Transgênicos – Problema ou solução???

Transgênicos – Problema ou solução???

Algumas pessoas perguntam se devem ou não fornecer aos seus cães rações que tenham algum componente transgênico.

As dúvidas sobre tal assunto são inúmeras e, não raramente mais prevalecem os dogmas que a razão. Trata-se de mais um assunto polêmico e cheio de opiniões controversas, onde muitas vezes a falta de consenso prepondera e até mesmo se sobrepõe à razão.

Não é nosso intuito neste Artigo Técnico enveredar pela polemica que envolve o assunto, e sim apresentar algumas considerações à luz da ciência de tal maneira a possibilitar que os leitores possam avaliar tal questão de maneira mais aprofundada e tirarem suas próprias conclusões.

Primeiramente precisamos definir o que é um alimento transgênico.

Tecnicamente, alimentos transgênicos são aqueles produtos que tiveram seu DNA modificado pela inserção de um ou mais genes oriundos de outro organismo. Segundo a EMBRAPA (Empresa Brasileira de Agropecuária), a transgenia nada mais é do que uma evolução do melhoramento genético convencional, já que permite transferir características de interesse agronômico entre espécies diferentes. Isso quer dizer que essa tecnologia permite aos cientistas isolarem genes de microrganismos, por exemplo, e transferi-los para plantas, com o objetivo de torná-las resistentes a doenças ou mais nutritivas, entre outras inúmeras aplicações. Basicamente e de forma simplificada, transgênico é sinônimo para a expressão “Organismo Geneticamente Modificado” (OGM).

 

É um organismo que recebeu um gene de outro organismo doador. Esta alteração no seu DNA permite que mostre uma característica que não tinha antes. Na natureza, essas alterações sempre ocorreram naturalmente, e são denominadas mutações naturais. Os genes contêm as informações que definem as características naturais dos organismos, como a cor dos olhos de uma pessoa ou o perfume de uma flor. Ao receber um ou mais genes de outro organismo, um vegetal, por exemplo, pode se tornar resistente a pragas ou até mais nutritivo.

 

Por incrível que pareça, a transgenia foi copiada da natureza.

No início dos anos de 1970, cientistas descobriram que bactérias do gênero Agrobacterium, conseguiram incluir partes de seu germoplasma no genoma de plantas hospedeiras, fazendo-as produzir substâncias importantes para o crescimento da própria bactéria.

A partir de então, ciência estava prestes a dar um passo fundamental.

 

Segundo Francisco Aragão, da EMBRAPA (Empresa Brasileira de Agropecuária), um dos mais renomados pesquisadores de biotecnologia nacional, o primeiro organismo portador de uma molécula de DNA modificado foi a bactéria Escherichia coli, gerada por Stanley Morgan, da Universidade de Stanford. Daí surgiu a insulina produzida em bactérias transgênicas, que hoje abastece 100% do mercado farmacêutico mundial, evita centenas de milhões de mortes e confere qualidade de vida aos portadores de diabetes.

Do ponto de vista científico, os produtos transgênicos representam um salto fantástico na aplicação do conhecimento humano.

Cientificamente, prescindir do cruzamento sexual é uma grande vantagem no aprimoramento de atributos genéticos desejáveis ao ser humano.

 

Há de se considerar que, muitos alimentos industrializados produzidos a partir de grãos (como as rações de cães, por exemplo), podem utilizar matéria-prima transgênica e são considerados alimentos derivados de transgênicos.

Além disso, diversos alimentos empregam organismos transgênicos durante o seu processamento, a exemplo de vitaminas e queijos produzidos por microrganismos transgênicos.

A elevada presença de produtos ou derivados de produtos transgênicos na nossa alimentação é decorrente da ampla adoção de microrganismos GM na indústria e de culturas transgênicas no campo. Há cerca de 25 anos o mundo passou a cultivar plantas transgênicas em virtude do seu potencial produtivo. De fato, a transgenia é a tecnologia agrícola de mais rápida adoção e evolução da história.

A título de exemplo, de acordo com o Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações de Agrobiotecnologia (International Service for the Acquisition of Agri-Biotech Applications – ISAAA) em 1996 eram 1,7 milhão de hectares cultivados com transgênicos que atingiram 191,7 milhões de hectares em 2018, ou seja, um aumento de 113 vezes no período analisado.

