Analisar as fezes dos cães é uma condição que muitas vezes ajuda a identificar de forma preventiva uma série de problemas. Seja a coloração, consistência, frequência ou quantidade, qualquer alteração em algum destes parâmetros pode ser indicativo de que algo de errado está passando com o seu cão.

BOA LEITURA E ESPERAMOS QUE SIRVAM DE AUXÍLIO.

Por mais desagradável que possa parecer esse assunto, é extremamente importante que saibamos o que os diferentes tipos de aspectos de fezes de cães podem significar.
O aspecto das fezes de um cão pode ser um dos primeiros sinais de que algo não está bem com ele, por isso é tão importante tentar nos aprofundarmos um pouco mais sobre esse assunto.
Existem vários aspectos de fezes de cães que nos possibilitam tirar algumas conclusões.
Assim sendo, no que tange ao aspecto, podemos ter fezes com vermes visíveis, de colorações distintas (preta; verde, com muco amarelado; branca; cinza; etc.), com presença de sangue, com presença de vegetais, pastosa, muito mole, liquida, dura, ressecada, em pedaços, dentre outros.
Há de se considerar, no entanto, que nem sempre alterações nas fezes sejam sinônimo que algo grave esteja ocorrendo com a saúde do animal. Não são raras as situações em que tal condição se resume apenas a algum mal estar provocado por um desarranjo gastrointestinal qualquer.

Especificamente no que tange à aparência, existem alguns parâmetros que normalmente são utilizados para avaliar as fezes, tais como:
A consistência: as fezes de um cão devem ter uma consistência sempre firme, porém com plasticidade. Quando essas fezes se apresentarem sem um formato definido (deformadas), pode ser um sinal que o intestino não esteja realizando uma correta absorção dos nutrientes. Diarreia ou fezes aquosas, podem ser um sinal de que algo não está bem com o sistema gastrointestinal do cão.
Por outro lado, fezes demasiadamente duras e sem plasticidade, podem indicar que está havendo desidratação. Há de se considerar, no entanto, que nem sempre fezes moles são sinônimo de diarreia. Entenda a diferença entre diarreia e fezes moles. Há uma diferença sutil entre os dois problemas.

As fezes moles geralmente são volumosas, mas possuem determinada forma e, sendo assim, ainda é possível recolhe-las do chão para limpá-lo. A diarreia é composta de uma quantidade maior de fluidos e costuma ser líquida, sem forma definida e impossível de ser recolhida.
Geralmente é um sinal de que há algum problema de saúde ou de que o animal está tentando expelir possíveis toxinas provindas de algum alimento.
As fezes moles, por outro lado, não costumam ser causadas por infecções ou doenças, e sim por uma alimentação pobre em fibras, ou intolerância a algum alimento que compõe a dieta.

Revestimento: as fezes não devem possuir algum tipo de camada ou revestimento em seu redor, de tal maneira que ao se tentar recolhê-las, não devem ficar resíduos de de muco ou sangue.
A coloração: a cor normal das fezes deve ser um marrom (parecido com chocolate), em decorrencia da existencia de um pigmento chamado de estercobilina. Esse pigmento é formado no final da digestão a partir da oxidação do estercobilinogênio que, por sua vez, é o produto da digestão da bílis do fígado. Alterações na coloração padrão das fezes podem eventualmente indicar problemas.
Conteúdo: A aparência do dejeto deve ser uniforme, porém em algumas situações podem ser observados restos de grama, vermes, corpos estranhos, pelos, dentre inúmeros outros.

Fezes escuras, praticamente negras, são sempre sinônimo de alguma preocupação, pois geralmente indicam que existe a presença de sangue na parte superior do trato gastrointestinal do animal. Existem diversas possibilidades que podem fazer com que exista sangue nas fezes de um cão, desde úlcera no estômago até mesmo determinados tipos de câncer.
Caso observe que as fezes apresentam essa coloração, o mais recomendável é aprofundar-se na pesquisa da causa e procurar um médico veterinário.

Existem inúmeras razões para cão apresentar sangue nas fezes, dentre as quais: parvo vírus; giárdia; parasitas; corpo estranho no intestino; câncer; lesão no ânus, dentre inúmeras outras.
Como se pode notar, existem inúmeras possibilidades que possam justificar presença de sangue nas fezes de um cão, desde algo simples, como ele ter comido lixo e algum objeto ter causado algum dano ao passar no ânus do animal, até mesmo algo mais grave como um câncer.

Em qualquer uma dessas situações, o mais sensato e recomendável é que se mantenha a calma e consultar um médico veterinário. Se eventualmente a hemorragia for grande, não espere até o cão voltar a defecar, pois quanto mais rápido diagnosticada causa do problema e se iniciar um tratamento, melhor é o prognóstico.
Enfim, PRESENÇA DE SANGUE NAS FEZES NUNCA É UM BOM SINAL E JAMAIS DEVE SER NEGLIGENCIADO. CUIDADO E ATENÇÃO.

