Os Rottweilers têm uma coloração muito particular, que os torna fáceis de serem identificados. Sua pelagem em geral é densa e negra com manchas marrons ou ferrugem em zonas bem características (nas quatro pernas, incluindo as partes internas das pernas traseiras, regiões da cabeça e peito).
No entanto, alguns Rottweilers ao nascer apresentam pequenas manchas ou alguns fios brancos na região peitoral, sendo essa uma característica indesejável para um cão destinado à futura exposição.
Mas, porque eventualmente alguns filhotes nascem assim e/ou, porque surgem posterior e aleatoriamente alguns pelos grisalhos em determinadas regiões do corpo do cão?
Passaremos a seguir, a analisar de forma mais aprofundada tal condição, de tal maneira a tentar desmistificar alguns dogmas ainda existentes sobre o assunto em questão. Sob tal condição, voltemos então à matriz natural da raça Rottweiler, ou pelo menos daquela que se têm informações que seja. Historicamente há a seguinte hipótese extraída literalmente da enciclopédia Wikipédia:

“O Rottweiler provavelmente descende de cães romanos (provavelmente o cão Molossus) que eram criados como cães de guarda e guardiões de rebanhos. Esses cães imigraram com as legiões romanas através dos Alpes suíços, até chegarem nos arredores da Floresta Negra no sudoeste da Alemanha, onde tiveram contato com os cães da região. Houve, então, uma miscigenação com os cães locais, dando origem à versão primitiva do que hoje chamamos de Rottweiler.
Esta versão primitiva e ancestral da raça que conhecemos hoje, possuía grande semelhança à raça Grande Boiadeiro Suíço, a qual nos primórdios pode ter sido parte da mesma raça ou vice e versa.

A tarefa principal deste novo cão alemão também era a condução e a guarda de grandes rebanhos, a lida com o gado, a tração de pequenas carroças com cargas de leite e carne e a proteção do dono e seu patrimônio. Os açougueiros tradicionalmente os mantinham e utilizavam estes cães para auxiliá-los nestas várias tarefas.
No final do século XIX, com a chegada das ferrovias, proibiu-se o transporte de rebanhos pelas estradas, e todos os chamados “cães de açougueiro” (Cães de Boiadeiro) foram quase totalmente extintos do país.
Porém na cidade de Rottweil, fiéis admiradores destes cães, decidiram reunirem-se com o objetivo de buscar resgatar a raça através de uma única fêmea pura restante naquela oportunidade. O resgate deu-se através de cruzamentos bem selecionados com outros cães de tipo similar. Com o sucesso, posteriormente foi fundado um clube (que posteriormente deu origem ao ADRK nos anos 1920) e a raça recebeu o nome de Rottweiler por causa da cidade de Rottweil: seu nome original “Rottweiler Metz-gerhund”, significa “Cão de açougueiro de Rottweil”.
No início do século XX (1910), quando foram pesquisadas diversas raças para a função policial, o Rottweiler foi avaliado e em pouco tempo demonstrou ser extraordinariamente adequado às tarefas do serviço policial.
E por suas qualidades foi ganhando popularidade, permanecendo até hoje entre os cães de guarda mais populares do mundo.
O primeiro cão da raça a ser registrado no stud book foi Russ von Bruckenbuckel nascido em 1904, mas registrado apenas em 1907 com a fundação do DRK (Deutscher Rottweiler Klub) em 13 de janeiro do mesmo ano.
O DRK foi o primeiro clube da raça Rottweiler, mas acabou “extinto” após ser fundido com o IRK (Internationalen Rottweiler Klub) na formação do ADRK (Algemeiner Deutscher Rottweiler Klub) em 3 de julho de 1921, que desde então é o clube oficial da raça até hoje e é considerado a autoridade máxima sobre o Rottweiler à nível mundial.
Os primeiros exemplares da raça foram trazidos ao Brasil a partir do ano de 1967 no Rio de Janeiro. Mas o primeiro canil da raça em solo brasileiro só foi registrado em 1972 e chamava-se canil Alcobaça, também do Rio de Janeiro. ”
Ainda dando sequência a essa linha de raciocínio, vejamos o que diz a mesma enciclopédia (Wikipédia) sobre a definição de cão Mollossus:
“Molosso é uma categoria de cães de físico forte, de porte grande a gigante (geralmente), e que possuem traços físicos em comum com o extinto cão chamado Molossus. A palavra deriva de Molóssia, uma área do Epiro antigo, hoje a Grécia ocidental, onde o grande cão guardião de rebanhos era conhecido como Molossus. Estes por sua vez foram tomados como parâmetro comparativo para classificar raças de cães. São na sua maioria, pesados, ossudos, com cabeça maciça, focinho largo em geral curto; lábios espessos e pendentes, stop considerável, pescoço musculoso, corpo maciço e tórax amplo e arqueado. A função original dos molossos sempre envolveu a guarda, inicialmente a guarda de rebanhos contra predadores como lobos, ursos e leopardos, justificando assim o tamanho, força e coragem destes cães. Muitas raças de molossos primitivos ainda são usados como guardiões de gado. A mandíbula de um cão tipo molossóide possui muita força graças ao formato da cabeça que proporciona aos conjuntos de músculos maior contração e “poder de destruição”. De estrutura forte e pesada, reúnem características físicas que favorecem ataques mais poderosos. Cães desse tipo eram usados pelos romanos, gregos e assírios como cães de guerra, e para proteção de rebanhos, caça a lobos e ursos, e nas arenas dos anfiteatros para combater com leões, ursos, gladiadores e outros cães e animais ”
Sob tal ótica, há ainda uma tese bastante robusta que, a raça Cão Boiadeiro Suíço teve sua origem atribuída ao Cão Montanhês Tibetano (erroneamente denominado de Mastim Tibetano).
Novamente vejamos o diz a Wikipédia sobre essa raça de cães:

