Muitas pessoas ficam confusas sobre escolher entre um macho ou fêmea quando resolvem adquirir um cãozinho.
Procuraremos abordar de forma mais aprofundada esse assunto de tal maneira a expor algumas diferenças entre machos e fêmeas e sugerir algumas dicas para você escolher o cão que mais se encaixa com o seu perfil.
Segundo o naturalista Charles Darwin (1809 – 1892), os machos das espécies têm uma maior variabilidade genética e as fêmeas uma maior estabilidade genética. Assim sendo, as fêmeas tendem a conservar mais as características das espécies, preponderando a lei da herança e quanto aos machos, neles predominará sempre a lei da evolução.
Sob tal contexto científico, parece razoável crer que estará sempre associado às fêmeas a base quanto à formação das qualidades de determinado plantel e, a busca de fêmeas com boas qualidades genéticas deve ser sempre a prioridade de qualquer criador que pense em evoluir. Do ponto de vista cientifico, assim definem-se esses fatores:
- Variabilidade Genética: refere-se às variações dos genes entre indivíduos de uma população. É a variabilidade genética da espécie que determina o seu conjunto de características morfológicas e fisiológicas, o que a torna capaz de responder às mudanças ambientais. É resultado da recombinação genética e acúmulo de mutações em um indivíduo, que ocorrem em decorrência dos processos naturais do próprio organismo ou por exposição a fatores externos, derivação genética ou novas combinações a partir da reprodução.
- Estabilidade Genética: capacidade que as células têm de transmitir a informação genética de uma geração para outra, sem alterar o conjunto de cromossomos, garantindo assim a manutenção da identidade genética ao longo das gerações.
No caso dos cães, sua energia e vigor dependem muito mais da sua raça e do seu porte, do que do seu sexo, embora erroneamente alguns pensem que as fêmeas são mais calmas do que os machos, partindo da premissa que os machos tendam a ter naturalmente os hormônios mais aflorados ao chegar na “fase da adolescência”.
A puberdade do cão macho ocorre aproximadamente entre os 7 e 10 meses de idade, de acordo com a raça à qual pertence, porém, as raças pequenas revelam-se mais precoces do que as de tamanho médio e, também do que as raças grandes.
Nas fêmeas, o primeiro cio corresponde à sua maturidade sexual (ou puberdade), que ocorre entre os 6 e 12 meses de idade. As cadelas têm dois ciclos astrais por ano.
No caso especifico da raça Rottweiler, tanto nos machos quanto nas fêmeas, a tendência é que cresçam naturalmente e desenvolvam o porte, até aproximadamente os 18 meses de idade. A partir dessa idade, a tendência é que desenvolvam estrutura muscular e não mais o crescimento.
Em síntese, para os Rottweilers, deve-se considerar que cresçam até aproximadamente os 18 meses e após essa idade, comecem a adquirir e definir a musculatura e o porte característicos da raça. Assim sendo, faz-se importante por questões de saúde, que essas etapas não sejam modificadas.
Rottweilers pesados em idade precoce, tendem a ter problemas no futuro, tais como lesões nos ligamentos e até mesmo displasias articulares adquiridas. Sobre tal aspecto, é bom saber que nem sempre um animal bem alimentado é necessariamente sinônimo de um animal corretamente nutrido, ou seja, quantidade e qualidade não são sinônimos quando o assunto é alimentação.

A marcação do território é um comportamento comum a todos os cães, qualquer que seja seu sexo ou idade. É um meio de comunicação que varia muito em função do status social do cão “na matilha”. O desenvolvimento de sistemas de comunicação é uma necessidade absoluta, mais particularmente para as espécies com comportamento de convívio social, assim como os cães.
Par tal finalidade, habitualmente são utilizados “depósitos” de urina e fezes para a demarcação de um determinado território. Trata-se de uma marcação “duplamente eficaz”, ou seja, ao mesmo tempo que é visual, também é olfativa.
A comunicação olfativa utiliza mensagens químicas chamadas feromônios. São hormônios que transmitem informações entre os indivíduos de uma mesma espécie e, desencadeiam no indivíduo receptor uma resposta comportamental ou fisiológica. Essas substâncias são liberadas pelas glândulas das bolsas anais, glândulas perineais, glândulas faciais, glândulas situadas nos espaços interdigitais das almofadas plantares, e pela glândula supra caudal. Esses feromônios estão presentes também na saliva, nas fezes e sobretudo na urina.
A liberação desses feromônios, e em particular os da urina e fezes, realiza-se em contextos sociais, tais como os comportamentos sexuais e territoriais. Servem para a comunicação e a troca de informação.
Os feromônios associados à defesa do território são, em geral, de origem podal e urinária, são liberadas durante a fase de intimidação da agressão territorial. O cão raspa e esgravata freneticamente o solo ao seu redor, com seus membros anteriores e posteriormente urina nessa mesma área, levantando um membro posterior.