 

É importante ressaltar que esses produtos, em sua maioria, não são integralmente transgênicos, mas sim que apresentam em sua composição alguma porcentagem mínima de algum Organismo Geneticamente Modificado (OGM) considerado transgênico. Esses alimentos podem ser empregados para consumo direto, como insumos ou ingredientes na cadeia de produção de outros itens.

Estima-se que quase 100% dos produtos processados em todo o mundo contenham pelo menos um ingrediente derivado de soja ou milho transgênico, duas das culturas para as quais foram desenvolvidas mais variedades geneticamente modificadas, mas na grande maioria dos casos, o percentual utilizado no produto final não chega a 1%.

É bastante correto afirmar que o cultivo de variedades transgênicas aumentou a produtividade agrícola mundial nas últimas duas décadas e os benefícios socioeconômicos e ambientais foram documentados por organizações independentes em todo o mundo.

Tal fato evidencia por que os alimentos transgênicos já são comercializados em inúmeros países por todo o mundo e, com tendência a aumentar bastante. Na área agrícola, diversas plantas são transgênicas cultivadas em diferentes regiões do globo e que podem ser utilizadas na produção de alimentos.

No entanto, a soja e o milho representam 81% de toda área cultivada com variedades transgênicas. No Brasil, apenas as variedades de soja, milho, algodão e cana-de-açúcar são cultivadas para produção de alimentos.

Além de determinados microrganismos e plantas, a transgenia também tem evoluído para animais de produção e produtos derivados desses animais (tais como ovos, carne, etc.) como veremos a seguir.

Inúmeras são as pessoas que na tentativa de buscar uma alimentação alternativa para seus cães que não possua qualquer ingrediente transgênico, buscam alimentá-los com ingredientes que “acreditam serem isentos de transgenia”, tais como carnes, ovos, vísceras e miúdos de frangos, bovinos e suínos.

Enganam-se totalmente, pois em grande parte das vezes, estarão fornecendo alimentos transgênicos também, como se poderá verificar na sequência. Ao que parece, a tendência para um futuro bem próximo é que alternativas no sentido de evitarem-se produtos transgênicos passem a ser cada vez mais difíceis de serem obtidas.

SIMPLES ASSIM!!!  

Até a década de 70, a quimosina (enzima que faz com que o leite se solidifique e vire queijo) era extraída do estômago de bezerros alimentados apenas com leite. Graças à transgenia, foi possível, na década seguinte, isolar o gene que produz essa enzima e inseri-lo numa levedura.

A partir de então, a obtenção de quimosina a partir de bezerros passou a ser rara ou até mesmo nula, sendo que, inclusive a enzima obtida por microrganismos transgênicos é mais eficiente para a coagulação do leite.

 

 

 

A primeira galinha geneticamente modificada do mundo foi desenvolvida e aprovada ainda em 2015, nos Estados Unidos, pela agência reguladora de alimentos e medicamentos Norte americana (Food and Drug Administration).

A variedade, entretanto, não é a mesma que é usada para alimentação humana e produz um medicamento capaz de tratar pessoas com uma rara condição genética, a Deficiência de Lipase Ácida Lisossômica (LAL).

De seus ovos é extraída a Sebelipase alfa, enzima cujo nome comercial é Kanuma. Também conhecida como Doença de Wolman, a LAL é uma condição rara e afeta ao menos 200 mil norte-americanos.

Essa doença é especialmente perigosa para crianças, levando recém-nascidos quase sempre ao óbito. Pode levar a complicações sérias, como fibrose hepática, cirrose, insuficiência hepática e até a morte. É uma doença hereditária provocada por um distúrbio no armazenamento lisossômico que leva ao acúmulo de gordura em órgãos importantes.

 

Posteriormente, em 2019, cientistas do Reino Unido modificaram geneticamente galinhas poedeiras para produzirem ovos contendo proteína anticâncer.

As aves tiveram inseridos no seu DNA um gene humano, que normalmente expressa uma proteína que controla o desenvolvimento de células cancerígenas. A pesquisa foi divulgada pela BMC Biotechnology.

Segundo a publicação, as galinhas geneticamente modificadas poderão substituir, no futuro, o uso de medicamentos sintéticos que tratam da deficiência de substâncias anticancerígenas produzidas normalmente pelo corpo humano.

