Nem só de ração precisa viver um cão.

As rações secas de boa procedência são alimentos saudáveis e em geral balanceados sob o aspecto nutricional, e que ajudam os cães a manterem uma boa nutrição e uma dieta balanceada, porém, muitos tutores gostam de ofertar-lhes comidas diferentes. Por isso, a alimentação natural para cães vem se destacando cada vez mais.
O conceito de alimentação natural para cães ainda é bastante controverso atualmente, principalmente por dois motivos, a saber:
– Não existir no Brasil um órgão legislador e fiscalizador responsável por determinar o que é um alimento natural;
– Cães e gatos necessitam de mais de 50 nutrientes diferentes diariamente, mas não se consegue atender essa demanda apenas com ingredientes comuns, como o arroz, o milho, a soja, os vegetais e as carnes. Assim sendo, é praticamente impossível garantir uma refeição balanceada aos cães e gatos sem o uso de nutrientes sintéticos, tais como vitaminas e minerais.

Sob tal enfoque, os termos mais recomendados seriam então “dieta caseira” ou “alimentação caseira”, que seriam o oposto da dieta comercial. Observar, no entanto que, quando nos referirmos a alimentação natural (“dieta caseira” ou “alimentação caseira”), não é a mesma coisa que “resto da comida dos humanos”.
Em geral, sobras de nossa alimentação tem maneiras de preparo, ossos e/ou espinhas, inúmeros temperos e condimentos que podem ser prejudiciais aos cães.

Dentre inúmeras outras coisas que se pode ofertar aos cães, eles também podem comer legumes, verduras e frutas, por exemplo. Além de serem ótimos petiscos (snack), também complementam os nutrientes que o cão precisa para se desenvolver forte e saudável.
Em geral, têm boa palatabilidade, baixo teor de calorias e são ricos em água, diversos minerais e vitaminas.
Neste artigo técnico vamos nos referir apenas aos legumes e, oportunamente escreveremos outros artigos sobre as frutas e verduras.
Alguns legumes, como o chuchu, nabo, pepino, batata-doce, cenoura, berinjela, abóbora e beterraba, são excelentes fontes de vitaminas do complexo A; B e C, minerais tais como o ferro, cálcio, potássio, dentre outros, além de alguns deles serem potenciais fontes de carotenoides.
Essas vitaminas e minerais têm grande importância na saúde do cão, atuando no bom funcionamento do sistema nervoso, do sistema imunológico, da pele e dos músculos.
Quanto aos carotenoides, são de vital importância para o fortalecimento da visão e da saúde e qualidade da pele e dos pelos.
Alguns legumes, no entanto, devem ser evitados, pois podem trazer algum desconforto digestivo, devido à acidez e/ou picância, por exemplo, dentre eles pode-se citar:

– Pimenta: Na verdade trata-se de uma especiaria e não legume. Esse alimento não deve ser oferecido em hipótese alguma pois pode provocar diversos danos intestinais ao animal e até mesmo sintomas de intoxicação.
– Alho e cebola: Alho, cebola, alho-poró e cebolinha são tóxicos para animais de estimação, seja cachorro ou gato, pois eles contêm alguns elementos que os cães e gatos não conseguem metabolizar da mesma forma que os humanos. Sua ingestão pode desenvolver um quadro de anemia ou complicações gastrointestinais que podem provocar diarreia, dores abdominais e vômito.

– Milho verde: Milho verde cru ou malcozido pode causar má digestão ou diarreia e o sabugo se ingerido, obstrução intestinal que pode eventualmente até resultar em procedimento cirúrgico para remoção.
Apesar de o milho possuir valores nutricionais bastante ricos em vitaminas e minerais, a espiga (sabugo) não traz benefício algum para a saúde dos cães. Portanto, evite dispor a espiga caso ofereça milho para o cão.

– Soja: Na verdade, assim como a ervilha e o feijão, tecnicamente a soja é uma leguminosa. Apesar de estar presente em algumas rações, os cachorros não conseguem digerir e processar este alimento isolado. A soja pode estimular alguns desconfortos gastrointestinais, como dores na região abdominal e flatulência. Isso ocorre devido à presença de um componente na soja, conhecido como fitato.
Os fitatos são conhecidos por diminuir a disponibilidade de diversos nutrientes, em particular o zinco (um mineral muito importante para o funcionamento do organismo, inclusive para a digestão de outros nutrientes) e o cálcio, diminuindo também a absorção de proteínas e aminoácidos.

– Cenoura: Alguns legumes (tais como a cenoura) podem ser oferecidos crus, como petiscos (snacks). Ao habituarem-se a come-los, os cães simplesmente adoram e, além de serem bastante nutritivos. A cenoura possui elevado valor nutritivo, sendo uma das melhores fontes de vitamina A e betacaroteno.
Contém também carboidratos, cálcio, sódio, vitaminas B1, B2, C e potássio.
Dentre inúmeras propriedades da cenoura, destacam-se: manutenção saudável e bonita da pele, pelos e unhas, fortalecimento da visão (olhos), reforço do sistema imunológico, regulação dos níveis de açúcar do sangue, diminuição de risco de câncer de cólon, protege o sistema cardiovascular (coração), dentre outras.