“O Mastim Tibetano, também conhecido como Mastiff Tibetano, é uma raça muito antiga e primitiva, que tem origem nos povos nômades do Tibete, Índia, China e Nepal. É também uma das raças mais próximas do extinto cão molossus romano, que deu origem a todos os cães do tipo molosso do mundo.
Esta raça gigante foi difundida pela Ásia e pelo continente europeu, e passou a participar de exposições pela Europa e América do Norte. Após mais de um século de cruzamentos seletivos, tornou-se um bom cão de companhia e guarda.
O Mastiff Tibetano foi e ainda é utilizado como um guardião de rebanhos, aldeias, mosteiros e palácios. Tribos de Himachal Pradesh, no extremo norte da Índia, utilizam-no amplamente para proteger ovelhas do ataque de leopardos-das-neves.
Muito popular na China, é considerado símbolo de muito prestígio.
Os machos podem possuir até 99 cm de altura. Os cães criados no Ocidente pesam entre 45-72 kg, embora existam exemplares mais pesados. O nome “Mastim/Mastiff Tibetano” é um equívoco, pois esse cão não é um verdadeiro Mastiff. O termo “Mastiff” foi usado primeiramente porque significava “cachorro grande”.
Um nome melhor para esta raça seria Cão Montanhês Tibetano” ou, para abranger toda a sua origem: Cão Montanhês do Himalaia”

