Passeando com meu Rottweiler

Passeando com meu Rottweiler

Como sabemos, os cães são uma espécie de grupo e têm uma habilidade natural para esse convívio, porém cães domésticos são criados por nós, humanos, e cada um de nós tende a criar cães de formas diferentes, com hábitos, regras e privilégios diversos. Nesse contexto, muitos cães acabam tendo referências diferentes e não necessariamente atuam no universo social como fariam se fossem criados de forma primitiva. Isso faz com que o processo de sociabilização seja mais desafiador, já que, em algum momento, precisamos introduzir os nossos cães ao mundo real onde existem outras pessoas e outros animais que se comportam de forma, muitas vezes, diferente.

Vejamos algumas dicas a seguir:

1) Na fase de filhote, apresente o seu cão a pessoas diferentes. Veja que estamos falando em apresentação, ou seja, o seu cão deve estar na presença de pessoas novas de forma calma e tranquila. É o seu papel como educador/orientador regular essa interação e garantir que pessoas novas não se tornem um evento de extrema excitação para o seu cão.

O objetivo aqui é existir na presença de pessoas e não fazer um verdadeiro carnaval com elas.

 

 

Filhotes que aprendem a respeitar pessoas tendem a crescer sabendo lidar com estranhos de forma mais calma e aceitam a sua presença sem a necessidade de engajamento constante.

 

2) Quando o seu cão puder fazer caminhadas, faça essa atividade com ele definindo uma regra clara: na caminhada, não existe interação ou engajamento com outros cães. Por quê? O seu cão deve aprender a existir e estar na presença de outros cães de forma respeitosa antes de pensar em engajar com qualquer um deles.

Lembre-se que existir ou estar na presença de outros cães é sociabilizar, ou seja, quando você sai para caminhar com o seu cão, ele verá e passará próximo a outros cães, logo então, vai estar automaticamente se sociabilizando, mas de forma educada, sem interferir no espaço ou na atividade deles.

Essa é uma excelente prática que cria cães educados e aptos a estar em diversos ambientes de forma neutra e agradável.

 

3) Quando decidir apresentar o seu cão a outro cão, faça essa escolha selecionando cães que tenham uma boa energia, que sejam calmos e principalmente que estejam sob o total controle dos seus donos. O primeiro encontro deve ser uma caminhada juntos, sem agitação, cada um com o seu tutor e andando na mesma direção. Depois da caminhada, procure um local de descanso e coloque cada um no seu espaço, lembre-se que o objetivo é estar no mesmo ambiente dentro da mesma atividade, mas cada um no seu espaço.

Eventualmente, eles podem se cheirar e interagir, mas sempre com supervisão. Limite a interação por um período e crie espaço novamente para que os cães relaxem e voltem a existir um com o outro.

Lembre-se que você é responsável por fazer dessa uma boa experiência, com muita calma, harmonia e tranquilidade e que, para isso, é necessário fazer intervenções nos momentos certos.

 

4) Evite a aproximação de cães agitados e fora de controle. Esses são os cães que, em geral vêm puxando os seus tutores na guia em sua direção, latindo e pulando de forma frenética e agitada. Nessa hora, você será o protetor do seu cão e ele precisa confiar que você vai manter ele seguro diante de qualquer cenário, por isso, se for preciso, atravesse a rua e siga o seu caminho em outra direção.

Normalmente, cães que puxam na guia apresentam outros problemas de comportamento, não só em ambientes sociais, mas em casa também. Esses são cães que geralmente são mais impulsivos, têm mais liberdade e tendem a controlar o ambiente ao seu redor do seu jeito. Cães são animais instintivos e naturalmente inclinados ao convívio em grupos, mas essa combinação só funciona de forma efetiva quando existe um membro de referência no contexto que define as regras do grupo em situações e cenários diferentes.

 

Quando esse líder não existe, os cães naturalmente tomam essa posição e passam a definir as regras do seu jeito.

Veja que tudo que falamos até agora tem como base de referência a nossa orientação humana no processo, que é essencial para que a fase de sociabilização tenha sucesso. Lembre-se que cães sociáveis não são agitados, descontrolados ou arteiros.

Cães sociáveis sabem se comportar na presença de pessoas estranhas, outros cães, crianças, idosos e estímulos diferentes. Cães sociáveis sabem se controlar, sabem respeitar o espaço alheio e sabem estar em ambientes diversos de forma calma e tranquila.

 

A caminhada para cães, no contexto primitivo, teria como objetivos básicos e fundamentais a migração, a caça e a sobrevivência. No contexto urbano, ela tem apenas o objetivo de migração como atividade física, já que os cães domésticos não precisam mais da caça e a sua sobrevivência depende de nós, mas podemos usar esse entendimento ao nosso favor.

Mas, antes de falar da caminhada em si, vamos avaliar o convívio doméstico e ver onde o problema começa. Cães impulsivos, normalmente são mais agitados, mais invasivos e menos respeitosos, ou seja, esses cães precisam ser bem orientados em casa para que possam mostrar um comportamento mais adequado socialmente.