Quando um cão submisso fareja um “depósito” de urina liberado por um cão dominante, tende a emitir sinais de submissão e a urinar no chão, pois os feromônios propagam informações de ordem hierárquica. Os cães (tanto machos quanto fêmeas) urinam em lugares estratégicos e que julgam ser de importância social (pés de mesa, de cama, porta de entrada, corredor, tapetes, etc.) e, sempre em lugares muito visíveis.
Algumas fêmeas, no entanto, apresentam comportamento dominante, geralmente característico dos machos.
Ter um cão dominante (ou “alfa”) é menos indicado para quem é “tutor de primeira viagem” ou não tem muito tempo para disponibilizar ao cão.
Cães dominantes precisam de muito exercício, atenção, treinamento e adestramento, se comparados aos outros cães no que tange ao seu status social. Portanto, caso não se disponibilize de tempo para sociabilização com o cão e/ou nunca teve um cão antes, optar por uma fêmea pode ser a opção correta e mais sensata, já que existe menor probabilidade de fêmeas demonstrarem comportamento muito dominante, se comparadas aos machos.
Há de se atentar que essa é uma questão probabilística e não uma regra matemática e precisa. Ainda assim é possível encontrar machos tranquilos e fêmeas agitadas.
A melhor forma de resolver isso é observar o filhote quando for adquirir um, pois é possível observar ainda quando filhotes os cães com personalidade mais agitada e os cães mais tranquilos da ninhada.
Todo criador realmente idôneo e responsável, busca personalizar cada filhote com o perfil familiar de quem o está buscando adquirir. Para tanto, quando realmente se trata de um bom criador, saberá distinguir em determinada ninhada, quais os dominantes (alfas), quais os intermediários e quais os estáveis ou submissos.
Em qualquer ninhada de um canídeo, sempre há probabilidade de nascerem três tipos de cães no que tange à personalidade, temperamento e comportamento, a saber: os dominantes ou alfas, os intermediários e os submissos ou estáveis. No caso dos Rottweilers isso não é diferente e, essas características podem ser notadas ainda quando jovens, ou seja, a partir dos 20 a 30 dias de vida.
Sob tal contexto, nem todo Rottweiler serve para qualquer família, pois cada um terá naturalmente sua própria característica fixada no seu genoma e, assim sendo, há de se buscar sempre a fixação de determinadas características comportamentais nos cruzamentos e a personalização de cada filhote às necessidades de cada família que o adquirir. Criadores sérios e responsáveis sempre buscam tal prática.
A dica para quem tem crianças em casa e quer ter um cão é adquirir uma fêmea, isso porque fêmeas tendem a ser mais cuidadosas e protetoras com crianças, isso acontece devido ao seu instinto materno (estabilidade genética).
Machos, no entanto, costumam ser mais agitados (variabilidade genética) até mesmo na presença de crianças, porém muitos machos enxergam as crianças da família como filhotes da ninhada e tendem a protegê-las.
Ter um cão é sempre uma boa ideia quando se têm crianças em casa, pois sendo macho ou fêmea os cães são ótimos para ensinar as crianças sobre respeito, responsabilidade e também ajudam a aumentar a imunidade dos pequenos.

A convivência com animais de estimação pode contribuir não só para o bem-estar psicológico, mas também para a prevenção e tratamento de várias patologias. Diversos pesquisadores citam vários benefícios aos bebês que convivem com cães. Certas proteínas que desempenham um importante papel na regulação do sistema imunológico e das alergias aumentam significativamente em crianças de um ano quando expostas precocemente à presença de um cão, possibilitando aos bebês ficarem menos suscetíveis às alergias e dermatites tópicas. Esses resultados se devem, possivelmente, ao relaxamento que o contato com o animal proporciona.

Os filhotes de cães são ótimos para ajudar a criança a ser mais paciente, atenciosa, ter responsabilidades, além de estimular atividades em conjunto, pois têm seu tempo próprio e, a criança aprende que precisa aguardar o tempo para brincar com ele, para colocar comida, para trocar água, que tem horas que o bichinho quer dormir e também brincar e que a hora do passeio é muito divertida. Ainda assim, se há uma coisa que anima a família, é quando todo mundo está unido e nada mais gostoso que se unirem na hora da escolha de um cãozinho.
Embora não seja uma regra rígida ou matemática, conforme já comentado anteriormente, as fêmeas costumam ser mais tranquilas, por isso também se acredita que elas sejam mais obedientes, pois por serem mais tranquilas prestam mais atenção ao treinamento sendo assim mais fáceis de adestrar.
Porém, cadelas entram no cio regularmente (isso é completamente natural), e ao ocorrer isso elas tendem a “sujar” a casa. No entanto, quando castradas (se optar por assim proceder), as fêmeas não entram mais no cio e, em decorrência disso, não “menstruam” mais.
