Rottweiler x Calor – Hipertermia

Rottweiler x Calor – Hipertermia

Uma das teorias da origem da raça Rottweiler admite que provavelmente tenha sido na época das conquistas do Império Romano, onde alguns cães de uma raça antiga de cães originários da Grécia, denominada Molossus acompanhavam essas legiões de soldados durante as conquistas por toda a Europa e também parte da Ásia. Esses cães imigraram com essas legiões romanas através dos Alpes, guardando homens e tocando rebanhos, sendo inicialmente criados como cães de guarda e boiadeiro.

Nos arredores de um vilarejo chamado Rottweil (Vila Vermelha), situado na Alemanha, eles se encontraram com cães já existentes nessa região, de onde surgiu então a raça Rottweiler (Cão de Rottweil). Originariamente, esses cães tinham a pelagem mais densa, negra e, com duas camadas de pelos, ou seja, o sub pelo e o pelo propriamente dito.

O sub pelo é caracterizado por duas camadas diferentes de pelos, sendo que, os cães de dupla pelagem apresentam em geral, sub pelo denso e macio, que protege o corpo das temperaturas mais baixas, e o fios da parte externa, geralmente são mais longos e normalmente mais ásperos.

Em síntese, trata-se de uma raça de cães desenvolvida e adaptada a temperaturas baixas, bem características da região onde a raça se originou (Alpes – Alemanha).

Sob tal contexto, há de se pressupor que os Rottweilers não toleram muito bem o calor, principalmente o das regiões tipicamente tropicas e predominantemente abafadas.

Inicialmente, essa raça de cães apresentava a pelagem mais densa em função de sua própria origem ancestral e, também por causa da seleção natural da espécie em adequar-se à necessidade de proteção térmica das severas condições climáticas das regiões onde existiam.

Com o passar dos anos e com a criação cada vez mais seletiva, os exemplares criados foram obedecendo a determinado “padrão de criação” que passou a visar um determinado “padrão de pelagem”, com menor densidade. Não obstante a tudo isso, há de se considerar que a pelagem negra constituída por duas camadas espessas e bastante compactas (pelo e sub pelo) propicia naturalmente uma boa retenção de calor externo e interno, a saber: o calor gerado pelo próprio corpo do cão e, o calor absorvido pelo meio externo, por irradiação solar por exemplo.

Em síntese, a raça Rottweiler evoluiu e adaptou-se no decorrer dos anos para apresentar melhor performance e desempenho em condições de temperaturas mais amenas, podendo em determinadas condições de exposição a elevadas temperaturas, apresentar quadros de hipertermia não-febril.

Chamada de hipertermia não-febril, essa condição não decorre de nenhuma infecção ou inflamação, sendo uma situação relativamente comum quando alguns cães sentem calor excessivo e incontrolável. Trata-se de um problema sério e que deve ser tratado imediatamente, pois, infelizmente, pode eventualmente colocar a vida do animal em risco.

Devemos levar em consideração que os cães têm pouquíssimas glândulas sudoríparas, portanto dependem basicamente da respiração para regular a temperatura corporal, em geral regulando-a até aproximadamente o limite de 39°C.

 

O problema é que, se o calor do cão for excessivo, esse mecanismo de compensação pode não ser suficiente para impedir que a temperatura do corpo ultrapasse a barreira dos 40°C. São em situações como essa em que a hipertermia ocorre e, nessas temperaturas mais elevadas os órgãos internos do animal começam a sofrer e passam então a ter problemas.

Os cães que mais sofrem esse tipo de problema são aqueles de focinho curto (braquicefálicos), de pelagem negra, muito grossa e densa, os obesos e os mais idosos.

 

Alguns sinais básicos que nos possibilitam observar que os cães se sentem incomodados com o calor são: respiração ofegante e boca em geral aberta com a língua exposta, salivação excessiva, redução no apetite, busca constante de locais mais sombreados ou frescos, deitam-se de bruços e de forma “esparramada” com as patas bem abertas, à busca de obtenção de uma maior superfície corporal de contato com o piso (que em geral, se encontra mais fresco), inquietude ou apatia e, em situações mais severas podem ocorrer também vômitos, diarreias, taquicardias e até mesmo convulsões.

 

Existem algumas maneiras simples de dar conforto e auxiliar bastante os Rottweilers em situações que envolvam hipertermia, principalmente em épocas onde os dias de calor intenso e abafado bem característicos de regiões tropicais como o Brasil, se fazem constantes.

 

 

A primeira delas é proporcionar ao cão, local apropriado e confortável (abrigo sombreado e bem ventilado, árvores, etc.), para que possa estar protegido da incidência direta de irradiação solar na parte dos dias em que isso se fizer necessário.

 

 

 

Outra maneira de amenizar a hipotermia e, ao mesmo tempo fortalecer os laços de entrosamento, confiança e companheirismo entre o cão e o tutor, seria criar o hábito de brincar com água. Geralmente brincadeiras com esguichos (mangueiras de jardim) ou jogar objetos dentro de lagos ou tanques para que o cão os vá pegar funcionam bem e, os Rottweilers simplesmente adoram qualquer brincadeira que envolva água.

 

 

 

Congelar água de coco e fornecer esses cubos congelados para os Rottweilers também ajuda muito, pois além de diverti-los bastante, também hidrata, refresca, relaxa o corpo, acalma o estresse e ainda suplementa a nutrição.

 

Há de se observar, no entanto, que esse hábito deve ser adotado para cães que não estejam confinados em ambientes abafados e/ou sem ventilação e sem sinais de convulsões, vômitos ou taquicardias, pois nessas condições, a água gelada pode contrair os vasos sanguíneos e acabar dificultando que o sangue chegue à periferia do corpo.

 

 

 

 Caso haja espaço no local onde o Rottweiler permaneça, a melhor alternativa seria construir um pequeno tanque de água para que o mesmo tenha acesso constante, principalmente em dias muito quentes e abafados.

Essa medida simples certamente trará muito conforto e bem-estar ao cão, além de alguma diversão e, certamente muito alivio em situações que envolvam hipertermia.

Trata-se de uma medida simples e muito eficaz.

 

 

Em síntese, Rottweilers e calor não é uma associação que mereça ser menosprezada, pois não raras as vezes resulta em problemas. O Brasil é um, país basicamente tropical e, em algumas regiões (centro oeste, nordeste e norte) prepondera um clima quente e por vezes abafado em grande parte do ano e, justamente nessas regiões os cuidados devem ser dobrados.

 

 

 

Seja lá qual for a medida de bem-estar e conforto que se pretenda adotar em cada caso, jamais se deve subestimar os efeitos danosos que a hipertermia possa causar em determinadas raças de cães, principalmente os Rottweilers.
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ISBN  978-65-00-82051-5
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