
A giárdia (Giardia lamblia) é um protozoário microscópico parasitário flagelado que parasita o intestino delgado de diveros animais (inclusive dos seres humanos), podendo causar uma doença diarreica conhecida como giardíase. Costuma parasitar o intestino delgado, principalmente em segmentos de duodeno e jejuno. G. lamblia, G. intestinalis ou G. duodenale são os sinónimos dados à espécie.O parasita se liga ao epitélio por meio de um disco adesivo ventral ou ventosa, e se reproduz por fissão binária, ou seja, um processo de reprodução assexuada dos organismos unicelulares que consiste na divisão de uma célula em duas por mitose, cada uma com o mesmo genoma da “célula-mãe”.

Ao contrário do que muitos pensam, a giardíase não se espalha pela corrente sanguínea, nem se espalha para outras partes do trato gastrointestinal, mas permanece confinada ao lúmen do intestino delgado. A giárdia possui uma membrana externa que permite se manter viva, mesmo fora do corpo do hospedeiro, e que pode torná-la tolerante à desinfecção com cloro. Os trofozoítos de giárdia absorvem nutrientes do lúmen e são anaeróbios. Conforme já citado anteriormente, a doença causada pela giárdia lamblia recebe o nome de giardíase ou giardiose.

As principais vias de infecção incluem a ingestão de água não tratada (que é o método mais comum de transmissão desse parasita) e, alimentos e solos contaminados.
A contaminação das águas naturais também ocorre em bacias hidrográficas onde ocorre pastoreio intensivo. Este flagelado pode viver no estado livre, em lagos ou ribeiras, durante bastante tempo.
O ciclo de vida da giárdia nos cães geralmente é de 5 a 12 dias.
O ciclo de vida dos protozoários pode ser dividido basicamente em duas fases principais: a fase de trofozoíto (ativa) e a fase de cisto (quiescente).
Nas espécies de protozoários de água doce temos um processo característico do ciclo de vida chamado encistamento, quando o protozoário secreta uma substância ao redor de si e fica inativo, desta maneira forma o cisto.
Esse cisto protetor se constitui em uma verdadeira armadura de blindagem, sendo resistente à dessecação, a baixas temperaturas e a diversos medicamentos e desinfetantes, além de permitir que a célula atravesse condições ambientais desfavoráveis.
Assim sendo, em síntese e resumidamente temos:
Fase trofozoíta: Esta é a fase ativa do protozoário, onde ocorre a alimentação e o crescimento. Nessa fase, eles se reproduzem rapidamente, aumentando sua população em ambientes favoráveis.
Fase cística: Quando as condições do ambiente se tornam desfavoráveis, muitos protozoários formam cistos. O cisto é uma forma resistente que protege o organismo contra condições adversas, como a desidratação e a falta de nutrientes. Essa fase permite que os protozoários sobrevivam até que as condições melhorem e lhes sejam mais favoráveis ao retorno da sua fase ativa (trofozoíta).
Alguns protozoários eventualmente também podem se reproduzir sexualmente. Isso ocorre em momentos de estresse ambiental, onde ocorre a troca de material genético entre indivíduos. A reprodução sexuada aumenta a variabilidade genética e a adaptação à mudança de ambiente.

Como se pode observar, os protozoários desenvolveram uma estratégia de auto preservação muito eficaz e interessante, que consiste em “formar uma determinada blindagem”, quando alguma condição que os desfavorece ocorre.
Algumas condições do hospedeiro, tais como vermifugação preventiva, imunidade elevada, boa alimentação, água fresca e de boa qualidade, não favorecimento de situações de estresse, dentre outras, desfavorecem a ocorrência da fase ativa (trofozoíta) dos protozoários e, por consequência, da sua alimentação e reprodução.
Eis que uma questão surge então, ou seja, um cão pode estar positivo para giárdia em determinado exame de fezes e não apresentar quaisquer sintomas de giardíase?
A resposta é sim, pois o fato de haver testado positivo não que dizer que tenha a doença, pois uma vez estando na fase cística, haverá certamente a positividade no exame quanto à presença do protozoário no animal, PORÉM EM NADA ISSO AFETARÁ A SAÚDE DO MESMO NAQUELE MOMENTO.
Há criadores que digam inclusive que erradicaram esse tipo de problema de seu plantel, fato esse que deve ser observado com muita prudência, cautela, desconfiança e certo ceticismo. O mais senato e prudente seria dizerem que conseguiram controlar e estabilizar e não erradicar esse problema, pois como se pode observar facilmente, trata-se de um organismo bastante adaptado à situações de adversidade, com estratégia evolutiva bastante eficaz, que consiste em se manter inerte, encapsulado e totalmente blindado (como que se estivesse em literal estado de hibernação), por periodo indeterminado, aguardando apenas que alguma eventual condição lhes propicie retornar à sua fase ativa (trofozoita), sendo justamente e tão somente nessa fase que os problemas eventualmente serão observados, tais como: diarreias, fezes pastosas e fétidas, vômitos, dor abdominal, desidratação e perda de peso.