Uma vez feita uma análise cronológica sobre a genealogia da origem da raça Rottweiler, façamos a partir de então uma avaliação sensata e cientificamente fundamentada sobre o assunto aqui em discussão, ou seja: “Pelos brancos em Rottweilers”.
Como se pode notar pela simples análise das fotos ilustrativas até então apresentadas, parece razoavelmente simples e fácil de entender que, as matrizes genéticas ancestrais da raça Rottweiler apresentam manchas localizadas (em geral na região peitoral) e, essa característica está fixada no seu código genético herdado das suas matrizes ancestrais, podendo ou não ser evidenciada nas gerações futuras.
Trata-se de uma característica fixada no código genético da origem da raça, e que, por vezes poderá surgir em algum filhote de determinada ninhada e simplesmente não surgir em nenhum filhote da mesma ou de outra ninhada, mesmo que os pais sejam os mesmos e impecáveis do ponto de vista fenotípico e até mesmo grandes campeões da raça.
Assim sendo, sem muito esforço, cai por terra o primeiro dogma amplamente difundido em uma série de veículos de comunicação e sites mal informados, ou seja: “Os Rottweilers “puro sangue” com manchas brancas no peito são considerados geneticamente “defeituosos”, pois elas são indicação de má linhagem de reprodução”.
Alguns Rottweilers eventualmente ao nascer, apresentam fios brancos isolados no peito que, por vezes até se caracterizam como uma mancha.
Isso não significa que exista necessariamente um “defeito genético”, e sim o evidenciamento de uma característica que se encontra fixada na sua matriz genética, sendo essas características específicas desses animais.
Dito isso, um Rottweiler pode ser dito “puro sangue” (???) e apresentar manchas ou fios brancos no peito, embora algumas pessoas, erroneamente, acreditem que são resultados de um cruzamento com outras raças.
O subpelo de um Rottweiler não deve ser visível sem escová-lo ou examiná-lo de perto. A pelagem deve preferencialmente ser plana e paralelamente aderida ao corpo. O subpelo geralmente contém tons marrons e eventualmente até mais claros, como pelos brancos nos cães mais velhos.
Novamente aqui, a matriz genética ancestral se faz presente, ou seja, os ancestrais da espécie (Canis luppus) e, especificamente da raça Rottweiler, apresentam pelos densos e não curtos.
Do ponto de vista genético, os pelos densos nos animais e as penas densas nas aves (denominado nevadismo) são sempre características ancestrais, porém, por questões ainda totalmente desconhecidas, os pelos curtos nos animais e as penas curtas (intenso) nas aves que, são mutações e, embora sendo mutações, são dominantes e não recessivos.
Estranhamente isso ocorre e, tais características, embora advindas de mutações genéticas ocorridas nos cruzamentos (deveriam assim ser recessivas), sendo dominantes, preponderam e fixam-se nos cruzamentos subsequentes.

Da mesma maneira que eventualmente surgem pelos brancos em alguns Rottweilers decorrentes de “informações genéticas ancestrais” contidas no genoma da raça que, tem por origem ancestral cães com tais características, também os pelos longos eventualmente surgem em alguns exemplares e, pelo mesmo motivo.
Dessa maneira, alguns Rottweilers que possam eventualmente nascer com algumas manchas de pelos brancos (quase sempre na região peitoral) e, alguns outros com os pelos mais longos em relação ao referencial padrão da raça (porém parecidos com o referencial padrão ancestral) não são cães oriundos de miscigenações de raças diversas como muitos erroneamente pensam. Essas “informações genéticas” estão contidas no genoma dessa raça e, assim sendo, com certeza absoluta, algumas vezes se mostrarão presentes em alguns exemplares que, embora até possam não estar em conformidade com determinado padrão de época para a raça, ainda assim serão exemplares de pureza racial comprovada.
Em síntese, pelos brancos e/ou pelos longos que eventualmente surgem em determinados exemplares de cães da raça Rottweiler não os descaracteriza como bons cães de trabalho e nem mesmo como exemplares “puros de origem”, ou seja, cujos pais sejam cães puros e com atendimento a todas as características padrão da raça em determinado momento.
TAIS CONDIÇÕES FENOTÍPICAS SÃO FACILMENTE EXPLICADAS POR ESTAREM FIXADAS NO SEU CÓDIGO GENÉTICO HERDADO DAS SUAS MATRIZES ANCESTRAIS. SIMPLES ASSIM…