 

O câncer, assim como outras doenças, se origina quando o organismo humano deixa de produzir naturalmente determinadas proteínas em quantidade suficiente. Os medicamentos sintéticos são usados, nestes casos, para suprir a carência dessas substâncias, embora exijam altos investimentos para serem desenvolvidos.

De acordo com os pesquisadores, com tal tecnologia, será possível substituir os remédios para esta finalidade por cerca de um centésimo do custo dos atuais medicamentos. A clara do ovo contém proteínas especiais que poderiam acelerar a busca por tratamentos para câncer de mama, ovário e melanomas, por exemplo.

O instituto desenvolveu essas galinhas depois de dois anos de parceria com a empresa de biotecnologia norte-americana Viragen Inc., especializada em novas terapias contra o câncer. Segundo esse estudo, cada galinha transgênica é capaz de produzir 250 ovos por ano, cada um deles com capacidade de fornecer 100 mg dessa proteína ou até mais.

Alguns anos depois, em 2023 cientistas da Universidade de Hiroshima, no Japão, anunciaram a criação de um ovo transgênico livre da glicoproteína ovomucóide, aquela que provoca alergias alimentares nos seres humanos, ingrediente esse presente na clara do ovo.

Conforme a pesquisa, os cientistas conseguiram “apagar do DNA” de galinhas poedeiras o gene responsável pela proteína ovomucóide. Com isso, a produção dos ovos geneticamente modificados não provoca reações alérgicas.

 

Em 2010, foi publicada uma matéria na National Geographic sobre a criação de trutas geneticamente modificadas, resultado de dez anos de experiência de uma equipe de pesquisadores liderada por Terry Bradley do Departamento de Ciência Animal e Veterinária da Universidade de Rhode Island (EUA). Foram injetados em 20 mil ovos de truta arco-íris diferentes tipos de DNA de outras espécies, fazendo-as transgênicas. O DNA adicionado tinha o propósito de suprimir a miostatina, e aparentemente funcionou em aproximadamente trezentos ovos, transformando-os em peixes com a musculatura exageradamente mais acentuada que os peixes convencionais.

 

Segundo a matéria, a truta transgênica incorporou genes modelados em proteínas encontradas nos bovinos Belgian Blue. Essa experiência provou que a inibição da miostatina provoca o mesmo efeito em mamíferos e peixes e, os resultados mostraram-se bastante impressionantes.

Esses resultados têm implicações significativas para a criação comercial de peixes e que, poderá significar truta mais barata para os consumidores, pois serão produzidos peixes maiores em menor intervalo de tempo sem que seja necessário alimentá-los de forma complementar.

 

Foi aprovado em 2015, nos Estados Unidos, o salmão transgênico. Esse salmão chega ao tamanho comercial em 18 meses, ao invés de 30 meses, como acontece com o salmão convencional. I

sso tem ajudado a abastecer substancialmente o mercado consumidor norte americano, cuja demanda tem sido cada vez maior ao longo dos anos. Posteriormente, em 2017, a empresa AquaBounty Technologies, (da cidade de Maynard, Massachusetts / EUA), que desenvolveu o salmão modificado, anunciou que vendeu cerca de 4,5 toneladas de salmão transgênico a consumidores do Canadá.

 

Desde 2000, o Brasil entrou na era do “boi transgênico”. Um projeto importante na transgenia começou nesse ano, sob a coordenação da pesquisadora Sharon Lisauskas, que trabalhou na EMBRAPA Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), em Brasília.

O processo de transgenia usado nesse experimento envolve a inserção de um gene no DNA do ovócito através de um vírus, por exemplo. Depois, ocorre a fecundação dessa célula para a produção de um zigoto, que será implantado no útero para o seu desenvolvimento.

 

 

Técnicas de transgenia em animais usados para a alimentação, além de terem o potencial de diminuir a fome no mundo, podem proporcionar vários benefícios à saúde. O projeto objetivou expressar a molécula do Fator IX no leite do animal com o objetivo de ajudar o ser humano que sofre de hemofilia tipo B e cujo organismo tem deficiência desse fator.