Se forem observados nas fezes pequenos pontos brancos parecidos com grãos de arroz (Dypilidium caninum) ou parecidos com pedaços de espaguete (Toxocara canis), certamente é porque há presença de vermes.
Parte dos parasitas internos muitas vezes é eliminada junto com fezes e por isso podem ser facilmente visualizados.
Existem diversos e diferentes parasitas que podem surgir nas fezes de um cão, por vezes e dependendo do grau da infestação, até se fazendo prudente e necessário fazer um exame para posteriormente escolher o vermífugo mais adequado a ser ministrado ao animal.

Fezes com coloração esverdeada podem indicar uma série de situações distintas, tal como presença de alguns parasitas, ingestão de plantas (capins por exemplo), ou até mesmo de uma alergia alimentar a algum componente da alimentação.
Ao se verificar frequência de coloração esverdeada nas fezes, a recomendação mais prudente e sensata é consultar um médico veterinário e levar uma amostra das fezes para que ele as possa analisar.
Fezes de coloração esbranquiçada podem indicar que esteja havendo desbalanceamento de cálcio na alimentação, podendo estar em excesso esse nutriente.
Esta situação é mais comum de ocorrer em cães que ingerem muito ossos em sua dieta alimentar. Outro possível motivo é que o seu cão esteja ingerindo objetos estranhos à sua dieta habitual (tais como pedras por exemplo), quando em estado de ansiedade ou estresse.
Nesses casos, o melhor a fazer é avaliar o comportamento cotidiano do animal e intervir para alguma correção, se for o caso.
Fezes de cães com coloração acinzentada também são motivo de preocupação. Este tipo de fezes pode indicar problemas hepáticos (fígado), pâncreas e/ou vesícula biliar.
Algumas possibilidades que podem estar associadas a esse problema são:

- Insuficiência pancreática exócrina: o pâncreas não está produzindo suficientes enzimas digestivas e por esse motivo as fezes não apresentam a tradicional coloração marrom como deveriam;
- Problemas hepáticos: O fígado, por algum motivo, não está funcionando corretamente;
- Obstrução do ducto biliar: Ao existir uma obstrução, as enzimas não podem passar da vesícula biliar para o intestino e por esse motivo as fezes têm coloração acinzentada e não marrom.

A coloração amarelada das fezes é relativamente comum em animais que se alimentam de rações de baixa qualidade, ricas em grãos e cereais, podendo ocorrer também em dietas com altos teores de gorduras.
Pode indicar também que esteja ocorrendo uma passagem rápida de comida pelo sistema digestivo, podendo indicar sintoma de uma inflamação nas paredes do intestino grosso.
Alguns outros motivos para essa coloração amarelada das fezes incluem estresse, mudanças na dieta habitual ou pequenas dores de estômago.

Caso as fezes se apresentem com aparência gelatinosa (muco), geralmente com tonalidade amarelada ou verde, podem ser indícios de alguns problemas, tais como: cólon inflamado, alergia à alimentação, intolerância alimentar, Infecção bacteriana ou viral, doenças autoimunes, parasitas ou síndrome do intestino sensível.
Se eventualmente ocorrer persistência em evacuações com presença de muco, a recomendação é procurar um médico veterinário.
Fezes duras, sem plasticidade (quebradiças), ressecadas e fragmentadas em pedaços, geralmente são indício de constipação, que nada mais é que um distúrbio de defecação, no qual ocorre diminuição na frequência e/ou dificuldade de evacuação (disquesia e tenesmo), resultando no acúmulo intestinal de fezes duras, extremamente ressecadas e mais compactadas.
Quando ocorre de forma persistente e prolongada é empregado o termo obstipação. A constipação em cães pode levar a quadros de desconforto abdominal (com muita dor), com relutância ao movimento e posterior prostração, influenciando diretamente na qualidade de vida do animal. Além disso, o mal funcionamento intestinal com compactação de fezes pode levar ao retardo do esvaziamento gástrico, desencadeando episódios de vômitos.

A constipação é um sinal clínico que pode resultar de diversos fatores, e compreender as causas é fundamental para a implementação do manejo correto de cada animal, incluindo medidas preventivas e tratamentos eficazes. Inúmeras são as causas que podem estar associadas a esse problema, dentre as quais: dieta de baixa qualidade nutricional e pobre em fibras; fatores ambientais, como mudanças no manejo ou até mesmo hospitalização; quadros obstrutivos; distúrbios neuromusculares; distúrbios metabólicos ou eletrolíticos; causas iatrogênicas (estado de doença, efeitos adversos ou alterações patológicas), dentre outros.
A avaliação de cada caso, individualmente, é essencial para uma terapia efetiva, visto que se trata de uma condição multifatorial.
Uma situação relativamente comum e que causa diarreias e também “desagregação” das fezes é a disbiose, a qual nada mais é que uma situação de desequilíbrio orgânico caracterizada pelo aumento acelerado e desordenado dos micro-organismos inimigos ao organismo, com consequente perda do controle desse crescimento pela microflora intestinal (lactobacilos) ou por alterações da fisiologia digestiva.
Em outras palavras, podemos dizer que o funcionamento adequado do intestino está diretamente ligado a uma microbiota intestinal saudável, ou seja, à presença de fungos e bactérias benéficas presentes em quantidade e variedade adequadas.

