Os ligamentos cruzados são estruturas que desempenham importante papel na estabilidade da articulação do joelho. A ruptura destes está geralmente associada a um estresse excessivo sobre a articulação, ocorrendo na maioria das vezes em cães jovens de raças de grande porte. A ruptura do ligamento cruzado cranial é uma das afecções relativamente comuns em cães, tendo sido descrita pela primeira vez em 1926, sendo uma das principais causas de doença degenerativa da articulação do joelho.
O ligamento cruzado cranial é o mais acometido, pois está primariamente relacionado ao movimento articular, impedindo o deslocamento cranial da tíbia em relação ao fêmur, limitando a rotação interna e consequentemente a hiperextensão do joelho. A ruptura do ligamento cruzado caudal, embora rara, está associada à ruptura do ligamento cranial.

A lesão ligamentosa pode ser uma ruptura completa, com visível instabilidade, ou parcial, com instabilidade secundária; porém ambas exibem alterações articulares degenerativas dentro de poucas semanas.
O mecanismo mais comum de ruptura do ligamento cruzado cranial consiste em uma rotação súbita do joelho com a articulação em 20° a 50° de flexão, pois nessa posição os ligamentos torcem sobre si mesmos ou um sobre o outro para limitar a rotação interna da tíbia em relação ao fêmur.
O diagnóstico baseia-se na história clínica que revela um quadro de claudicação aguda em membros posteriores, particularmente durante o exercício. Claudicação crónica e persistente pode também ocorrer, especialmente em cães mais velhos e mais pesados.

A ruptura de ligamento cruzado não se trata necessariamente de um problema genético, congênito ou hereditário, e sim ocasionado por esforços específicos e, em geral abruptos.
São razoavelmente comuns em determinadas raças com grande massa corpórea e acentuada explosão muscular (situação essa que favorece bastante o estiramento abrupto do ligamento em função da elevada inércia do movimento do animal), tais como no American Staffordshite e no Pitbull. Cães atletas que participam de competições (como provas de agility) também podem se enquadrar como possíveis vítimas dessa lesão.
Em geral, esse tipo de ruptura incide mais sobre os cães com musculatura forte e joelhos frágeis, e que resistem pouco ao impacto direto.

O problema costuma ocorrer, por exemplo, quando um cão utiliza a sua força muscular para uma disparada em corrida e seus joelhos frágeis não possuem a capacidade necessária para aguentar o peso ou a inércia do movimento produzidos pelo movimento.
Os traumas também são responsáveis pelas ocorrências de rompimento de ligamento cruzado em cães, tendo como consequência, em sua grande maioria, uma fratura do menisco. Uma vez ocorrida a ruptura do ligamento cruzado, a solução mais eficaz será sempre uma intervenção cirúrgica.

Ambientes com longas superfícies lisas também aumentam as chances de apresentarem problemas de ruptura, já que não possuem a aderência suficiente para que sejam realizados os movimentos de maneira natural, sem forçar a sua estrutura muscular.
Outra possibilidade que também ocorre com relativa frequência nesses casos, está associada à evolução de uma lesão já previamente existente nos membros do animal, tal como a luxação de patela.
Isso fará com que o cão coloque mais força sobre um membro não prejudicado, sobrecarregando-o para tentar compensar o desequilíbrio ocasionado pela lesão, e fazendo assim com que a ruptura de ligamento seja uma possibilidade real de ocorrer, em uma situação que necessite utilizar a musculatura de forma brusca.
Na maioria dos casos, essa ruptura de ligamento cruzado cranial é crônica, apesar de ser provocada por arrancadas bruscas em condições tais que a inércia do animal o impulsiona em direção a determinado movimento e, este não tem condições de frenagem adequadas por algum motivo, tal como um piso liso e/ou escorregadio.
Em outras palavras, durante a vida ativa do cão, o ligamento vai se desgastando lenta e progressivamente ao ponto que ao esforço de uma corrida ou pulo, ele se rompe abruptamente, causando dor e claudicação. Essa degeneração ocorre em geral nos dois joelhos e por isso cerca de 50% dos animais acabam por romper também o outro lado depois de determinado período.
Como essa ruptura de ligamento cruzado provoca o deslizamento do fêmur sobre a tíbia, causa dor imediata, podendo ocasionar posteriormente outras complicações, tal como a lesão de meniscos e também nas cartilagens. O procedimento para identificar o problema consiste preliminarmente em fazer um exame clínico e um procedimento básico denominado Teste de Gaveta, que consiste em um exame de palpação realizado para a avaliar o joelho de cães, sendo possível, através dele, verificar se o ligamento cruzado cranial está exercendo sua função de evitar o movimento cranial excessivo da tíbia.