Dentro de casa, é importante que os cães aprendam as regras simples, como respeitar o espaço das pessoas quando elas comem, descansam ou estão ocupadas, controlar impulsos como correr para a porta quando a campainha toca, pular nas pessoas ou latir para estímulos diversos e saber esperar para se alimentar na hora e no local corretos.

 

 

Existem inúmeras nuances em que se pode identificar um comportamento mais impulsivo dos cães e todas são oportunidades para se trabalhar e moldar esse comportamento, sempre deixando claro o que é certo e o que é errado. É aí que tudo começa, com a nossa presença intervindo nessas situações de forma clara para que os cães aprendam quais são as regras de convivência.

Educação básica, e posterior adestramento e/ou treinamento não se resumem apenas à prática de determinados comandos, mas o uso de habilidades no contexto cotidiano que cria o cão com o comportamento ideal.

Quando os cães aprendem a seguir instruções diariamente, eles estão mais condicionados a considerar a nossa orientação, principalmente fora de casa, por isso, a forma como os cães se comportam na caminhada é apenas um reflexo do que eles fazem dentro de casa.

 

Agora passemos a avaliar a caminhada em si e como ela deve ser conduzida. O primeiro passo é escolher um bom equipamento como guia e uma coleira de boa qualidade, em geral indicados para o trabalho de adestramento. Evite coleiras peitorais, já que são feitas para os cães puxarem e não oferecem um mecanismo de controle adequado a essa finalidade, impossibilitando uma eventual correção.

Lembre-se que correção nada mais é do que comunicação, ou seja, você precisa estar apto para mostrar ao seu cão quando ele comete algum erro, e uma boa ferramenta vai ser essencial para o processo de aprendizado. O seu cão deve aprender a esperar de forma calma e tranquila até que você coloque a guia e a coleira nele.

Quanto mais agitação nessa hora, pior. Evite falar, mantendo-se calmo para criar esse comportamento no seu cão. Espere o tempo que for necessário para que o cão esteja tranquilo, lembre-se: a atividade já começou, por isso seja paciente para criar bons hábitos.

 

O segundo passo é fazer o seu cão esperar para sair, ou seja, mais uma vez você deve trabalhar o controle de impulsos para evitar que o cão saia de casa agitado demais e leve essa energia para a rua. Essa etapa pode demorar, mas, se você for consistente, o seu cão vai entender. Uma vez na rua, defina o lado que o seu cão deve caminhar e o mantenha ali. Defina quando e onde o seu cão deve parar para usar o banheiro e siga em frente.

O seu cão deve andar ao seu lado ou um pouco atrás de você, se ele começar a puxar, pare, dê uma meia volta, espere ele parar e comece novamente. Esse é o momento em que o equipamento certo (guia unificada, colar de elos, etc.) vai ajudar você a criar essa comunicação. Se for preciso, permaneça na mesma rua e ande de um lado para o outro até que o seu cão entenda como o exercício deve funcionar.

No início, não se preocupe com a distância, o objetivo e criar clareza no exercício pelas repetições.

 

 

Durante a caminhada, crie espaço e não permita que o seu cão interaja com outros cães ou com pessoas, esse é um ponto essencial para garantir que a atenção do cão deve estar primordialmente em você.

A caminhada não tem como objetivo a sociabilização como engajamento, ela é uma atividade entre você e o seu cão em que você deve definir as regras e garantir a sua segurança no trajeto.

Neste momento, o seu cão deve ignorar as distrações e seguir a sua direção, mantendo uma postura calma e tranquila ao longo do caminho. Deve-se sempre promover esforços para que os passeios sejam sempre ser prazerosos para ambas as partes e nunca enfadonhos ou estressantes.

 

Na fase de aprendizado, tente praticar em ruas ou espaços com o mínimo de distrações possíveis e, conforme o seu cão for respondendo bem aos exercícios, comece a explorar locais com mais movimento e distrações, mas lembre-se de dedicar tempo a cada etapa.

Cães são indivíduos e cada um deles tem um ritmo de aprendizado próprio, por isso tenha paciência e faça muitas repetições até que o seu cão entenda exatamente o que fazer.

 

Lembre-se de advogar pelo seu espaço e mostre que você tem a capacidade de intervir para garantir a sua segurança quando for necessário.

 

 

Caminhada, como qualquer outra atividade, requer práticas diárias com regras disciplinares claras e consistentes. Se você mostrar o que quer com clareza e objetividade, o seu cão vai seguir as suas instruções.

Se o seu cão for reativo ou tiver um histórico de agressividade, não hesite em buscar ajuda profissional qualificada. O sucesso dessa atividade vai depender da sua disposição para aprender a melhor forma de se comunicar com o seu cão. Lembrem-se sempre que, a arte de educar (adestrar e/ou treinar) um cão ou até mesmo qualquer outro animal deve ter por princípios básicos e fundamentais a educação e o respeito mútuo.

Educar não é sinônimo de controlar, e sim de procurar estabelecer vínculos de amizade, confiança e comunicação entre as partes, entre o educador (adestrador e/ou treinador) e o educando (cão).

O CÃO DEVE SER TRATADO COMO ALIADO, E NUNCA COMO UM SUBORDINADO, COMO UM PARCEIRO E NÃO UM SUBALTERNO.

 

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ISBN  978-65-00-82051-5
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