Posso dar carne crua para meu cão???

Posso dar carne crua para meu cão???

Sempre há certa polêmica quando o assunto é fornecer aos cães alimentos naturais e crus, principalmente carnes de um modo geral. Sobre tal assunto, parece haver mais discórdia que consenso, porém não é intenção deste artigo enveredar pelo aspecto da polemização do tema, e sim tentar apresentar alguns tópicos a serem discutidos e observados, assim como registrar a experiência particular em nosso canil de Terriers Brasileiros e Rottweilers.

Primeiramente há de se considerar que os cães de um modo geral são animais carnívoros. Isso significa que o seu organismo foi adaptado ao longo dos séculos para digerir carnes, vísceras, gordura de origem animal e até mesmo alguns ossos, desde que estejam crus.

Obviamente que, não se pode deixar de reconhecer que, à medida que os canídeos foram sendo domesticados pelo homem e, por consequência diversas raças sendo desenvolvidas para as mais variadas finalidades (caça; esportes; guarda e proteção; farejamento; companhia; dentre outros), pode-se considerar que também acabou por ocorrer determinados “ajustes na anatomia” desses cães domesticados em relação aos seus ancestrais primitivos, condição essa que também vale para o seu comportamento e para as preferências alimentares, nos remetendo a uma linha de raciocínio que esses cães domésticos até poderiam ser considerados onívoros, ou seja, são capazes de comer e permanecer saudáveis com fontes de alimentos variadas, tanto animais quanto vegetais.

Na verdade, essa linha de raciocínio não é bem assim, ou seja, embora até possa ter alguma lógica, os canídeos são considerados quanto à sua base alimentar, animais carnívoros.

Vejamos então:

 

O que é um animal carnívoro?

São considerados animais carnívoros aqueles que têm como base da dieta a proteína de origem animal, ou seja, alimentam-se estritamente da carne e ossos de outros animais.

Esses animais precisam de alguns nutrientes encontrados especialmente na carne e metabolizam aminoácidos para gerar energia.

 

 

 

O que é um animal herbívoro?

São considerados animais herbívoros aqueles que possuem uma dieta basicamente vegetal ou uma alimentação à base de algas.

O organismo deles é adaptado para absorver os nutrientes das plantas para gerar energia e sobreviver.

 

 

 

O que é um animal onívoro?

Os animais onívoros são aqueles que se alimentam tanto de carnes quanto de vegetais. Os seres humanos, estão incluídos nesse grupo.

 

 

 

 

 

Há de se reconhecer, no entanto, que os cães são capazes de digerir e aproveitar os nutrientes de determinados vegetais, tais como alguns legumes e frutas, mas sua morfologia e metabolismo indicam que esse “pseudo onivorismo” é infinitamente mais limitado que o da espécie humana, por exemplo.

Basta observar como a dentição dos cães que é composta por dentes que furam, dilaceram carne e destroem ossos, difere substancialmente da dentição humana, que favorece substancialmente a mastigação.

 

 

 

A quantidade de amilase (uma enzima que inicia a digestão do amido) na saliva do cão é quase insignificante; enquanto que na boca humana é abundante. Os canídeos apresentam estômagos relativamente grandes em relação ao corpo e, intestinos delgados curtos, inadequados para a digestão de carboidratos complexos, tais como grãos. Cães produzem sua própria vitamina C, praticamente dispensando a suplementação dessa substância originalmente presente nos vegetais.

O pH estomacal dos cães é extremamente ácido (chegando a 1), o que nos leva a concluir facilmente que resulta de uma provável adaptação natural da espécie ao longo dos anos para o consumo de carnes cruas (inclusive por vezes até mesmo contaminadas).

 

 

 

Levando-se em consideração apenas esses aspectos citados, não haveria problema em dar carne crua para cães, porém o problema a ser analisado com mais atenção está nos temidos micro-organismos causadores de doenças.

Alguns estudos demonstram que alguns patógenos presentes nas carnes cruas não são capazes de induzir doenças em cães, mas podem desencadear doenças em humanos.

Como exemplo, pode-se citar a salmonelose e a colibacilose como algumas das doenças que eventualmente podem não ser manifestadas pelo cão, mas podem acabar afetando os tutores.