Em síntese, esse teste clinico é utilizado preliminarmente para avaliar a translação anterior da tíbia em relação ao fêmur. Para confirmar o diagnóstico deve-se verificar o movimento cranial anormal da tíbia, testando a instabilidade da articulação com a tíbia em máxima extensão, em flexão de 15° a 30° (Lachman Test), e em 45° a 90° de flexão, caracterizando o chamado “sinal de gaveta cranial”.
Porém, como o sinal de gaveta nem sempre é evidente em casos de ruptura parcial, nesses casos o diagnóstico deve ser baseado na história e instabilidade com efusão articular.
O exame radiográfico revela o grau de comprometimento articular. Cães com ruptura crónica do ligamento cruzado cranial desenvolvem um espessamento medial da cápsula articular.
Existem algumas técnicas cirúrgicas para resolver o problema de ruptura de ligamentos cruzados. A técnica mais moderna é a osteotomia de nivelamento do platô tibial (TPLO – Tibial Plateau Leveling Osteotomy) uma das mais utilizadas, porém não é recomendada para filhotes. Essa técnica tem como objetivo diminuir a inclinação do platô tibial, diminuindo o impulso tibial cranial, estabilizando a articulação do joelho, permitindo assim a detenção da evolução dos fenômenos de osteoartrose, uma rápida recuperação e com uso do membro após a cirurgia.
Essa técnica mostra-se uma das mais eficientes na correção da mecânica articular do joelho e seus resultados clínicos são animadores a ponto de colocá-la no patamar de uma das principais escolhas na resolução desta condição, buscando rapidamente a estabilização da articulação do joelho.
Um dos principais sintomas do problema é quando o cão começa a mancar, devido à dor do rompimento. Justamente por causar muita dor, é relativamente comum alguns cães “chorarem”, principalmente se o proprietário tocar no local, ou tentar esticar a perna lesionada.
Inúmeras são as causas que também podem contribuir para que esse problema ocorra, dentre as causas, podemos citar:

- Ruptura repentina, provocada por atividades como correr e pular;
- Ruptura degenerativa, muito associada a cães sedentários e obesos;
- Instabilidade da patela do joelho;
- Doenças autoimunes;
- Deformidades do joelho (joelho para dentro (valgo) ou joelho para fora (varo)).
Prevenir lesões nos ligamentos cruzados craniais é possível. A prevenção deve ser feita mesmo em casos de cães que já tiveram a ruptura em um dos membros, para evitar que ocorra também no outro membro ainda não lesionado.
Dentre as medidas que podem ser tomadas podemos descrever:
Exercícios físicos regulares: O desenvolvimento da musculatura é essencial para evitar lesões, uma vez que os músculos fortes e flexíveis auxiliam no apoio e sustentação das articulações. O auxílio por parte de um profissional especializado em fisiatria veterinária pode ser bastante recomendável nesse processo. Caso o cão seja pouco exercitado durante a semana, porém seja submetido a caminhadas ou corridas extenuantes nos finais de semana, poderá ocorrer a ruptura do ligamento cruzado com maior facilidade. A quantidade de exercício a que o cão é submetido deve ser constante e de intensidade moderada, caso contrário, o corpo do animal não estará preparado para o estresse extra e isso pode resultar em danos ao músculos, articulações e ligamentos. Exercícios de baixo impacto, como caminhadas moderadas, natação e brincadeiras controladas, são benéficos. Evitar movimentos bruscos, saltos excessivos e atividades intensas pode reduzir o risco de lesões.
Excesso de peso (obesidade): Cães mais pesados têm maior probabilidade de sofrer lesão do ligamento cruzado, em parte devido ao aumento da pressão sobre as articulações durante o movimento. Essa é outra razão para manter um cão devidamente exercitado, pois irá ajudá-lo a queimar o excesso de calorias e sempre manter o seu peso baixo. Para evitar a obesidade, é essencial fornecer uma dieta equilibrada e adequada ao tamanho, idade e nível de atividade do cão. A alimentação deve ser rica em nutrientes necessários para a saúde das articulações, como ácidos graxos ômega-3, glucosamina e condroitina.

Pisos antiderrapantes: No local onde o cão fica a maior parte do tempo, é importante garantir que o ambiente seja seguro, sem superfícies escorregadias ou obstáculos que possam causar quedas e/ou escorregões. Pisos lisos contribuem para que os cães façam esforços muito grandes nas articulações para manterem o equilíbrio em tarefas simples e cotidianas, tais como sentar ou levantar. Utilizar tapetes antiderrapantes e rampas ao invés vez de escadas pode ser útil, especialmente para cães de raças predispostas a problemas articulares, filhotes e cães idosos.