Mas essa tecnologia não termina aí. Desde o ano de 2020, pesquisadores da EMBRAPA (Empresa Brasileira de Agropecuária) vêm abrindo as portas para uma técnica nova: a Edição Genética. Essa técnica é chamada pelos cientistas de CRISPR.

 

 

Essa sigla vem do inglês Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats, ou seja, Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas. A técnica começou a ser estudada entre as décadas de 1990 e 2000 e basicamente significa dizer de maneira simplificada que os cientistas descobriram um jeito de editar os genes de um organismo com a ação de algumas bactérias.

 

 

A técnica comprovou que essas bactérias fazem uma tarefa de “corta e cola”, com grande maestria. Essa técnica futuramente tende a substituir o desenvolvimento dos transgênicos (Organismos Geneticamente Modificados (OGMs)), isso porque, nos transgênicos, é inserido um gene externo, de outra espécie, já na CRISPR, não há inserção de genes externos, sendo feito apenas um rearranjo do código genético do animal ou vegetal e, por isso, esses animais ou vegetais não são considerados transgênicos.

No caso especifico dessa pesquisa efetuada em 2020, a intenção foi criar um animal que não produza a betalactoglobulina no leite, que é uma das principais proteínas alergênicas nesse alimento. Em síntese, o trabalho foi “encomendar à uma bactéria” que, literalmente, removesse o gene responsável por essa proteína.

 

Pesquisadores argentinos, por exemplo, já identificaram o sucesso na mutação de um animal com tais características e adotando tal técnica.

A utilização da engenharia genética vem crescendo na indústria de proteína animal, como auxiliar na melhora da qualidade e maciez da carne, e fortalecimento do gado contra doenças. Uma vez que a engenharia genética é a manipulação e multiplicação total de um DNA, ela é cada vez mais necessária no desenvolvimento sustentável da indústria da carne. Quando o assunto é a crise climática e a necessidade de adaptações, tornam-se essenciais as mudanças e multiplicações genéticas nos animais para atender às altas demandas e tendências de consumo.

 

De acordo com o portal europeu DW News, a produção pecuária em todo o mundo gera 14,5% das emissões globais de gases com efeito de estufa. E, segundo a Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO), o metano é o gás com maior proporção, sendo que, em média, 20% das emissões de metano estão relacionadas à genética das vacas.

Esse gás tem o poder de aquecimento global 21 vezes maior que o dióxido de carbono. Aí entra a engenharia genética como uma grande aliada na redução da emissão destes gases. A alteração genética no gado permite modificar o DNA dos animais para melhorar diferentes características, como: resistência a doenças; crescimento rápido; conversão alimentar; qualidade da carne; dentre inúmeros outros fatores.

E, muito mais do que isso, a manipulação do DNA animal é grande aliada na erradicação de doenças, afinal, ela pode ser usada para criar animais geneticamente resistentes. Isto é, a engenharia genética se mostra como uma solução para rebanhos mais saudáveis, afinal, um DNA melhorado possibilita o gado mais saudável, tornando a erradicação de doenças uma realidade palpável.

Através da modificação precisa do DNA, é possível criar animais naturalmente resistentes a doenças, reduzindo drasticamente a necessidade de antibióticos e promovendo um futuro mais saudável para a produção animal.

 

Animais geneticamente modificados crescem mais rápido e atingem o peso para o abate mais cedo, aumentando a produtividade do rebanho e reduzindo custos. Na década de 70, por exemplo, a idade de abate dos bovinos brasileiros era de 45 meses. Hoje, há rebanhos cuja idade de abate é de 24 meses.

A marmorização e a maciez são as principais características da carne melhoradas pelas modificações genéticas. Como consequência, a modificação do DNA resulta em carnes mais saborosas.

 

A engenharia genética tem sido implementada em diferentes indústrias, de diversas formas. Em geral, com um único objetivo: melhorar os processos de produção e desenvolver produtos mais eficientes. Na indústria farmacêutica, por exemplo, essa tecnologia permite a produção de medicamentos como insulina, hormônios de crescimento e anticorpos monoclonais em microrganismos ou células animais.

 

Já na alimentícia, atua na produção de enzimas e no desenvolvimento de alimentos funcionais. Enzimas geneticamente modificadas são utilizadas em alguns processos industriais como na produção da cerveja e do queijo. Essas enzimas podem melhorar a qualidade dos produtos, aumentar a produtividade e reduzir custos.

