
Segundo o que se sabe, foi na Bélgica no ano de 1859, o primeiro registro da utilização de cães pelas forças policiais e, em 1888 iniciaram formalmente o treinamento para utilização de cães para finalidades policiais.
O termo “Cão de Guerra” é utilizado para se referir a cães treinados especialmente para o emprego militar. Esses animais, que também recebem treinamento para ações de combate, desenvolvem atividades que vão desde o patrulhamento e a guarda de instalações militares, até o faro para a busca de drogas e explosivos. Assim sendo, define-se o termo “Cão de Guerra” para se referir a cães treinados especialmente para o emprego militar, pelo Exército, Marinha e Aeronáutica.

Historicamente, sabe-se que desde a época das civilizações egípcia e grega, constam registros da utilização de cães em combate, ocorrendo, desde então, um crescente emprego desses animais nas áreas conflituosas. Com a chegada da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), os americanos, pela primeira vez em sua história, utilizaram cães em combates. Sem a necessidade de fardas, armamentos ou camuflagem, os cães foram empregados como entregadores de correspondências, farejadores de explosivos e até auxiliaram na instalação de fios de telégrafos.

Esses animais, que também recebem treinamento para determinadas ações de combate, desenvolvem atividades que vão desde o patrulhamento e a guarda de instalações militares, faro para a busca de drogas e explosivos e, até mesmo para determinadas atividades especificas, tais como paraquedismo e ainda determinadas funções policiais. Sua carreira militar inicia-se logo após o desmame, o que ocorre por volta de seus 40 a 50 dias de vida, e eles podem permanecer no serviço ativo até os oito anos de idade, quando então são “aposentados”, ou seja, passam para a reserva, porém mantendo-se o mesmo padrão de tratamento.

Os treinamentos iniciais estimulam os “impulsos de caça” e familiarizam os filhotes com os diferentes ambientes e situações (automóveis, instalações, matas, caixas de transporte, barulhos de tiros ou outros estampidos semelhantes, megafones, luzes do rotorlight das viaturas policiais, dentre inúmeros outros) que o animal poderá encontrar quando empregado futuramente. A criação de um forte vínculo entre o cão e seu condutor também ocorre nessa fase. Esse treinamento é relativamente curto, porém muito intenso. A partir do desmame, somente o condutor do filhote deverá ter acesso a ele. Alimentação, limpeza do box, tratos diários, banhos, sempre são executados exclusivamente pelo condutor.

O treinamento dos cães adultos segue uma rotina de treinos até o último dia de serviço. Essa rotina consiste em treinos de obediência, faro e proteção (ataque). Após a formação dos cães, os treinos são conduzidos com a simulação de situações de emprego em diferentes cenários. Os erros são corrigidos e os acertos confirmados e recompensados. Pode parecer pouco tempo, no entanto, para a vida de um cão, esse período é o suficiente e seu desligamento das atividades é merecido e se faz necessário.

Em comparação com a vida de um ser humano, o envelhecimento desses amigos caninos inicia-se mais cedo e, por eles irem perdendo a capacidade de adaptação a sobrecargas funcionais, não se pode exigir que possuam a mesma atuação de um animal jovem, mesmo que tenham recebido todos os tratamentos e acompanhamentos existentes ao longo de sua vida.
Dessa forma, as Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) mantem os níveis operacionais dos canis militares, com uma renovação contínua e gradual do efetivo e um controle de seus quantitativos, sempre com cães no início do treinamento, com outros aptos a atuar e com aqueles que já estejam atingindo a idade de passarem para a reserva.
Para isso, essas unidades militares possuem canis aptos a realizar todas essas atividades e seguem rigorosamente todas as normas militares de criação, educação, adestramento e treinamento, atentos sempre ao bem-estar animal, para que o plantel esteja sempre em plenas condições para cumprir qualquer missão, sem que nenhum cão seja eventualmente prejudicado.

Em geral, os plantéis de cães militares são compostos por cães das raças Rottweiler, Pastor Alemão e Pastor Belga de Malinois, e cada raça possui uma aptidão e habilidade sendo treinada para missões específicas. Alguns cães possuem a capacidade de desenvolver mais habilidades, o que chamamos de cães multifuncionais. A título de exemplo, uma das utilizações mais recentes de cães em combate aconteceu na operação de eliminação do terrorista Osama Bin Laden, líder da rede terrorista Al Qaeda e mentor dos ataques terroristas nos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001. O cão estava junto com os militares do SEAL (Sea-Air-Land Team), grupo de elite dos Estados Unidos que realizou a ação em 02 de maio de 2011.

Os cães pastores (alemão e belga de Malinois) geralmente têm melhor desempenho em ações de farejamento (explosivos, cadáveres e entorpecentes) e patrulhamento, enquanto que os rottweilers apresentam desempenho bastante diferenciado em ações que envolvam guarda e proteção (pessoal e patrimonial), contenção de distúrbios e/ou rebeliões (presídios, por exemplo) e combate.

Da mesma forma que as entidades militares utilizam cães de trabalho para as mais diversas especialidades, também o mesmo ocorre nas forças auxiliares de segurança (policias civil, militar e federal). Os cães nessas unidades são preponderantemente treinados para serem utilizados para patrulhamento, manutenção de ordem (em estádios de futebol, por exemplo) guarda de instalações militares, faro para a detecção de entorpecentes, explosivos, cadáveres e fugitivos (matas por exemplo) e também salvamento de pessoas em desastres (soterramentos, desmoronamentos, etc.). Além dessas raças de cães já citadas, também são utilizadas outras raças com finalidades especificas de farejamento e resgate. Dentre essas raças podem ser citadas: o Labrador, o Beagle e o Bloodhound).

Como se pode notar, todos os cães destinados a essas unidades militares são denominados “Cães de Trabalho”, os quais são arduamente educados, adestrados e finalmente treinados para determinadas especialidades em conformidade com as principais características de cada raça e também, de cada indivíduo. Todo esse trabalho ocorre desde a fase juvenil de cada cão (a partir dos dois meses de idade), evoluindo gradual e constantemente ao longo de todo o período de trabalho do cão (até que o mesmo atinja a idade de 8 anos, quando então “se aposenta”) à medida que o cão cresce.
Por tudo isso pode-se dizer com razoável precisão que todos esses animais são verdadeiros referenciais qualitativos para cães de trabalho.

