???

A grande maioria das pessoas quando quer adquirir um cão, em particular um Rottweiler, prepondera como critério de escolha, o aspecto visual, ou seja, as características físicas que os olhos enxergam.

Isso denomina-se fenótipo. Em síntese define-se:

 

  • Fenótipo é o conjunto de caracteres visíveis de um indivíduo ou de um organismo, em relação à sua constituição e às condições do meio ambiente. É um conjunto de caracteres visíveis que nos permite classificar um indivíduo.

Assim sendo, os “mais belos” em relação a determinado referencial tido como “padrão” e, os que se mostrarem mais “graciosos e interativos” com as pessoas, serão sempre os que se destacarão à venda e, por consequência, serão sempre os mais procurados e valorizados por se julgar que são os que apresentam melhor “qualidade”.

 

Mas o que significa “estar conforme determinado padrão” ou apresentar “qualidade”?

A resposta a essa pergunta é muito complexa e um tanto quanto abstrata, e não raras as vezes encontra-se associada a alguma pesquisa de Internet ou outro meio de comunicação e pesquisa do gênero.

O avanço cada vez mais frequente e constante de determinados recursos de informática, em particular dos mecanismos de informação tais como o Google e o WhatsApp, tem favorecido muito o intercâmbio e a velocidade de informações, porém há de se tomar muito cuidado em filtrá-las adequadamente antes de eventualmente serem postas em prática e, pior que isso, de maneira compulsiva.

No caso específico da aquisição de um filhote de Rottweiler, não se pode admitir que um recurso qualquer de informática possa substituir a prática saudável de visitação a um canil de confiança e até mesmo o encontro entre amigos, onde muitas informações são intercambiadas pessoalmente, olho no olho e com aquele fraternal calor humano.

O mais sensato e coerente seria que as pessoas preocupassem-se mais em buscar informações e, por consequência, tirar suas próprias conclusões, visitando criadores comprovadamente idôneos e experientes, intercambiando informações, ao invés de moldarem-se compulsivamente à sua busca através de sites de Internet, os quais, na melhor das hipóteses e, se bem intencionados, trarão informações iguais àquelas obtidas in loco, junto aos criadores, porém sem o visual dos mais singelos detalhes, sem o calor humano que o aprendizado ao vivo, pode lhes proporcionar.

A idealização de um cão Rottweiler apenas e tão somente através de fotos e/ou imagens de Internet (muitas vezes retocadas com artifícios gráficos), não raras as vezes leva à frustração, pois que, são tantas as variáveis envolvidas na fixação genética de todas as condições almejadas e que, de certa maneira são arbitradas para fixar a pseudo perfeição em relação a determinado “referencial padrão”, que se torna praticamente impossível que isso ocorra em um único cão, ou seja, jamais haverá a perfeição, pois o tal “padrão” não é preponderantemente arbitrado por leis naturais que associam-se à genotipagem e sim por mera fenotipagem.

Cientificamente temos que, um indivíduo de cão doméstico (Canis lupus familiaris) apresenta 39 pares de cromossomos, ou seja, haverá para cada um desses indivíduos a possibilidade de gerar 239 = 5,5×1011 descendentes com características distintas entre si, embora combinadas. Quando macho e fêmea se juntam e procriam, a junção biológica dessas características hereditárias nos remete à 239 x 239 = 278 = 3 x 1023 possíveis descendentes biologicamente dos mesmos pais, fenotipicamente diferentes ou até semelhantes, porém únicos. Nota-se à luz da ciência que, de um casal de cães há probabilidade de ocorrer alguns sextilhões de descendentes (isso mesmo, SEXTILHÕES) com características bem distintas e, de mesma origem genética, porém sem que se possa ao certo, estabelecer de maneira correta e ordenada, uma porcentagem entre eles, que represente fielmente determinadas características.