Toda cadela adulta passa por esse período, geralmente a cada 6 meses (mais ou menos). Durante o cio, que pode durar cerca de 3 semanas, a cadela passa por um período de fertilidade reprodutiva, que resulta também em um processo de sangramento similar à menstruação humana. Como a cadela fica mais receptiva em relação aos machos durante esse período, é possível observar uma mudança de comportamento, que pode variar desde uma maior sensibilidade até um certo nível de agressividade, principalmente em relação a outros cães, sejam machos ou fêmeas.
As fêmeas às vezes tendem a um comportamento extremamente territorialista, especialmente se estiverem grávidas, com filhotes ou ovulando. Esse comportamento territorialista das fêmeas pode ultrapassar a proteção dos filhotes. As cadelas que estão ovulando podem ficar possessivas em relação a brinquedos, sapatos, meias ou roupas. Esses objetos caseiros costumam ser habitualmente guardados embaixo de um móvel, e esse móvel começa a ser protegido de maneira agressiva.
Mesmo assim lembrem-se sempre que todo cão, independente do sexo, raça e porte, precisa de cuidados básicos, educação, eventual adestramento, sociabilização e muito exercício físico.
As melhores formas de lidar com todos esses comportamentos territoriais é a sociabilização, o adestramento rotineiro e, por fim, a eventual castração, pois cães castrados tendem a ser mais tranquilos, pois não sentem mais a necessidade de procriar e demarcar território.
Obviamente que todos os fatores já apontados e, mais alguns outros, influenciam no comportamento do cão quando adulto, e nem poderia ser diferente. Os cães com aptidões natas para o desempenho de funções de guarda, por exemplo, deverão se tornar sempre bons protetores, e também, serão mais apegados e próximos aos donos, os quais entendem ser a partir de então, sua família (sua matilha).
Mas quais as outras diferenças que podem existir entre cachorro macho ou fêmea?
Considerando que muitas diferenças comportamentais não acontecem necessariamente em função do sexo do animal, conforme já comentado anteriormente, resumidamente até se torna possível apontar algumas diferenças que, de modo geral, porém não necessariamente obrigatórias, podem ser observadas.
Os cães machos podem ser considerados mais dominantes, territoriais e, embora os cães de qualquer sexo sejam igualmente inteligentes, o macho pode mostrar-se mais agitado e distraído do que a cadela (variabilidade). Por esse motivo, muitos adestradores consideram que as fêmeas são mais atentas, e mais receptivas ao adestramento.
Enquanto os machos têm a fama de serem mais brincalhões, independentes e agitados, as fêmeas são consideradas mais calmas, atentas e conectadas ao seu dono e sua família (estabilidade).
Há várias generalizações exageradas a respeito do sexo dos cães, e algumas são apenas parcialmente verdade ou até mesmo dogmas. Uma das crenças mais comuns é a de que os machos são mais propensos a perseguir outros cães e são sempre mais agressivos do que as fêmeas. Embora até possa haver alguma verdade nessa crença, não se trata de uma regra rígida e imutável.
Os cães machos realmente são mais propensos a desafiar outros machos e, estatisticamente, até podem estar mais dispostos a demonstrar agressividade para os humanos em determinadas circunstâncias e condições, porém também não se trata de uma regra e sim de uma análise estatística.
O comportamento canino é bastante complexo e, traços como a agressividade são resultado de uma interação complicada entre o grau de sociabilização que o cão realiza enquanto filhote, o treinamento dele e o nível de competição por recursos de alto valor. Até os animais castrados, com baixo nível de hormônios sexuais, podem ser agressivos se não forem sociabilizados o bastante e se tornar assustados em situações nas quais não consigam escapar de um determinado estímulo que os venha a intimidar ou assustar.
Em síntese, tanto os Rottweilers machos quanto as fêmeas têm suas características comportamentais vinculadas a aspectos genotípicos (advindos da sua bagagem genética) e, também, a aspectos do meio externo em que é criado e com o qual convive.
Quanto aos aspectos genotípicos, ou seja, que se encontram fixados em sua matriz genética, caberá sempre ao futuro tutor, tentar adquirir um filhote de criadores sérios e responsáveis, que estejam comprometidos em fixar tais características (equilíbrio, estabilidade, obediência, tranquilidade, destemor e sociabilidade) em seu plantel, desde a concepção quando do cruzamento das matrizes.
Ocorre, porém, que, sempre caberá posteriormente a esse tutor, seguir a mesma diretriz quando da criação desse cão, ou seja, treiná-lo árdua e rotineiramente durante seu crescimento, de tal maneira a fortalecer ainda mais essas características já fixadas desde o nascimento.
Lembre-se sempre que cães não são armas, embora eventualmente possam se comportar como tal, por culpa exclusiva da sua carga genética decorrente de criações irresponsáveis e sem o mínimo critério ou controle ou até mesmo do manejo inadequado do dono ou tutor.
Lembre-se que, a personalidade do seu cão será semelhante àquela que aprender com você.
Não faça de seu cão uma arma, pois a vítima poderá ser você.

