Maiores ou menores?

Maiores ou menores?

Eis um assunto polêmico e de certa maneira, dogmático: o tamanho do filhote quando da aquisição do mesmo.

A natureza do ser humano é sempre proceder à escolha de algo que almeja tendo por referência o aspecto visual que, uma vez transmitido ao cérebro, este o codifica e imediatamente influencia o julgamento e a tomada de decisão que, por sua vez são processos complexos e envolvem funções emocionais e racionais.

Cotidianamente, as pessoas sempre selecionam várias alternativas com base em suas preferências e, constantemente exercem tarefas de julgamento que as permitem escolher uma opção em detrimento de outras, configurando, assim, um determinado comportamento de consumo, avaliando preferências com base no gostar ou não das alternativas disponíveis.

Sob tal aspecto, parece razoável crer que a escolha muitas vezes está associada ao “impacto visual” que determinado produto apresenta. No caso especifico dos Rottweilers isso não é diferente, pois a condição básica e preponderante para a escolha de um filhote, em geral, associa-se apenas ao aspecto visual (fenótipo), ou seja, ao que se destaca em relação aos demais. Sob tal contexto, os maiores sempre têm preferência em relação aos menores.

Há de se ter em mente que, o tamanho dos filhotes não está associado à sua qualidade e, em geral, os filhotes menores de uma ninhada são aqueles que têm mais fibra, vigor, saúde e determinação, pois conseguiram disputar em “condição de inferioridade física” enquanto ainda na fase de amamentação, sua condição de alimento e espaço na ninhada, até chegarem ao ponto de equilíbrio com os demais irmãos. CUIDADO!!!

Se observarmos o sistema reprodutivo de uma cadela, simplificadamente falando, notaremos que há uma bifurcação que “divide” o útero praticamente em dois lados (à esquerda e à direita). Esse tipo de útero é denominado “útero bicorno”, onde os fetos ficam distribuídos em ambos os lados. Em síntese, os filhotes durante a gestação, ficam distribuídos em ambos os lados (à esquerda e à direita) do útero.

 

Em geral, a gestação das cadelas tem duração média de 62 dias, podendo variar durante um período de 57 a 70 dias.

Esta determinação de duração pode variar devido a:

  • A fêmea pode permitir a monta do macho por vários dias;
  • O acasalamento pode ocorrer antes da ovulação;
  • A ovulação da espécie canina ocorre em um longo intervalo de tempo;
  • Os óvulos recém liberados são imaturos e necessitam de 2 a 8 dias para que seja possível a fertilização;
  • Os espermatozoides podem sobreviver durante vários dias no trato reprodutivo da cadela.

A duração da gestação é ainda influenciada pela idade da cadela, e pelo número de filhotes. Há uma correlação negativa entre a quantidade de filhotes por ninhada e a duração da gestação, ou seja, quanto maior o número de filhotes, menor será o tempo até o momento da parição. Por outro lado, há uma correlação positiva entre a duração e o número de gestações que a cadela apresentou anteriormente.

 

 

Além disso, as chances de que os filhotes nasçam vivos e saudáveis diminuem à medida que se prolonga a gestação. A manutenção da gestação nas cadelas depende da secreção de progesterona durante todo o período. Os ovários são a principal fonte de síntese deste hormônio. A concentração de progesterona é similar em cadelas prenhes e não prenhes, portanto, essa concentração não pode ser usada como um indicativo de gravidez. O aumento da concentração desse hormônio ocorre no estro (cio), após a ovulação com a formação do corpo lúteo. O conhecimento da fisiologia e endocrinologia do parto normal das cadelas (eutócico) é necessário para a prevenção, diagnóstico e tratamento de eventuais anormalidades (distocias).

Fatores maternos e fetais contribuem para o desencadeamento do parto. Avaliemos as seguintes considerações:

  • A fêmea pode permitir a monta do macho por vários dias.
  • O acasalamento pode ocorrer antes da ovulação.
  • A ovulação da espécie canina ocorre em um longo intervalo de tempo.
  • Os óvulos recém liberados são imaturos e necessitam de 2 a 8 dias para que seja possível a fertilização.
  • Os espermatozoides sobrevivem durante vários dias no sistema reprodutivo da cadela.
  • Uma cadela pode ter filhotes de vários machos em uma única ninhada, partindo-se das premissas que copulem com vários machos e que os óvulos necessitem de 2 a 8 dias para que seja possível a fertilização associado a fato de que os espermatozoides sobrevivem durante vários dias no sistema reprodutivo da cadela.

Se avaliarmos de forma mais aprofundada as considerações e, em particular os trechos grifados em negrito, concluiremos com razoável facilidade e bom senso que, em uma ninhada de cães pode haver filhotes que foram gerados em defasagem de tempo em relação aos seus próprios irmãos, mesmo sendo da mesma ninhada.  Ao analisarmos o modelo de útero das cadelas (“útero bicorno” – figura), também conseguiremos visualizar que uma vez iniciado o processo de parto, os filhotes vão então sendo expulsos simultaneamente pelas contrações uterinas, sempre se iniciando por aqueles situados mais próximos ao cérvix e ao canal vaginal.

 

Assim sendo, aqueles situados mais distantes, dessa região vão nascendo posteriormente. Finalizado o parto, a cadela então passa a expelir por um período que pode durar até algumas semanas, um corrimento vaginal, o qual poderá tornar-se sanguinolento ou assumir uma coloração verde escura, mas isto não costuma ser indício de quaisquer problemas e a própria cadela se encarrega de limpar-se diariamente.

Uma vez nascidos, os filhotes passam então a disputar entre si as tetas da mãe e, nessas circunstâncias, preponderará o vigor, a vontade e a determinação. Obviamente que, o porte físico acaba também por favorecer aqueles que o tem em detrimento dos menores, porém as outras características já citadas em geral são as que dão vantagem em detrimento até, do porte físico muitas vezes desproporcional entre alguns.

Já crescidos, todos os filhotes tendem a ficar proporcionalmente iguais no que tange à semelhança fenotípica dos pais, igualando-se em tamanho, robustez e demais características, sendo que, em geral, os que são menores quando filhotes, serão sempre aqueles que se mostrarão mais destemidos, mais vigorosos e mais determinados, quando em crescimento e, até quando adultos, pois que, assim foi necessário que agissem desde o nascimento para que pudessem sobreviver e crescer entre os demais e, com certa “desvantagem corpórea” pelo simples fato de terem sido gerados e/ou nascidos em defasagem temporal em relação aos demais irmãos da mesma ninhada.

 

Sob tais circunstâncias e considerações, jamais se engane ao adotar como critério de escolha de um filhote de rottweiler o seu tamanho em relação aos demais filhotes de uma ninhada.

Esse critério não tem qualquer embasamento técnico ou cientifico e, não raras as vezes, leva quem assim procede, a uma desilusão futura.

 

 

O critério de escolha de um filhote deve sempre fundamentar-se em uma enorme parcela de aprofundamento técnico, outra parcela de bom senso em escolher um determinado “padrão de Rottweiler” que se adeque as características do cotidiano familiar de quem o adquire (Exemplo: Rottweilers “mais leves” para quem tem espaços limitados em casa), uma parcela de honestidade de quem o oferta e uma outra parcela de empatia de quem o adquire para com determinado filhote (Tipo “amor à primeira vista”).

NESTE QUESITO, NÃO RARAS AS VEZES OS MENORES SERÃO OS MAIORES. CUIDADO!!!

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ISBN  978-65-00-82051-5
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