Essas bactérias e fungos competem naturalmente com outros microrganismos inimigos ao organismo ou, potencialmente patológicos, na busca de alimento para que possam sobreviver, impedindo sua nutrição, fixação e o exercício do seu potencial patológico. Desta forma, a microbiota saudável exerce importante ação protetora ao organismo em equilibro e, quando em equilíbrio, funciona como uma barreira contra os invasores, estimulando a imunidade local ao se aderirem à mucosa intestinal.

Para melhor visualização e compreensão, se fizermos uma analogia simplificada, podemos considerar que o intestino se assemelha a um filtro, que tem por função básica favorecer ou impedir a entrada de determinados nutrientes e, até mesmo, de substâncias que podem ou não ser prejudiciais à saúde.
Se as paredes do intestino estão em bom estado, os nutrientes são bem absorvidos e as toxinas presentes nas fezes não conseguem penetrar na corrente sanguínea.
Situação contrária ocorre quando as paredes intestinais se encontram prejudicadas e a flora bacteriana está em desequilíbrio, gerando ou facilitando o aparecimento de doenças.
Se o conjunto de bactérias naturais do organismo (microbiota) estiver alterado, com bactérias maléficas em maior número, não é possível obter uma boa absorção de vitaminas e minerais, além de ocorrer um desencadeamento quanto ao desequilíbrio na absorção de energia vinda dos alimentos, podendo resultar, dentre inúmeros outros fatores, a obesidade, já que a saúde intestinal está totalmente ligada à normalidade da absorção energética diária.
Além disso, o intestino abriga vários micro-organismos, um número bem alto e diversificado de colônias bacterianas que cuidam da proteção do organismo, e o acúmulo de agressores ao intestino costuma provocar alterações importantes neste equilíbrio, resultando num aumento perigoso no número das bactérias nocivas e na redução das bactérias benéficas.
Quando esses dois fatores (aumento da permeabilidade e quebra no equilíbrio das bactérias intestinais) estão presentes, ocorre então a disbiose, um estado ameaçador e muito sério, que favorece o aparecimento de inúmeras doenças. A disbiose inibe a formação de vitaminas produzidas no intestino (como a B12), e permite o crescimento desordenado de fungos e bactérias capazes de afetar o funcionamento do organismo, além de afetar a produção de enzimas importantes e, com isso diminui-se a capacidade de absorção dos nutrientes.
Os indicativos são: diarreia frequente e sem motivo aparente, presença nas fezes de alimentos não digeridos, candidíase oportunista, além de outros e, sugerem que se faça verificação do equilíbrio da flora intestinal.

Como se pode observar, uma das principais funções da mucosa intestinal é sua atividade de barreira, que impede as moléculas ou microrganismos patogênicos de entrarem na circulação sistêmica. Quando a mucosa é rompida, a permeabilidade intestinal pode ocorrer e as bactérias do intestino, alimento não digerido ou toxinas podem então penetrar (translocar) através dessa barreira.
A translocação bacteriana é a passagem de bactérias e/ou endotoxinas, do interior do intestino, através da mucosa do trato gastrintestinal, para o sangue ou sistema linfático, iniciando uma resposta inflamatória sistêmica. Além disso, fugas de toxinas que atravessam essa parede intestinal, passam então a sobrecarregar o fígado, diminuindo assim a sua capacidade de purificação e a tolerância a uma série de produtos.
E como isso acontece?
Diversos são os fatores que contribuem de forma isolada ou associada à ocorrência desse problema, sendo os principais, o uso indiscriminado e sem critério de antibióticos (que matam tanto as bactérias úteis como as nocivas), a utilização prolongada e repetitiva de antifúngicos e/ou anti-inflamatórios, o consumo continuo de alimentos industrializados contendo corantes, conservantes, e aromatizantes, alimentos muito oleosos ou gordurosos, parasitoses crônicas intestinais e/ou o uso abusivo de vermífugos sem critério e, principalmente o uso desregrado e sem critério de suplementos alimentares.
FICA A DICA!!!
Além desses fatores citados, a idade do animal, o pH intestinal, a ingestão frequente de alimento fermentável, o estado imunológico, a má digestão, o estresse físico e psicológico também são fatores que predispõe à disbiose.
Finalizando, apenas a título de referência, na figura a seguir procurar-se-á apresentar uma série de ilustrações didáticas e simplificadas de tal maneira a facilitar a observação por parte dos tutores, dos principais tipos de fezes de cães e seus correspondentes significados à luz do que foi apresentado neste artigo técnico.