– Berinjela: Devido à grande quantidade de fibras, a berinjela ajuda no bom funcionamento do intestino. Também é fonte de muitas vitaminas, como a A; B; C e K, além de possuir boas doses de minerais, como zinco, cálcio, ferro e magnésio.
Ajuda a combater o colesterol ruim (LDL), colabora com a saúde cardíaca, já que as fibras antioxidantes, o potássio, a vitamina C, a vitamina B6 e os fito nutrientes melhoram o fluxo sanguíneo.

– Abobrinha italiana: É rica em fibras, carotenoides, vitaminas E, A e C, assim como alguns minerais como selênio, cálcio, zinco, fósforo, ferro, cobre e manganês, além de ter poucas calorias. Além de ajudar no funcionamento adequado do sistema nervoso e imunológico, caracteriza-se por sua fácil digestão e por ajudar no bom funcionamento do intestino.
As sementes dessa espécie apresentam alto teor de zinco, o qual está relacionado com a prevenção da hiperplasia da próstata. As sementes também funcionam como suplemento proteico.

– Abobora paulista: É rica em carboidratos e fibras alimentares, sendo uma boa fonte de vitaminas A; B; C; E e K, além de diversos minerais, tais como o ferro, o cálcio, o magnésio, o fósforo, o manganês e o zinco. Apresentam baixo índice glicêmico, auxiliam na produção de insulina e curam os tecidos pancreáticos o que pode prevenir a diabetes.
Também possui propriedades que ajudam a prevenir o câncer da mama, do colo do útero, de pulmão, do cólon e algumas dermatites, pois são ricas em antioxidantes, especialmente os carotenoides, que ajudam no combate ao metabolismo das células cancerígenas.

– Chuchu: É muito rico em potássio, que ajuda a manter os níveis normais da pressão arterial, além de inúmeros outros minerais como cálcio (bom para a saúde dos ossos), magnésio (bom para a saúde cardiovascular), fósforo (previne o envelhecimento do cérebro) e zinco (poderoso antioxidante) e ferro (transporte de oxigênio pelas hemácias para todos os órgãos e tecidos).
Também é boa fonte das vitaminas A; B e C e, também é rico em vitamina K, que é vital para a saúde óssea e a coagulação sanguínea, além de ser rico em fibras e pobre em calorias.

– Pepino: se destaca por ter poucas calorias, bastante água e fibras solúveis em sua composição. O vegetal também é fonte de vitaminas A; C; K e do complexo B e, contém diversos minerais importantes tais como magnésio, potássio, fósforo, cálcio e manganês, além de antioxidantes.
Melhora o trânsito intestinal, previne o câncer, por ser rico em flavonoides e ligninas (que são antioxidantes poderosos), melhora bastante a saúde da pele, unhas, olhos e pelos, por conter antioxidantes e carotenoides, melhora a saúde do coração, por ser rico em potássio.

– Beterraba: É rica em vitaminas A; B e C, cálcio, ácido fólico, potássio, fósforo, cálcio, zinco, ferro, manganês e fibras. Contém antioxidantes que previnem doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer, aumenta a capacidade física durante os exercícios, além de auxiliar na redução do colesterol sanguíneo.
Atua no combate à anemia, problemas de baço e fígado, prisão de ventre, dentre inúmeros outros.

– Batata doce: Há variedades com polpa branca, amarela, rosada, roxa e alaranjada que fornecem vitaminas do complexo B; C e A, antocianinas propriedades antioxidantes e carotenoides e minerais, tais como o ferro, o cálcio, potássio, o enxofre, o potássio e o magnésio. Também é rica em fibras, proteínas, e carboidratos, niacina e tiamina.
Fortalece o sistema imunológico, enquanto os sais minerais ajudam a controlar a pressão arterial, proporciona ganho de massa muscular e saúde da pele, unhas, olhos e pelos, além de ajudar no controle da diabetes.
Há de se considerar, no entanto, que em geral grande parte dos legumes são pouco atrativos se usados crus como petiscos (snacks), à exceção, por exemplo, da cenoura, abóbora paulista e batata doce.
Algumas dicas interessantes que também podem ser adotadas como padrão, são as seguintes:

– Fazer no liquidificador uma mistura de legumes variados com água e, após isso feito, cozinha-los com POUCO arroz e sem temperos, deixar esfriar e, posteriormente ofertar diariamente uma determinada porção aos cães. Adicionar um ovo (cru) a cada porção;
– Fazer no liquidificador uma mistura de legumes variados com água (adicionar dois ovos (crus) a cada litro) e, após isso feito, colocar esse “suco de legumes variados” em pequenas formas (copos plásticos descartáveis, por exemplo), colocando-as no congelador para que se solidifiquem. Posteriormente, em dias de calor intenso ofertar esse “sorvete de legumes” aos cães. Diversão e nutrição garantidos.
– IMPORTANTE OFERECER COMO PETISCOS E COM MODERAÇÃO!
Como se pode observar, inúmeras são as vantagens em ofertar legumes aos cães e, as opções são múltiplas, basta colocar a criatividade para funcionar.
Trata-se de uma prática bastante simples, saudável e relativamente barata.
Igualmente, há inúmeras maneiras de fazer isso, sendo que neste artigo técnico apresentamos essas duas sugestões.

