Sociabilização com crianças, idosos e outros animais.

Sociabilização com crianças, idosos e outros animais.

Há de se ter em mente que todo cão é um animal de matilha e, para tanto, tem instintivamente uma concepção natural de organização em grupo, em família e não isoladamente. Conhecer bem os diversos comportamentos do cão é essencial para todos os tutores, pois mesmo domesticado a séculos, o cão ainda possui comportamentos herdados dos ancestrais selvagens. É por isso há de se compreender o que é matilha e por que ela é importante. Uma matilha nada mais é que um grupo social de caninos da mesma espécie. O número de membros em uma matilha e seu comportamento social varia de espécie para espécie.

O estabelecimento de uma estrutura social claramente definida é muito importante em uma matilha, que pode ser identificada por algumas características específicas. A mais importante delas é a presença de um líder ou “alfa”, o que significa que todos os grupos de cães e lobos possuem um membro que atua na liderança do coletivo. De maneira geral, o cão que conquista esse lugar de atuação no grupo acaba sendo escolhido pela força, capacidade de caçar alimentos para todos, dentre outras características.

 

Assim, sendo responsável por funções tão importantes, o animal consegue o respeito dos demais, porém, a atividade do líder vai muito além da alimentação. Se você está entendendo bem o que é matilha, já deve ter concluído que os cachorros escolhem instintivamente viverem em grupos por questões de sobrevivência. Isso acontece porque, na natureza selvagem, conviver coletivamente faz parte de uma estratégia para viver mais e melhor, afinal de contas, quando estão juntos podem unir forças para caçar alimentos e se protegerem de eventuais predadores.

Então o cão vê a família do tutor que o adquiriu como a sua matilha?

Essa é uma dúvida que faz parte do entendimento do que é matilha, principalmente para os tutores que deles se comprometem a cuidar. Em primeiro lugar, se o animal não está mais no habitat natural e vivendo de maneira selvagem, pode parecer que não seja exatamente correto afirmar que uma determinada família passe a funcionar como uma matilha.

 

No entanto, levando em consideração que a domesticação é atualmente a melhor opção de sobrevivência para os cães, nesse contexto os tutores fazem parte da construção desse coletivo e, portanto, na ótica do cão, de sua matilha. Nesse caso, é importante tomar cuidado para que o cãozinho não acredite que ele é ou será o líder dessa matilha. Portanto, para quem acredita que esse tipo de incentivo seria bom para o seu filhote, está enganado. Há de se ter em mente que em uma matilha de cães, o líder do grupo é aquele que manda, e os outros simplesmente o obedecem. É ele que determina a hora de caçar, a hora de migrar, de comer, de descansar e de lutar. No caso de um cão domesticado que passe a acreditar ser o líder do coletivo (sua matilha que, no caso passa a ser composta por ele, seus familiares e os demais animais existentes em sua residência), passará doravante a acreditar que poderá “impor suas próprias regras” na hora de passear, de comer, de brincar, e enfim, em praticamente tudo, se não for devidamente redirecionado.

 

 

Por isso, no contexto de entender o que é matilha e se a sua família é uma, saiba que o líder precisa ser você ou outro membro de sua família. Na verdade, não teria como ser diferente, já que é você quem traz o alimento para dentro de casa e cuida do bem-estar de todos. Além disso, o cão não apenas pode enxergar a família de humanos como parte da sua matilha como é capaz de incluir outras espécies na sua visão de grupo. Caso o cão esteja acostumado a conviver com um gato, por exemplo, ele também pode acreditar que o felino é do coletivo, mesmo sendo de espécie diferente. É por esse motivo que se faz necessário manter certa hierarquia no seu lar, ou seja, no grupo de indivíduos que lá habita e, por consequência, da matilha do seu cão. O estabelecimento dessa dinâmica dentro de casa é natural para o cão, por isso precisa ser também para você e seus familiares. Obviamente que mostrar que você é o líder da matilha não quer dizer que deva usar violência ou deixar de demonstrar amor e carinho com o animal e com os demais membros da família no cotidiano e, principalmente na presença do cão.

 

 

Lembre-se que o cão precisa respeitar você e que isso é bastante diferente do sentimento de ter medo de você. Geralmente um cão inquieto e violento é um cão medroso.

Caso você ou outro membro de sua família que (na ótica do cão é a matilha da qual faz parte) não adote a postura de líder, ele instintivamente tentará adotar essa posição (status) dentro da matilha e, a partir de então, os problemas tenderão a começar.

LEMBRE-SE QUE, SE ISSO ACONTECER, O RESPONSÁVEL TERÁ SIDO VOCÊ E NÃO O CÃO.

FICA A DICA!!! 

 

 

Como vimos até aqui, existem alguns instintos do cão que são impossíveis de serem retirados e, mais do que isso, são importantes para a preservação do seu bem-estar. É por isso que é tão importante entender o que é matilha e buscar conhecimento sobre os animais, estando atento ao seu comportamento. É papel dos tutores promover um ambiente saudável e uma rotina com tudo de que o animal precisa e se sinta protegido e com bem-estar.

Regras de comportamento devem ser impostas deste o primeiro dia de seu cão em sua nova casa. Essas regras devem ser explícitas e sempre constantes, porém com disciplina e energia e nunca com intolerância, brutalidade ou tirania. Você deve deixar bem claro que se trata da SUA casa, das SUAS regras, da SUA “matilha”.