 

É um grande engano pensar que alimentos transgênicos possam fazer mal à saúde humana, animal ou até mesmo ao meio ambiente. Esse tipo de afirmação sobre os produtos derivados de OGMs não possuem embasamento científico, ou seja, na maior parte das vezes são meros “fake news” e isso sim pode fazer mal a sociedade, pois atrasam o desenvolvimento de tecnologias importantes.

 

Sabemos que os produtos transgênicos são aqueles que tiveram seu DNA modificado pela introdução de um gene ou mais genes de outro ser vivo. Um gene, nada mais é do que uma pequena sequência de DNA. O DNA está presente em todas as células de todos os organismos, incluindo todas as plantas e animais utilizados como alimentos. Estima-se que são consumidos entre 0,1 e 1 grama de DNA em nossa dieta todos os dias através de alimentos provenientes de vegetais e fontes animais.

 

Portanto, a adição de uma sequência de DNA (que inclusive já se faz presente na natureza) não deve ser uma preocupação de segurança alimentar.Décadas de pesquisa indicam que o DNA na dieta não tem toxicidade, pois é extensamente quebrado durante a digestão e a probabilidade de ácidos nucléicos exógenos serem incorporados ao DNA de consumidores é considerada nula. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) tem afirmado que os alimentos transgênicos comercializados não apresentam riscos à saúde humana.

 

Os alimentos transgênicos são muito bem estudados e antes de serem liberados comercialmente, são submetidos a rigorosas análises relacionadas ao impacto da introdução de genes na planta ou nos microrganismos, presença de proteínas alergênicas, composição nutricional, impactos ambientais, na saúde animal e humana. Os resultados desses testes passam pela avaliação de uma comissão de especialistas em biossegurança.

No Brasil, essa análise e a posterior liberação dos produtos são feitas pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Sendo aprovados apenas aqueles transgênicos que apresentam equivalência substancial idêntica ao do produto convencional. Isso significa que o produto final é “tão seguro quanto” o produto não transgênico. O conceito geral de equivalência substancial, usado no Brasil, para avaliar os alimentos transgênicos foi desenvolvido pelas autoridades científicas internacionais, incluindo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) junto ao Códex Alimentarius.

 

Os produtos que contêm transgênicos, do ponto de vista da aparência, são iguais aos não modificados. No Brasil, entretanto, o Decreto 4.680 de 2003 determina que os alimentos contendo ingrediente transgênico em sua composição devem ser rotulados.

 

Em 2016, a rotulagem ganhou informação adicional, quando o Tribunal Regional Federal, estabeleceu que os alimentos que contêm transgênicos ou são produzidos a partir deles devem ser rotulados independentemente do percentual na sua composição.

 

A regulamentação em vigor estabelece que a rotulagem deve conter:

  • Símbolo de transgênico na embalagem. A representação é um triângulo amarelo, com a letra T dentro;
  • Frase “produto produzido a partir de “determinado ingrediente transgênico” ou “contém determinado produto transgênico”;
  • Nome da espécie doadora do gene junto à identificação dos ingredientes ou sigla OGM (Organismo Geneticamente Modificado).

É importante ressaltar que a rotulagem não tem relação com a biossegurança dos transgênicos, mas sim com o direito à informação do consumidor. Além disso, é válido lembrar que as alterações genéticas realizadas em organismos transgênicos são pontuais e o gene inserido é formado pelo mesmo DNA encontrado em qualquer ser vivo.

 

Dessa forma, quando consumidos por animais ou por seres humanos, são digeridos da mesma maneira que um alimento não transgênico.

 

E nas pandemias?

Quando se pensa no combate às pandemias, a primeira e uma das mais importantes ações é o diagnóstico rápido. Por isso a biotecnologia é inserida para detectar doenças, e logo, remédios e vacinas. Com certeza todos conhecem a insulina. Pois bem, a insulina, hormônio produzido no pâncreas e utilizado no tratamento de diabetes, como já citado anteriormente, também é produzida por bactérias modificadas. A bactéria recebe o gene responsável pela produção da insulina em humanos e começa a produzir o hormônio, salvando milhões de vidas anualmente. E ela é TRANSGÊNICA!

Conseguem entender por que não faz sentido ser contra o transgênico e a favor da vacina?