Pensar que, de um casal de cães sabidamente com características e padrão de “campeões” só serão gerados descendentes igualmente “campeões” ou com características semelhantes é, no mínimo, biologicamente provável, mas, imprevisível, incoerente e falacioso do ponto de vista cientifico.

Simples assim!!!

Há de se observar, no entanto, que ao se partir de bons exemplares para criação, haverá naturalmente e, por consequência lógica, maior probabilidade de sucesso e, em menor tempo, porém não haverá a garantia que isso ocorrerá sempre.

Cabe aqui então a frase: a natureza não tem quaisquer compromissos com os tais “padrões” estabelecidos pelos seres humanos. Faz suas próprias regras.

Em síntese, tanto a qualidade quanto o padrão nada mais são que modelos meramente referenciais de, e para um determinado momento, de época, ou seja, que muda com o tempo em conformidade com novos conceitos, necessidades e desejos. Trata-se, portanto, de conceitos relativos e até mesmo subjetivos, estando sempre relacionados às percepções e necessidades de cada indivíduo e também a diversos outros fatores, como cultura, dentre outros.

Simplificando, o que é tido como padrão de qualidade e excelência atualmente, pode não ter sido no passado e certamente não será no futuro. Como exemplos simples podemos analisar a evolução da indústria automobilística, da informática, dos esportes, etc. Com os cães de raça isso não é diferente. Muitas vezes ouve-se dizer: mas determinado cão não é bom pois está fora do padrão (???). Talvez até possa estar fora de um determinado padrão de época, de momento, mas não necessariamente esse aspecto o desqualifica a ponto de se poder caracterizá-lo como “bom ou ruim”.

Muita subjetividade há nisso e, não raras as vezes, pouco ou nenhuma razão ou bom senso e, nem sempre aquele que é tido por ótimo em relação a determinado padrão é o melhor. Isso mesmo, nem sempre o ótimo em relação a um determinado padrão é o melhor.

Quando estabelecemos parâmetros de “qualidade ou padrão” para definir o que é “bom ou ruim” em conformidade com interesses e conceitos meramente subjetivos e associados às necessidades humanas, não podemos jamais nos esquecer daquela frase célebre que a natureza não tem compromisso com quaisquer regras matemáticas estabelecidas pelos seres humanos conforme seu entendimento e em obediência aos seus próprios interesses. A natureza faz suas próprias regras e essas regras não são matemáticas ou precisas. Antes de continuar e talvez confundir a cabeça dos leitores ainda mais, voltemos ao conceito inicialmente abordado de fenótipo. Nem sempre aquilo que se vê corresponde automaticamente àquilo que é melhor, ou seja, nem todo cão que possui determinadas características de excelência no que tange ao fenótipo, tem condições de transmiti-las aos seus descendentes.

Nesse caso já estamos nos aprofundando um pouco mais, ou seja, partimos agora para a genética, para o genótipo. Em síntese define-se:

  • Genótipo é o conjunto de genes característicos de cada espécie, ou seja, são os genes em formato de DNA que um animal, um vegetal ou ser humano recebe de herança por parte de seus dois progenitores, e que, portanto, são formados pelos cromossomos que contêm sua informação genética.

Resumidamente, o genótipo e aquilo que o animal possui geneticamente (carga genética) e que você necessariamente pode não ver, pois pode não estar visível no fenótipo do filhote. Exemplos: personalidade, temperamento, displasia hereditária, dentre outros.

 

Como se pode facilmente notar, nem sempre o mais belo é o melhor. A garantia de boas progênies estará sempre associada à firmeza genética, ou seja, à solidez, à segurança com a qual determinado cão transmite sua carga genética aos descendentes.

Há de se observar, no entanto, que mesmo os melhores cães, aqueles tidos como campeões, muitas vezes não têm a capacidade genética de transmitir determinadas características, mesmo que até as possuam. Isso ocorre ou por serem heterozigotos (impuros) ou por serem recessivos e, por consequência, se apresentam do ponto de vista genético, dominados por outros caracteres.