 

Uma situação bastante comum e que deve ser observada com bastante atenção, refere-se à aquisição de um filhote de Rottweiler quando já existe um outro cãozinho (de qualquer outra raça ou idade), habitando no local. Há de se pressupor que o cão que já se encontra preliminarmente no local, certamente tem seus hábitos cotidianos totalmente associados a uma determinada condição padrão já estabelecida a algum tempo com sua “matilha”, no caso composta por ele e todas as pessoas e também com outros animais que com ele convivem no local. Quando se introduz um novo membro nessa “matilha”, deve-se observar que uma “novidade” estará ocorrendo e, automaticamente haverá alguma reação, muitas vezes inesperada. 

Quem já está no local a algum tempo, pode “sentir-se enciumado” com a introdução de um novo membro, preocupando-se em “perder” algum status que já ocupa naturalmente na “matilha” ou, até mesmo, sentir que será substituído ou até descartado. Trata-se de uma condição muito natural no mundo canino e que pode (e deve) ser facilmente ajustada.

 

E afinal de contas, como se faz isso???

Ao adquirir um filhote, deve-se procurar sempre fazer uma sociabilização harmônica entre todos os membros da “matilha”, ou seja, o doravante tutor do cãozinho, os outros animais já existentes no local onde todos conviverão e, os demais integrantes da família do tutor (filhos, esposa, netos, pais, etc.).

 

A partir de então, brincadeiras em grupo devem ser a regra e, brincadeiras individuais a exceção. Jamais se deve personalizar algum tipo de carinho, afeto ou brincadeira, principalmente com o novo integrante, pois assim fazendo, se estará criando automaticamente uma condição de exclusão para com os demais e, não raras as vezes, poderá haver algum tipo de contenda entre os cães que já se encontravam a algum tempo no local e o “pequenino” novo integrante. Obviamente que, em princípio a vantagem será sempre do cão que já se encontrava habitando o local, mas com o tempo, o pequenino crescerá e, com certeza revidará. Nesse momento a situação começará a complicar.

Devem ser estimuladas brincadeiras em grupo do tipo jogar bolinhas e brinquedos para que os cães peguem e tragam de volta, premiação quando fazem coisas certas e eventuais reprimendas quando fazem coisas que não agradam os tutores, enfim, coisas que estimulam o grupo a estar unido e em harmonia e nunca coisas que possam causar discórdia, ciúmes ou disputas. Nessa fase, brincadeiras tais como cabo de guerra com cordinhas (cães adoram isso, pois lhes estimula muito o drive de caça) devem ser evitadas, pois em algum momento dessa fase de sociabilização haverá automaticamente a contenda.

Fica a dica!!!

 

Crianças, em geral, irão tratar o pequenino recém adquirido como uma novidade, um “brinquedo novo” que se expressa voluntariamente e tem reações próprias. Assim sendo, a tendência é que tentarão brincar com o cãozinho o maior tempo possível até próximo à exaustão do mesmo, até mesmo porque, semelhante aos filhotes, têm muita energia a ser dissipada. Isso, em tese, certamente resultará, em determinado momento, no estresse do animal. Nesse momento, podem eventualmente ocorrer “malcriações” do tipo: rosnados, fugas evasivas, “tentativa de mordidas”, cujos dentinhos afiados podem arranhar e/ou furar a pele, dentre outros.

Obviamente nada sério, pois o cãozinho ainda é pequenino, porém esse tipo de situação deve ser corrigido para que não se transforme em “trauma” ao animal a medida que cresce.

 

O cãozinho deve crescer com prazer em estar na companhia de todos os demais membros de sua “nova matilha”, e nisso devem estar inclusos todos os membros dela, ou seja, ele, os membros da família (pais, filhos, avós, etc.) e os demais animais que estarão coabitando juntos no local.

Toda vez que for observada qualquer intenção do animal em “encerrar uma determinada atividade” junto aos demais integrantes de sua “matilha”, deve-se respeitar esse desejo do mesmo, deixando-o descansar e não o forçando a fazer aquilo que não deseja em determinado momento.

 

Quanto às pessoas idosas, em geral são muito mais experientes, observadoras, compreensivas e até mesmo tolerantes em relação a uma série de situações que ocorrem diariamente. No entanto, em geral têm menos vigor físico e paciência para determinadas atividades ou situações que habitualmente ocorrem, ainda mais em filhotes em fase de crescimento que dispõem de muita energia e necessidade de extravasá-la o dia todo. Pessoas idosas, em geral, desejam mais tranquilidade, mais momentos de descanso, casa impecavelmente limpa e toda arrumada e tudo no seu lugar, enfim, coisas assim. Em geral, como se pode observar, filhotes em fase de crescimento são sinônimo de muita energia a ser extravasada, muita bagunça, mordidas, arranhões, pelos, fezes e urina no chão e, quase sempre em lugares diversos e uma série de outras situações rotineiras que muitas vezes trazem alguma inquietude às pessoas mais idosas que, por vezes desejam ficar mais “tranquilas” no decorrer do dia.

Por outro lado, há inúmeras situações em que um filhote de Rottweiler junto a um idoso supre uma série de “lacunas” até certo ponto muito comuns à idade, tais como companhia, companheirismo, guarda e proteção, mudança de determinados hábitos sedentários, dentre outros.

Se analisarmos mais detalhadamente, notaremos que nossas crianças também, nos remetem a situações muito semelhantes e, nós nos propomos sempre a criá-las com muito amor, responsabilidade e carinho.

As palavras mágicas nesse contexto denominam-se BOM SENSO, PERSEVEVERANÇA, PACIÊNCIA E TOLERÂNCIA.

Não há nenhuma fórmula mágica que mude esse contexto, e isso deve ficar muito bem claro antes de adquirir um filhote de Rottweiler.

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Direitos autorais do Canil Rottwunder®
ISBN  978-65-00-82051-5
Registro INPI 927.474.956

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