Por qual motivo a biotecnologia por vezes é tratado por alguns como uma “ferramenta do demônio” quando aplicada na agronomia ou pecuária, mas é “do bem”, quando se trata de medicina???.

Em ambos os casos, se trata de salvar vidas, seja por nutrição adequada ou por terapêutica.

 

A título de exemplo citemos que uma das vacinas mais promissoras e aguardadas na época da pandemia da COVID 19 era a de Oxford, que foi desenvolvida com o mesmo tipo de tecnologia utilizada na agricultura: a transgenia. E como a Universidade de Oxford, em parceria com a FIOCRUZ, conseguiu desenvolver uma vacina em apenas 10 meses, se antes era preciso anos para conseguir? Simples, por meio da transgenia e da biotecnologia. A peça central de seu plano era um estilo revolucionário de vacina conhecido como “plug and play”, que possui duas características extremamente necessárias em um momento de tamanha urgência: rapidez e flexibilidade.

 

As vacinas convencionais, incluindo todo o programa de imunização infantil, usam uma forma morta ou enfraquecida da infecção original, ou injetam fragmentos dela no corpo. Mas eles demoram a se desenvolver. Em vez disso, os pesquisadores de Oxford construíram o ChAdOx1 (ou Chimpanzee Adenovirus Oxford One). Os cientistas pegaram um vírus do resfriado comum que infectou chimpanzés e o desenvolveram para se tornar o bloco de construção de uma vacina contra quase tudo. O vírus dos chimpanzés é geneticamente modificado, ou seja, transgênico, para não causar infecção nas pessoas.

 

E pode ser modificado quantas vezes forem necessárias para treinar o sistema imunológico a atacar praticamente tudo. Este alvo é conhecido como um antígeno. Claro que todas as vacinas precisam passar por testes clínicos e pré-clínicos antes de serem fornecidas à população.

E ela passou por vários testes aqui no Brasil até poder ser disponibilizada para a população na época. A Comissão Técnica Nacional em Biossegurança (CTNBio), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), assegura que os organismos geneticamente modificados (OGMs), são seguros, como é o caso também dos imunizantes.

 

O que importa é a segurança. E assim como na medicina, a agricultura se preocupa muito com isso.

 

Por todo o exposto até aqui, parece razoavelmente simples observar que o tema em questão é bastante amplo e, por vezes até polêmico. Fato é que o mundo todo caminha nesse sentido e, ou seja, de promover cada vez mais o desenvolvimento tecnológico no sentido de aprimorar técnicas que visem a melhoria de todos os produtos que derivem de animais e/ou vegetais.

Na realidade esse é um caminho sem volta a julgar pelo estágio que se encontra atualmente. Mesmo que determinadas pessoas ainda se mostrem relutantes em consumir produtos alimentares que tenham em sua composição algum ingrediente transgênico, isso se tornará praticamente impossível.

 

E há de se considerar que essa questão não se restringe apenas a produtos alimentares, pois também está amplamente difundida na indústria de cosméticos, farmacêutica (vacinas, insulina, etc.) dentre inúmeras outras. Uma situação é como desejaríamos que fosse determinada coisa, outra totalmente diferente é a realidade como as coisas são e tendem a evoluir ainda mais.

Assim sendo e por tudo o que foi exposto até então, por mero bom senso, há de considerar que a humanidade tende a evoluir tecnologicamente em todos os sentidos e, os seres humanos tendem a adaptar-se a todas essas modificações. Não se trata de uma questão simples do tipo “quero ou não quero, concordo ou não concordo, gosto ou não gosto, certo ou errado”. A questão é muito mais complexa, profunda e abrangente, ou seja, ou se adapta ou simplesmente fica para trás e sucumbe.

Não é o mais forte que evolui e apresenta melhor resultado e sim o que melhor se adapta. FICA A DICA!!!

 

Muitos dizem ser contrários a esse tipo de evolução tecnológica alegando até mesmo questões de cunho religioso, ou seja, argumentam que o homem não tem o direito de querer ser um Deus.

Mas, tais argumentos não levam em consideração que o homem só conseguirá avançar em qualquer tipo de tecnologia científica, por mais sofisticada que possa ser, até onde Deus permitir que isso venha a ocorrer.

PARA REFLEXÃO!!!

 

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