Higromas (bursite) em cães

Higromas (bursite) em cães

Os higromas são observados em cães de raças de porte grande ou gigante, geralmente entre seis e 18 meses de idade, quase sempre associado à presença de escara de decúbito, sobrepeso e traumatismos da articulação úmero-rádio-ulnar.

Por meio de anamnese, exame físico e exames complementares (como a citologia aspirativa), consegue-se determinar o risco cirúrgico e fornecer um prognóstico.

 

 

Trata-se de um saco bem delineado composto de tecido conjuntivo fibroso e revestido por tecido de granulação. É caracterizado por um aumento de volume preenchido por líquido seroso. Sua etiologia está relacionada com lesões crônicas em tecidos moles que recobrem protuberâncias ósseas.

Normalmente estão localizadas sobre o osso olécrano, por se tratar de uma região que geralmente fica submetida a elevadas tensões de contato quando alguns cães se deitam para descanso, ocorre o derrame inflamatório extracapsular da membrana sinovial da articulação, levando ao processo inflamatório que necessitará tratamento clínico ou, em determinados casos, até mesmo cirúrgico.

 

Geralmente acomete cães jovens, de raças de porte grande e também em cães obesos. Na região do cotovelo os higromas podem apresentar variados tamanhos, conforme a cronicidade, maior será o tamanho e espessura da pele que o recobre.

 

Na maioria das vezes são indolores e estéreis, porém, podem ser contaminados de forma iatrogênica (decorrente de contaminação por procedimento médico invasivo, principalmente na tentativa de drenagem do conteúdo.

O tratamento clínico através da utilização de anti-inflamatórios não esteroides e drenagem pode ser útil no início da doença, entretanto, há de se observar que não raras as vezes ocorre recidiva, sendo necessária a abordagem cirúrgica.

A maioria dos higromas de grande volume exigem drenagens frequentes ou até mesmo prolongadas, porém quanto mais se efetue drenagens, maior o risco de que se origine uma infeção ascendente pela contaminação da sua zona de saída do liquido a ser extraído.

 

A principal vantagem de se efetuarem drenagens em higromas é que se trata de um procedimento minimamente invasivo para o animal e, por assim ser, diminui consideravelmente o risco de contaminação e eventual infecção, dado que o líquido drenado é armazenado diretamente no depósito da seringa utilizada no procedimento.

Isto permite efetuar um acompanhamento mais preciso da evolução dos resultados do processo de drenagem, pois poderemos notar rapidamente qualquer mudança na aparência do líquido ou uma possível obstrução do sistema. Adicionalmente, não exige a imobilização da extremidade do animal.

Caso eventualmente não se obtenha resultados satisfatórios através das drenagens, então a opção seguinte consiste em efetuar um procedimento cirúrgico. Cabe, no entanto, observar que na medida do possível, deve-se sempre procurar evitar a remoção cirúrgica (exceto em casos extremos e inevitáveis), porque o cotovelo é uma região de difícil cicatrização e já está comprovado que a remoção cirúrgica traz pouco benefício. No procedimento cirúrgico, é removido todo o saco composto de tecido conjuntivo fibroso e tecido de granulação que envolve a articulação do cotovelo.

 

 

À semelhança dos calos, os higromas também surgem quando a pele está sob pressão ou sofre uma fricção de forma continuada e recorrente. Assim, os higromas nos cães costumam surgir quando eles ficam muito tempo ou com muita frequência deitados em pisos rígidos, tais como concreto, pedra e/ou ladrilhos cerâmicos.

Por fim, cães (geralmente jovens) que passam a maior parte do tempo confinados em locais limitados ou que vivam em canis também podem apresentar esse problema devido às condições em que são mantidos.

 

Assim como no caso dos calos, também pode-se evitar a ocorrência de higromas oferecendo lugares macios (flexível) para o animal descansar, tais como camas, colchões, gramado, caixa de areia ou serragem (maravalha), placas de grama sintética, carpetes espessos, palets de madeira macia ou material plástico, dentre inúmeras outras opções.

Atenção especial também deve ser dada ao peso do cão, já que animais com sobrepeso sofrem maiores sobrecargas nas articulações. A adoção de cotoveleiras (existentes no mercado para tal finalidade) também auxilia bastante na resolução desse tipo de problema, principalmente após as drenagens ou após o eventual procedimento cirúrgico se for o caso de ser adotado.

 

 

 

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