Nesses casos, podendo ter sido originados por acasalamentos aleatórios, seu patrimônio genético não é puro, mesmo para aquelas qualidades que, por mera obra do acaso, fizeram-nos campeões em determinado momento e sob determinados padrões e critérios.

Sendo utilizados para futuras reproduções poderão gerar filhos de todos os tipos e, sob tais circunstâncias, muitas vezes passa há ocorrer o desânimo do criador ou dos compradores, em decorrência de eventuais insucessos. Pensar que por mera aquisição dos melhores exemplares, a partir de então se conseguirão os melhores resultados por mera reprodução desses exemplares é pura ilusão e, quem assim pensa ou age, que fique atento, pois a tendência ao insucesso e desanimo é bem provável que aconteça e, pior que isso, não muito tardiamente.

Há de se observar, no entanto, que ao se partir de bons exemplares para criação, haverá naturalmente e, por consequência, uma maior probabilidade de sucesso e, em menor tempo. Por outro lado, um indivíduo é chamado de homozigoto, ou puro, quando os alelos que codificam uma determinada característica são iguais, ou seja, os alelos são iguais e ele vai produzir apenas um tipo de gameta.

Os bons criadores serão sempre aqueles que forem capazes de previamente analisar e efetuar os cruzamentos com critério e responsabilidade, de tal maneira a visar o aproveitamento máximo das qualidades de cada um dos pares envolvidos nesses cruzamentos tanto sob o aspecto fenotípico quanto sob o aspecto genotípico e, por consequência conseguirem produzir bons descendentes e que externem espontaneamente a soma das qualidades herdadas de cada um dos pares.

 

Reproduzir Rottweilers por reproduzir, embora muitas vezes possa até parecer complicado pela falta de conhecimento especifico de alguns, não é tarefa tão difícil assim. Difícil é reproduzi-los, estrategicamente e com objetivos definidos, visando fixação de caracteres e soma de qualidades, isso chama-se arte de criar.

Não confundir arte de criar com arte de manejo, pois que, são duas coisas totalmente distintas, ou seja, criar bem não é necessariamente sinônimo de criar certo. Lembre-se sempre disso.

Sob tal contexto, ao tentar adquirir um filhote levando em consideração apenas e tão somente o fenótipo, ou seja, somente aquilo que se vê (aspecto da pelagem, coloração, tamanho, enfim, tudo que esteja relacionado à beleza propriamente dita), pode-se estar adquirindo uma “caixinha de surpresas” que, quando adulto, evidenciará características não perceptíveis no momento da aquisição.

Tais características não são perceptíveis pois estão associadas ao genótipo, ou seja, àquilo que não se vê, mas que está presente na estrutura genética do animal, uma vez que foram herdadas dos progenitores e lapidadas posteriormente no ambiente onde os cães se encontram.

Obviamente que, há quem queira adquirir Rottweilers exclusivamente para guarda de uma propriedade e, sob tal contexto equivoca-se ao achar que um cão de guarda deva sempre se comportar de maneira agressiva e descontrolada. Um bom Rottweiler tem que mostrar-se sempre equilibrado e estável e, quando confrontado com ameaças, sempre haverá tendência a enfrentar ao invés de fugir e, assim, pode responder agressivamente em circunstâncias em que outras raças recuariam.

Naturalmente, os Rottweilers têm inclinação de agir agressivamente para repelir intrusos em seu território (ou seja, sua casa) e de contra-atacar agressões à sua matilha (ou seja, você e sua família). Lembre-se sempre que cães não são armas, embora eventualmente possam se comportar como tal, por culpa exclusiva da sua carga genética decorrente de criações irresponsáveis e sem o mínimo critério ou controle ou até mesmo do manejo inadequado do dono ou tutor.

 

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ISBN  978-65-00-82051-5
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