 

Em síntese, cães podem comer carne crua, mas a origem da carne é fundamental para aumentar a segurança dele e de todos os seres humanos que tenham contato direto e cotidiano com eles. Portanto, a carne deve ser sempre adquirida de açougues devidamente certificados e com garantia de procedência.

Embora não haja necessariamente uma garantia fundamentada que o congelamento elimina totalmente qualquer bactéria que eventualmente possa contaminar uma determinada carne, parece haver consenso que se deva congelar previamente a carne por período que varie entre dois e cinco dias. Quanto à escolha do corte a ser fornecido, não é necessário dar ao cão apenas carnes nobres, mas dê preferência aos cortes mais magros, como lagarto, acém, músculo, patinho e coxão duro, pois o excesso de gordura contribui para o aumento de peso e para determinados problemas de saúde.

 

Além de carne vermelha, também é possível oferecer frango, porco, peixe e até carne de cordeiro, sempre dando preferência aos cortes mais magros.

 

Muito utilizados como petiscos, os pés de galinha são naturalmente ricos em proteínas, glucosamina e condroitina, ambos os compostos naturais são blocos de construção de cartilagem e tecido conjuntivo, por consequência, muito recomendados por apoiarem a saúde articular e a mobilidade dos cães. Também é fonte natural de colágeno tipo II, ótimo para a saúde da pele e das articulações. Além disso, os pés de galinha podem atuar como escovas de dentes comestíveis e totalmente digeríveis, apoiando a gengiva e a saúde dentária.

 

Há de se observar, no entanto que, devem ser oferecidos sempre crus, pois as altas temperaturas de cozimento transformam ossos de frango em estruturas duras, frágeis e quebradiças, semelhantes a vidro (sem elasticidade), que se quebram em lascas afiadas e pontiagudas se os cães os mastigarem, podendo eventualmente causar ferimentos graves.

No entanto, ossos de galinha crus ou desidratados (secos), são considerados seguros. Ao contrário dos ossos de frango cozidos, a sua textura é bastante macia e quebradiça e, quando são mastigados, esmagam-se, mas não se partem em objetos pontiagudos. Eles são totalmente digeríveis para cães.

 

 

 

Faz-se importante observar, no entanto, que cães que possuem doenças renais não podem comer pés de galinha devido ao grande conteúdo proteico do alimento.

Esse tipo de alimento também não deve ser dado frequentemente para cães que tomam ou tomaram por muito tempo remédios antiácidos, os famosos “prazois”.

Vale ressaltar novamente que os ossos só devem ser oferecidos crus, nunca cozidos.

 

 

É preciso atentar-se a alguns detalhes antes de oferecer o alimento aos cães.

São eles:

  • Não dar pés de galinha em excesso, uma vez que eles podem prender o intestino do cão;
  • Supervisionar o cão durante a mastigação para evitar o risco de engasgo, principalmente se o mesmo for muito apressado para comer;
  • Congelar previamente os pés de galinha por pelo menos 48hs no intuito de inativar determinados tipos de possíveis parasitas.

 

 

Como dissemos na introdução deste artigo técnico, não é nosso intuito promover qualquer tipo de polemica em relação ao tema aqui abordado, até mesmo porque, é um tema muito controverso onde a heterogeneidade de opiniões prepondera em detrimento do consenso.

Algumas coisas, no entanto, parecem, de certa forma, ser de consenso da grande maioria dos cinófilos e boa parte dos veterinários, ou seja: pode ser fornecida carne crua aos cães, porém a origem e a qualidade dessas carnes são os principais fatores a serem observados nessa questão, uma vez que essa não observância pode resultar em contaminações diversas e vetores em potencial de algumas doenças.

A título de intercambiar informações com nossos leitores e clientes, temos fornecido com certa regularidade aos nossos cães adultos e cadelas gestantes, tanto pescoços quanto pés de frango crus e, para filhotes em fase de desmame e cadelas em lactação, carne bovina moída crua. A carne que optamos por fornecer é o músculo dianteiro bovino, pois trata-se de uma carne bastante consistente e com muito pouca gordura. 

Para nós, os resultados observados têm sido muito satisfatórios, principalmente no desenvolvimento dos filhotes após a fase de desmame.

FICA A DICA!!!

 

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