Em casos mais graves e se não tratados, a infecção pode eventualmente levar o cão à morte. Por conta destes sintomas, a infecção pode ser facilmente confundida com outras enfermidades intestinais e tratada de maneira incorreta (tal como a parvovirose).
Por isso, é fundamental identificá-la rapidamente e, acima de tudo, preveni-la. Para proteger o animal contra a giardíase, cuidados básicos de higiene como verificação da fonte da água para beber e limpeza adequada de pisos e instalações são as condições mais eficazes e importantes.

Existem inúmeros medicamentos preventivos bastante eficazes para controle desse parasita, porém há de se considerar que a adoção de qualquer medicação preventiva (vermifugação) agirá apenas no combate à fase ativa do protozoário (trofozoita) e não na fase de cisto, em que o mesmo esteja “blindado”.
Assim sendo, afirmar que houve a erradicação de tal parasita é, no mínimo, ser otimista ao extremo.
Há também opção de vacinação preventiva, porém nem sempre é possível impedir que os animais entrem em contato com os cistos em determinado ambiente que já esteja contaminado. No caso da opção pela vacinação preventiva, há muita controvérsia entre inúmeros profissionais veterinários sobre sua real eficácia, porém quem as recomenda o faz da seguinte maneira: para cães juvenis e que nunca foram vacinados contra giárdia adotam-se geralmente duas doses iniciais com intervalo de 2 a 4 semanas entre elas e, para animais já vacinados anteriormente, doses anuais são recomendadas.
Em síntese e resumidamente, o fato de determinado cão ou outro animal qualquer testar positivo para giárdia em determinado exame, não caracteriza automaticamente que ele esteja com algum problema sério de saúde a ponto de que uma preocupação mais acentuada seja necessária por parte do proprietário do animal naquele momento.
Como se nota, a giárdia é um protozoário bastante adaptado à adversidades e, a forma mais eficaz para controlar sua proliferação (não erradicá-la como acreditam alguns) é, e será sempre a manutenção de uma boa higiene das instalações onde o animal vive, uma boa alimentação, vermifugação e ectoparasitação regulares e manutenção de bons hábitos rotineiros que não propiciem quedas abruptas de imunidade, tais como o favorecimento do estresse do animal.
Se faz presente muito comumente em filhotes recém adquiridos, pois que existe naturalmente o hábito das pessoas em querer “exercitá-los demasiadamente”, brincando com eles “próximo à exaustão”. É bastante compreensível que haja certa ansiedade da família (principalmente se houverem crianças em casa), em querer interagir bastante com um novo integrante da família recém chegado ao novo lar, porém não podemos nos esquecer que, até o momento da sua aquisição, eles só conheciam os odores da mãe, dos irmãos e dos tratadores, os ruídos do ambiente onde nasceram e a água e comida específicos daquele local.
Ao serem retirados desse ambiente e colocados em outro local, automaticamente haverá uma descarga hormonal de cortisol, a adrenalina e a noradrenalina, que poderá causar estresse e, por consequência, sudorese, diarreias, coprofagia (comer as próprias fezes), por vezes soluços e até tosse, uivos e, quase sempre queda imunológica (eis ai uma porta aberta para a giardíase).
Assim sendo, é recomendável que inicialmente, sejam evitadas situações que coloquem o pequenino em condições que favoreçam a “excitação acentuada”, a ansiedade, a irritação e/ou o medo e, por consequência, o estresse que naturalmente acompanha tais situações.
NESSA QUESTÃO, A PRUDÊNCIA É MAIS IMPORTANTE QUE A PREOCUPAÇÃO.
EM SÍNTESE, GIÁRDIA NÃO É SINÔNIMO DE GIARDÍASE.
FICA A DICA !!!

